Pão de Açúcar altera estatuto, elimina 'poison pill' e Silvio Tini se torna maior acionista do grupo - Times Brasil

Pão de Açúcar altera estatuto, elimina ‘poison pill’ e Silvio Tini se torna maior acionista do grupo – Times Brasil

by Fernanda Lima
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Aprovação da Exclusão da OPA no Grupo Pão de Açúcar

O Grupo Pão de Açúcar realizou uma assembleia geral extraordinária (AGE) nesta semana, na qual foi aprovada a exclusão inteira do capítulo do estatuto social que estipulava a obrigatoriedade de oferta pública de aquisição (OPA) para qualquer acionista que superasse a marca de 25% do capital votante.

Detalhes da Poison Pill

O termo poison pill refere-se a um mecanismo estatutário que exige que um investidor que atinge um percentual específico do capital lance uma oferta pública de aquisição para as ações dos demais acionistas, criando obstáculos à concentração de controle sem a aprovação do mercado.

Mudanças na Participação Acionária

Dois dias após a assembleia, o empresário Silvio Tini de Araújo, em associação com sua holding Bonsucex, aumentou sua participação nas ações ordinárias da empresa para 25,795%, tornando-se o maior acionista individual do grupo.

Esse conjunto de eventos começa a reformular o panorama de controle do GPA em um contexto de recuperação extrajudicial de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Assembleia e Deliberações

De acordo com a ata da assembleia, acionistas que representavam 75,36% do capital votante estavam presentes na deliberação. A agenda da reunião incluiu também a modificação do limite do capital autorizado para R$ 5,78 bilhões, além da eleição de um membro suplente do conselho fiscal.

A exclusão do capítulo que discorria sobre a poison pill foi aprovada por um voto majoritário. Este mecanismo exigia que qualquer investidor que atingisse uma participação igual ou superior a 25% do capital lançasse uma oferta pública pelas ações restantes, uma proteção tradicionalmente utilizada para dificultar concentrações acionárias potencialmente hostis.

Reconfiguração do Controle Acionário

Com a cláusula removida do estatuto, Tini conseguiu aumentar sua participação sem ser obrigado a lançar a oferta pública. Desde março, o empresário já possuía 23% das ações, uma posição que vinha sendo monitorada pelo mercado como um indício de mudanças mais amplas sobre o controle do GPA.

A nova participação de Tini supera a da família Coelho Diniz, que, desde o ano passado, era a maior acionista do grupo, com aproximadamente 24,9% do capital. O Grupo Casino, que é o controlador histórico do GPA por mais de uma década, mantém hoje cerca de 20% das ações, um percentual que sofreu redução ao longo do processo de reestruturação financeira do varejista.

A Bonsucex, holding que Tini fundou em 1982, já teve participações significativas em empresas como Alpargatas, Bombril e Paranapanema. O investidor, em um momento anterior, se destacou como um dos brasileiros mais ricos, com uma fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões.

Questões Legais envolvendo Silvio Tini

No ano de 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) inabilitou Silvio Tini de Araújo, que era um dos principais acionistas da Alpargatas, de exercer funções de administrador ou conselheiro fiscal em companhias abertas. Essa penalidade decorreu de um processo relacionado ao uso de informações privilegiadas, uma prática que envolve o compartilhamento de dados confidenciais sobre uma empresa antes de sua divulgação ao mercado, podendo impactar as decisões de compra e venda de ações.

Impacto no Processo de Recuperação Extrajudicial

A reconfiguração acionária está acontecendo em meio ao avanço do GPA na implementação do plano aprovado para a recuperação extrajudicial, que totaliza cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas com credores. A companhia, que é proprietária das marcas Pão de Açúcar e Extra, tem enfrentado desafios financeiros desde a saída gradual do Casino do controle.

Considerações sobre Capital Autorizado

O conceito de capital autorizado refere-se ao limite até o qual uma empresa pode aumentar seu capital social por decisões do conselho de administração, sem que seja necessária a aprovação em assembleia.

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Fonte: timesbrasil.com.br

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