Troca de Guarda: Aprovação do Novo Modelo

Troca de Executivos no Santander e B3

O Santander (SANB11) e a B3 (B3SA3) realizarão uma troca de executivos, com a seleção de Gilson Finkelsztain, que foi presidente da bolsa por quase uma década, para assumir um cargo no banco. O nome do novo presidente da B3 ainda não foi revelado, gerando especulações no mercado.

Processo de Sucessão

Conforme anunciado pelo Santander, a fase de sucessão será conduzida de forma cuidadosa, com a participação direta de Mario Leão, que continuará à frente do banco até que o processo se complete, o que está previsto para ocorrer em meados de junho de 2026.

Impacto no Mercado

Na bolsa, as ações da B3 apresentavam uma queda de 3% por volta das 13h, enquanto as ações do Santander registravam uma queda de 2,73%. É difícil determinar se esses movimentos são uma reação direta à troca de executivos ou se estão relacionados a um movimento mais amplo, dado que o Ibovespa caiu 1,7% durante o mesmo período. Observa-se que o Santander performou pior que o Itaú (ITUB4), que teve uma queda de 1,60%, e o Bradesco (BBDC4), que registrou uma perda de 1,13%.

Desafios para o Novo Executivo

A saída de Mario Leão ocorre em um momento em que o Santander Espanha tem a meta de elevar o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) para 20% até 2028, sendo essa responsabilidade transferida para Finkelsztain.

Reações do Mercado

Um gestor que se encontrou com o Money Times mencionou que essa mudança não foi totalmente inesperada, já que há algum tempo o assunto vinha sendo discutido nos bastidores, principalmente após a tentativa de indicar Finkelsztain para o conselho do Santander.

Durante sua gestão, Finkelsztain chegou a ser cogitado para um cargo simultâneo no banco e na B3, mas essa possibilidade foi descartada devido a um potencial conflito de interesses. Segundo o gestor, a rentabilidade do Santander ainda não alcançava as expectativas tanto da matriz como do mercado.

Resultados sob a Liderança de Leão

Embora tenha havido progressos na rentabilidade sob sua liderança, a performance não foi suficiente para atender às expectativas. O ROE, que variou em torno de 10% em 2023, subiu para 17,6% no quarto trimestre do ano passado. Nesse mesmo trimestre, o lucro pré-tributário do Santander foi de R$ 4,08 bilhões, o melhor resultado obtido nos últimos quatro anos.

Expectativas de Melhora

Os analistas do Safra observam que existem oportunidades para melhorar a rentabilidade, embora isso dependa significativamente do controle das despesas operacionais. Existe uma expectativa de que o ROE possa atingir 20% até 2028, conforme deseja a matriz espanhola, embora a tarefa seja considerada difícil sob a gestão de Mario Leão. O novo presidente precisa se estabelecer no cargo e demonstrar suas habilidades, dado seu histórico como executivo no setor da B3.

Avaliações sobre Mario Leão

Os analistas do Bradesco BBI reconheceram as contribuições de Leão, destacando que ele avançou em diversas frentes para melhorar a rentabilidade do banco, incluindo:

  • Reorientação da estratégia de funding;
  • Aumento da participação no setor de varejo;
  • Foco em retornos sobre o capital alocado;
  • Redução da exposição ao segmento corporativo de grande porte, além de promover eficiência e fortalecimento da operação.

A história de Gilson Finkelsztain à frente da B3, caracterizada pela diversificação de receitas e pela integração das plataformas de Bovespa, BM&F e CETIP, além de investimentos significativos em tecnologia, indica uma continuidade em busca de recuperação da rentabilidade do Santander, alinhando-se aos planos de longo prazo do controlador.

Futuro da B3

Com a saída de Finkelsztain, surge a indagação sobre quem assumirá a presidência da B3. Segundo informações do Valor Econômico, Luiz Masagão, atual vice-presidente de produtos e clientes da bolsa, é o nome mais cotado para a posição. Ele integra a equipe da B3 desde o segundo semestre de 2024 e anteriormente atuou por 14 anos na tesouraria do Santander.

Outro possível candidato mencionado é José Berenguer, atual presidente do Banco XP e membro do conselho de administração da B3. No entanto, a XP desmentiu rumores sobre a possível saída de Berenguer.

Além disso, Caio Ibrahim David, que fez carreira no Itaú e preside o conselho de administração da B3, também foi cogitado como um potencial sucessor.

Contribuições de Finkelsztain

Gilson Finkelsztain foi fundamental para a implementação de melhorias tecnológicas na B3. Sua gestão foi marcada pela diversificação das fontes de receita, que antes eram predominantemente atribuídas à negociação de ações, mas agora incluem outras áreas, como dados e renda fixa. O Bank of America reconhece que, sob sua liderança, a B3 integrou com sucesso seus negócios, investiu em tecnologia, diversificou suas receitas e manteve uma lucratividade elevada, com margem EBITDA média de 71%.

Ainda de acordo com o banco, o novo CEO enfrentará desafios significativos, incluindo a crescente concorrência em várias linhas de negócios e o impacto das elevadas taxas de juros. Contudo, também existem oportunidades relevantes, como o surgimento de novos produtos, incluindo mercados de previsão e tokenização.

Embora um novo presidente possa injetar novo vigor na agenda de diversificação e inovação, espera-se que a difusão dessas melhorias nos lucros seja limitada no curto prazo.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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