Crescimento Patrimonial
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, acumularam um patrimônio imobiliário de R$ 31,5 milhões desde março de 2017, data em que ele assumiu o cargo na Corte. Esse valor representa um expressivo crescimento de 266%.
O levantamento foi realizado pelo jornal Estadão, com base em escrituras e matrículas registradas em cartório. Após serem procurados, tanto o ministro quanto sua esposa não se pronunciaram. O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC também encaminhou pedidos de comentários.
Evolução dos Imóveis
Em 2017, o casal possuía 12 imóveis avaliados em R$ 8,6 milhões. Atualmente, possuem 17 propriedades, localizadas em São Paulo, Brasília e Campos do Jordão. Nos últimos cinco anos, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões em aquisições, todas realizadas à vista, conforme registros em cartório.
No mesmo período, o salário do ministro aumentou 39%, passando de aproximadamente R$ 33 mil para R$ 46 mil mensais, o que representa o teto do funcionalismo público. Essa diferença entre a evolução da renda declarada e o aumento do patrimônio é um ponto que chama a atenção do levantamento.
Empresa da Família
A maior parte das operações imobiliárias foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma sociedade limitada administrada por Viviane e pelos filhos do casal, Alexandre e Giuliana. Embora o ministro não esteja formalmente listado como sócio, ele é casado sob o regime de comunhão parcial de bens, o que faz com que os bens adquiridos durante o casamento integrem o patrimônio comum do casal.
A aquisição mais recente foi registrada em março deste ano, quando compraram um apartamento de 86 metros quadrados no Jardim Paulista, em São Paulo, por R$ 1,05 milhão, pago via Pix. Anteriormente, em agosto do ano passado, a empresa adquiriu uma mansão de 776 metros quadrados localizada no Lago Sul, uma área nobre de Brasília, pelo valor de R$ 12 milhões, pago em duas transferências de R$ 6 milhões cada.
Imóveis em Série
Quatro meses antes da compra da mansão, o casal adquiriu outro apartamento em Campos do Jordão, localizado na Serra da Mantiqueira. Juntamente com outro imóvel no mesmo condomínio, adquirido em 2014, o conjunto de unidades totaliza 727 metros quadrados e teve custo total de R$ 8 milhões.
Em São Paulo, os Moraes mantêm sete imóveis, incluindo dois apartamentos no Jardim América, comprados em 2021 por R$ 3 milhões cada, ambos pagos à vista. A família também possui quatro lotes em São Roque, no interior de São Paulo, com uma área total de 1.250 metros quadrados.
Salto Patrimonial Significativo
O levantamento do Estadão indica que, entre 1997 e 2014, Moraes e Viviane gastaram R$ 12,2 milhões na compra de 25 imóveis ao longo de quase duas décadas. Nos últimos cinco anos, o total de investimentos imobiliários do casal ultrapassou esse montante em quase o dobro, alcançando R$ 23,4 milhões, que corresponde a mais de 67% de todos os investimentos nominais do casal no setor imobiliário nos últimos 30 anos.
Esse expressivo aumento no patrimônio coincide com o período em que Moraes assumiu relatorias de investigações de grande repercussão no STF, incluindo o inquérito que investiga fake news.
Atuação Profissional
Viviane é sócia-administradora do Barci de Moraes Advogados, escritório que comparte com os filhos. Desde que o marido foi nomeado para o STF, o número de ações dela em tribunais superiores aumentou de 27 para 152, o que representa um crescimento de 460%.
O escritório também enfrenta questionamentos a respeito de um contrato com o Banco Master, que tem o valor de R$ 129 milhões por um período de três anos, aproximadamente R$ 3,6 milhões por mês entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Especialistas consultados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC destacaram que os serviços de compliance de alto nível não deveriam custar mais do que R$ 10 milhões nas grandes firmas do setor, classificando os valores cobrados pelo escritório como “desproporcionais” e “sem paralelo”. O banco mencionado é controlado por Daniel Vorcaro, que está sendo investigado em inquérito no STF por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras.
Em 2025, o escritório adquiriu uma sala comercial no Edifício Terra Brasilis, em Brasília, por R$ 350 mil, comprada de uma advogada que atua no STF, embora não haja processos sob a relatoria de Moraes.
Negócios com Advogados do STF
Em março de 2024, o casal vendeu, por meio do Lex Instituto, um apartamento e uma vaga de barco no Guarujá por R$ 1,4 milhão. Os compradores foram Maria Erotides Antunes e Persio Vinicius Antunes, advogado que atua na Corte. Três anos antes, Moraes havia concedido, por decisão monocrática, um habeas corpus a um cliente de Antunes que estava preso preventivamente sob a acusação de estelionato.
Procurado pelo jornal, o advogado Antunes negou ter qualquer relação pessoal com o ministro, afirmando: “Não tenho relação com ele, nunca o conheci. Comprei o apartamento de uma pessoa jurídica que não pertence a ele”, referindo-se ao Lex Instituto.
Fonte: timesbrasil.com.br