Pesquisa eleitoral é confiável e CEO da Nexus tem provas, mas entrevistas são raras.

Pesquisa Eleitoral da Nexus

O Brasil possui aproximadamente 272 milhões de telefones móveis e cerca de 20 milhões de aparelhos fixos. No universo brasileiro, existem 155,4 milhões de eleitores. A Nexus, especializada em Pesquisa e Inteligência de Dados, realizará chamadas de pesquisa entre a noite desta sexta-feira (24) e o final do dia de domingo (26), mas apenas 2 mil eleitores escolhidos aleatoriamente terão a oportunidade de atender a essa ligação.

Probabilidade de Atendimento

Ao considerar o total de 292 milhões de números de telefone, a probabilidade de uma pessoa atender a ligação de um pesquisador da Nexus é de aproximadamente 0,0007%. No que diz respeito ao total de eleitores, essa chance de ser perguntado em uma pesquisa eleitoral quantitativa telefônica, como a do BTG Pactual/Nexus, é de 0,0013%. Além disso, a probabilidade de um entrevistado concluir todas as questões de uma entrevista é ainda menor.

A amostra, as regras e os critérios rigorosos envolvidos nas pesquisas para a presidência da República nas eleições de 2026, como a que será divulgada na segunda-feira (27) pelo BTG Pactual e pela Nexus, garantem a credibilidade dos levantamentos.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, assegurou esse ponto em uma entrevista ao Money Times. O executivo apresenta um argumento que reforça essa credibilidade: as urnas eletrônicas, que serão utilizadas em outubro, funcionam como a maior auditoria para validar as pesquisas eleitorais.

Credibilidade das Pesquisas

“Se você perguntar quantas pessoas tomam refrigerante em uma determinada cidade, eu posso fazer uma pesquisa e você terá que acreditar nos números. Entretanto, a pesquisa eleitoral é a única que possui auditoria no mercado”, afirmou o executivo.

A cada levantamento realizado pelo BTG Pactual/Nexus—sendo um total de 18 rodadas, com 16 até o primeiro turno e mais duas no eventual segundo turno em 2026—, o processo inicia com o registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluindo toda a documentação e metodologia necessárias.

Cada um dos 100 pesquisadores realiza ligações para números aleatórios, utilizando um cadastro abrangendo todos os telefones fixos e móveis registrados na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A amostra é controlada por região, tipo de telefonia, sexo, idade e escolaridade, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios Contínua (PNADc) de 2024.

Perfil dos Entrevistados

De acordo com os dados, 36% dos entrevistados possuem ensino fundamental completo, 41% até o ensino médio completo, enquanto 23% têm o superior incompleto ou concluído. Em termos de distribuição etária, 17% estão na faixa dos 16 aos 24 anos, 20% têm entre 25 e 34 anos, 20% estão na faixa de 35 a 44 anos, 24% têm entre 45 e 59 anos e outros 20% são pessoas com 60 anos ou mais. Na distribuição regional, a pesquisa aponta que 8% dos entrevistados estão na região Centro-Oeste, 27% no Nordeste, 8% no Norte, 43% no Sudeste e 15% no Sul. A divisão de gênero revela que 48% dos participantes são homens e 52% são mulheres.

Amostragem Balanceada

A amostra requer que cada cota percentual seja preenchida. Se um eleitor atender ao telefone e o perfil dele já tiver sido suficientemente representado, a entrevista é encerrada antes mesmo de abordar questões sobre a preferência eleitoral.

“Não adianta realizar uma pesquisa e entrevistar 80% homens e 20% mulheres, ou vice-versa. É necessário que a amostra seja balanceada, representando o perfil do eleitorado”, explicou Tokarski. “Por exemplo, se eu tenho 27% dos moradores do Nordeste, não adianta fazer uma amostragem de 20% ou 30%; deve ser 27%”, acrescentou.

Após atender aos requisitos do perfil, o entrevistador prossegue para a segunda etapa, que consiste na pesquisa eleitoral propriamente dita. Na pesquisa a ser realizada na segunda-feira, a primeira pergunta é uma pesquisa estimulada sobre o interesse do eleitor em relação às eleições que ocorrerão em outubro.

Na sequência, o eleitor é questionado, de forma espontânea, a quem votaria se as eleições ocorressem naquele momento. Posteriormente, são realizadas perguntas estimuladas em que são apresentados os nomes dos candidatos, incluindo diversos cenários de confronto para o primeiro e segundo turnos.

Entrevistas e Checagem

Por ser feito por telefone, a apresentação dos nomes dos pré-candidatos é disposta de forma aleatória e é alterada a cada entrevista para evitar que algum candidato seja privilegiado.

De acordo com Tokarski, todas as entrevistas realizadas pela Nexus são gravadas e 20% dos questionários aplicados por cada entrevistador são verificados de formas diversas. “Uma entrevista tem uma média de duração de 12 minutos. Se um entrevistador realiza uma entrevista em apenas 8 minutos, o sistema sinaliza que há algo errado”, exemplificou o CEO da Nexus.

Outra forma de verificação é realizada por uma equipe que escuta as entrevistas à medida que elas acontecem, garantindo que o entrevistador siga o método estabelecido. “Além disso, ligamos de volta para 20% dos entrevistados para confirmar se o atendimento foi adequado. O objetivo é assegurar que, de fato, aquela pessoa participou da pesquisa”, declarou.

Os resultados obtidos são então compilados, ponderados e divulgados. No caso da pesquisa BTG Pactual/Nexus, o banco contratante optou por gerenciar todo o processo, desde a primeira entrevista até a disseminação dos resultados, enquanto o mercado financeiro está fechado, ou seja, do início da noite de sexta-feira até a manhã de segunda-feira.

Polarização e Desconfiança nas Pesquisas

Segundo o CEO da Nexus, a presença de critérios rigorosos na pesquisa faz com que a desconfiança em relação a levantamentos eleitorais não tenha fundamento. Tokarski argumenta que os questionamentos recentes destinados aos institutos de pesquisa estão diretamente ligados à polarização política que emergiu com a eleição de 2018 e se intensificou em 2022.

“Na eleição de 2022, houve um campo político (bolsonarista) que questionou bastante as pesquisas, e isso ocorreu principalmente porque estava perdendo de acordo com os levantamentos. Porém, esse mesmo campo havia vencido a eleição de 2018”, explicou.

O CEO da Nexus utiliza a conhecida expressão “pesquisa é um retrato, uma radiografia de momento” para enfatizar que cada levantamento apresenta particularidades e que, no momento, ainda é cedo para prever quem será o vencedor ou reeleito nas eleições presidenciais de 2026, considerando que ainda faltam mais de cinco meses para o primeiro turno.

“É comum haver questionamentos, mas a maioria dos institutos respeitáveis se aproxima bastante do resultado final da eleição. Novamente, a pesquisa é uma ciência com métodos específicos para sua realização”, concluiu.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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