Contexto das Ameaças Tarifárias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está não apenas ameaçando a Groenlândia, mas também considerando a implementação de tarifas contra países que se opõem à anexação do território. Essas ameaças tarifárias levantam questões sobre os acordos comerciais estabelecidos pelos EUA com a Grã-Bretanha em maio e com a União Europeia em julho.
Reação da União Europeia
No domingo, 18 de agosto, a União Europeia (UE) enfrentou pedidos para implementar um conjunto de contramedidas econômicas inéditas, conhecidas como “Instrumento Anticoerção”. Essas medidas fazem parte da resposta do bloco às ameaças de tarifas de Trump direcionadas a aliados europeus por causa da Groenlândia.
No dia anterior, 17 de agosto, Trump havia prometido a aplicação de tarifas crescentes sobre os membros da UE, que incluem países como Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Finlândia, além da Grã-Bretanha e Noruega, caso os EUA não conseguissem a autorização para comprar a Groenlândia. Essa situação intensifica a disputa sobre o futuro da vasta ilha ártica, que pertence à Dinamarca.
Os países mencionados já enfrentam tarifas que variam entre 10% e 15%, além de terem enviado um pequeno contingente de militares à Groenlândia.
O Chipre, que atualmente preside a UE de forma rotativa, convocou embaixadores para uma reunião de emergência em Bruxelas no mesmo dia.
Acordo de Livre Comércio com o Mercosul
A ameaça feita por Trump ocorreu em um momento em que a UE estava prestes a assinar seu maior acordo de livre comércio até então, com o Mercosul, no Paraguai. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o acordo enviada à comunidade internacional um sinal forte.
Críticas ao Presidente dos EUA
Membros do Parlamento Europeu expressaram críticas em redes sociais contra as novas tarifas de Trump, solicitando a suspensão do acordo entre os EUA e a União Europeia.
Em um pronunciamento, Bernd Lange, membro do Parlamento Europeu, afirmou: “As novas tarifas americanas para vários países são inacreditáveis. Não é assim que se tratam os parceiros. Uma nova linha foi cruzada. Inaceitável. O presidente dos EUA está usando o comércio como instrumento de coerção política. A UE não pode simplesmente voltar a fazer negócios como se nada tivesse acontecido.”
Além disso, Lange fez dois pedidos: a suspensão das atividades do Parlamento Europeu relacionadas ao acordo de Turnberry até que os EUA cessem suas ameaças e a ativação imediata do Instrumento Anticoerção, elaborado para situações como essa.
A assembleia da UE estava programada para votar sobre a remoção de diversas tarifas de importação nos dias 26 e 27 de janeiro. Contudo, Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, indicou que a aprovação não será possível no momento.
“Optamos pelo comércio justo em vez de tarifas. Optamos por uma parceria produtiva e de longo prazo em vez do isolamento”, declarou um representante da UE.
A membro do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que a União Europeia apoia a Dinamarca e o povo da Groenlândia. Ela acrescentou que as medidas anunciadas contra aliados da OTAN não contribuirão para a segurança na região ártica.
“Pelo contrário, elas correm o risco de encorajar nossos inimigos comuns e aqueles que desejam desestabilizar nossa área”, completou Metsola.
Resposta Coordenada da Europa
De acordo com informações da Reuters, uma fonte próxima ao presidente francês Emmanuel Macron informou que ele está empenhado em coordenar uma resposta europeia e está pressionando pela ativação do Instrumento Anticoerção. Esse instrumento poderia limitar o acesso dos EUA a licitações públicas na UE ou restringir o comércio de serviços em que os EUA possuem superávit com o bloco.
No final de sábado, as redes sociais foram palco de publicações de representantes como Bernd Lange e Valerie Hayer, chefe do grupo centrista Renew Europe, apoiando a ativação do instrumento. A associação alemã de engenheiros também manifestou apoio às medidas propostas.
No entanto, alguns diplomatas da UE advertiram que este não é o momento apropriado para intensificar a situação.
Posição da Itália
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que tem uma relação mais próxima com Trump em comparação a outros líderes da UE, considerou a ameaça tarifária como “um erro”. Durante uma coletiva de imprensa em uma viagem à Coreia, Meloni revelou que havia conversado com Trump horas antes e expressado sua opinião a respeito.
Ainda em sua declaração, Meloni planejava contatar outros líderes europeus durante o mesmo dia. Vale ressaltar que a Itália não enviou tropas para a Groenlândia.
Reação do Reino Unido
Em relação às novas tarifas, a Secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, comentou que os aliados devem colaborar com os Estados Unidos para encontrar uma solução para a disputa.
Ela acrescentou: “Nossa posição sobre a Groenlândia é inegociável… É do nosso interesse coletivo trabalhar juntos e não iniciar uma guerra de palavras”, declarou Nandy durante uma entrevista à Sky News.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


