Negociações da Petrobras com Mubadala
A Petrobras (PETR3; PETR4) está em negociações diretas com representantes do fundo soberano Mubadala, originário de Abu Dhabi, para a recompra da Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia. A informação foi divulgada por duas fontes com conhecimento do tema à Reuters na última segunda-feira, dia 13.
Contexto das Conversas
As discussões foram iniciadas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarar, em 20 de março, que a estatal planejava recomprar a refinaria que fora vendida durante o governo de Jair Bolsonaro. Cinco dias após essa declaração, a Petrobras comunicou que começaria a avaliar a possibilidade de retomar a aquisição.
Importância da Refinaria
A Refinaria de Mataripe, que é a segunda maior do Brasil em termos de capacidade de processamento, foi considerada uma ideia inicial do governo Lula, embora o projeto não tenha progredido até o momento. A alta nos preços do petróleo, ocasionada pela guerra no Irã, tornou evidente a necessidade de aumentar a capacidade de refino no mercado interno. O país é responsável pela importação de cerca de 25% do diesel que consome, sendo este o combustível mais utilizado no Brasil.
Estado das Negociações
Uma das fontes consultadas indicou que há interesse da Petrobras em continuar as conversas e não descartou a possibilidade de um acordo ainda neste ano. Ela observou que as tratativas estão ocorrendo diretamente com o Mubadala, no exterior, e visam um possível fechamento de acordo em 2026. A relação entre o Mubadala e a Petrobras foi descrita como "muito boa".
Desempenho da Refinaria
Em 2025, a unidade de Mataripe atingiu um recorde de processamento, com a média de 261 mil barris de petróleo por dia, conforme informações da Acelen, empresa controlada pelo Mubadala. No entanto, um dos principais tópicos a ser discutido nas negociações é a avaliação da refinaria, que foi vendida por US$ 1,65 bilhão em 2021 e, desde então, recebeu investimentos significativos.
Capacidade Operacional
De acordo com as informações recebidas, a refinaria está atualmente operando com cerca de 60% de sua capacidade, enquanto as unidades de refino da Petrobras operam pro próximo de sua capacidade total, um cenário que se torna necessário para suportar o mercado interno, especialmente em um momento em que as importações estão custando mais devido ao contexto de conflito.
Uma fonte destacou que "eles estão importando muito, a preços altos, e não conseguem operar a pleno", referindo-se à situação da refinaria na Bahia. Apesar de o Brasil ser autossuficiente na produção de petróleo, o país ainda enfrenta a dependência da importação de derivados de petróleo para garantir o atendimento adequado ao mercado interno. Além do diesel, surgem preocupações sobre a oferta importada de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), utilizado frequentemente como gás de cozinha.
Expectativas Futuras
Uma outra fonte afirmou que as negociações estão efetivamente em andamento, mas reconheceu a falta de maior avanço nas discussões. "Vamos ver se dá ‘match’ este ano, mas ainda temos que ver", disse a fonte, apontando para a necessidade de mais progresso nas tratativas.
Respostas das Partes Envolvidas
Até o momento, a Petrobras não respondeu imediatamente ao pedido de comentários sobre a situação das negociações. Por sua vez, o Mubadala também decidiu não fazer declarações a respeito.
Fonte: www.moneytimes.com.br