Perspectivas e Riscos no Mercado de Ações
O Goldman Sachs identifica um potencial de maior instabilidade no mercado de ações e alerta que os investidores podem ter menos opções ao procurar refúgios seguros.
Alerta de Correção
Em uma nota enviada a clientes na última quinta-feira, os estrategistas da instituição financeira com sede em Wall Street afirmaram estar avaliando os riscos relacionados a uma possível correção no mercado de ações, que é oficialmente definida como uma queda de 10% ou mais.
Atualmente, o S&P 500 já registrou uma diminuição de 5% em relação ao pico alcançado no final de janeiro. Se o S&P 500 entrar em uma fase de correção, isso sugere que haverá, pelo menos, uma queda adicional de 5 pontos percentuais no índice. A notícia desfavorável é que os títulos, normalmente considerados uma proteção em caso de uma queda mais acentuada, provavelmente não oferecerão segurança, conforme indicado pelo banco.
Cenários Adversos para o Mercado de Ações
O banco delineou vários "cenários mais adversos" para as ações, baseando-se em sua análise cruzada de ativos e no seu Indicador de Apetite de Risco, que mede o sentimento dos investidores. Em um desses cenários, os estrategistas previam o risco de os valores das ações caírem entre 7% e 8% a partir dos níveis atuais.
A nota menciona: "Continuamos a observar riscos de uma correção adicional no mercado de ações e consideramos que a proteção oferecida por títulos permanecerá limitada no curto prazo."
Obstáculos Persistentes
Os estrategistas destacaram diversos obstáculos no mercado de ações que são improváveis de se dissiparem rapidamente. Entre esses obstáculos estão a disrupção causada pela inteligência artificial, conflitos geopolíticos e, mais recentemente, o aumento das preocupações em torno da inflação elevada. Os investidores têm demonstrado apreensão em relação ao aumento nos preços do petróleo, que pode acidificar a inflação, ao mesmo tempo em que prejudica o crescimento econômico — um cenário negativo para as ações.
Entretanto, a perspectiva de uma inflação mais elevada também se tornou um fator negativo para os títulos, levando os investidores a perceberem sinais de que esses ativos não estão se comportando como os refúgios seguros que costumaram ser. Na última sexta-feira, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos, que reflete as expectativas de taxas de juros de longo prazo na economia e responde às previsões de inflação, subiu para 4,31%. Esse aumento representa um crescimento de 35 pontos-base desde o início da guerra no Irã.
Os estrategistas do Goldman também observaram que as expectativas de inflação e de taxa de juros estão elevadas, resultantes do conflito, e mencionaram que a correlação entre as ações e os títulos agora é positiva.
Impacto nos Portfólios de Múltiplos Ativos
O banco indicou que essa correlação negativa tem pressionado os portfólios de múltiplos ativos, gerando uma gama limitada de oportunidades para diversificação. Consequentemente, a chance de uma queda maior em um portfólio "60/40" (ações e títulos) — conhecido como um "Urso Balanceado" — aumentou.
Dificuldades com Refúgios Tradicionais
A dor no mercado de títulos ocorre em um momento em que outros refúgios tradicionais também começam a falhar para os investidores. O ouro, que em grande parte havia sido sustentado pelo hype especulativo e pelas expectativas de cortes nas taxas de juros no próximo ano, caiu 14% desde seu pico histórico no final de janeiro.
O Goldman Sachs enfatizou a recomendação aos investidores para aumentar as alocações em ações defensivas e de alta qualidade, além de "ativos seletivos seguros", como uma maneira de se proteger contra o risco de estagflação, uma situação em que o crescimento econômico desacelera enquanto a inflação continua a subir.
Fonte: www.businessinsider.com