Petrobras e os volumes de gás liquefeito
A Petrobras (PETR4) continua com a entrega de volumes de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha. A movimentação ocorre mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter declarado, nesta quinta-feira, a intenção de cancelar o leilão, conforme revelaram duas fontes à Reuters.
O leilão e a comercialização
No dia 31 de março, o leilão realizado comercializou 70 mil toneladas de GLP, com entrega programada para abril, proveniente de sete polos da companhia. Em um dos polos, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc/RJ), a empresa registrou um ágio superior a 100% na venda do produto, conforme relatou uma das fontes.
Conforme mencionado por uma das fontes, a Petrobras optou por atender a maior parte do volume demandado no mercado por meio de contratos com preços que apresentam pouca oscilação. Essa abordagem é parte da estratégia de comercialização da empresa, que visa evitar a transferência das flutuações do mercado internacional para o mercado interno.
Contudo, a empresa realiza a venda de uma quantidade menor do que a demanda total do mercado por meio de leilões, onde os preços são superiores aos dos contratos regulares.
“Essa é a forma que a Petrobras encontrou para promover o ‘abrasileiramento’ dos preços. Com isso, a empresa pode afirmar que está vendendo o produto a R$2.900 a tonelada, sem aumentos há vários meses, enquanto leiloa de 10% a 20% do total, buscando recuperar o preço nas vendas em leilão”, disse a fonte.
Entrega esperada dos volumes leiloados
A mesma fonte explicou que os volumes leiloados costumam ser entregues antes dos volumes estabelecidos em contratos. Portanto, há a expectativa de que todo o montante do último leilão seja entregue até o final do fim de semana.
Uma segunda fonte corroborou que os preços praticados na entrega de hoje refletem os valores do leilão realizado em 31 de março.
A declaração de Lula sobre o cancelamento
Mais cedo nesta quinta-feira, Lula anunciou que tomaria a decisão de anular o leilão de GLP, argumentando que a população não tem condições de suportar o aumento dos preços.
Histórico de cancelamentos de leilões
Em março, a Petrobras já havia cancelado leilões de diesel e gasolina, sem fornecer explicações ao mercado. Este cancelamento ocorreu após constatar que o diesel estava sendo negociado nos leilões entre R$1,80 e R$2,00 por litro, ultrapassando o preço de referência das refinarias da própria estatal, conforme relataram entidades do setor.
Subsequentemente, a companhia decidiu comercializar os volumes que seriam leiloados através de incrementos em contratos já existentes, garantindo aos clientes preços inferiores aos que seriam propostos nas vendas por leilão.
Aumento nos preços dos combustíveis
Os preços dos combustíveis dispararam durante o mês de março no mercado internacional, impulsionados pela escalada da guerra no Oriente Médio. O preço do petróleo de referência Brent saltou de US$70 o barril no final de fevereiro para mais de US$100 atualmente.
A influência na política e nos negócios da Petrobras
Os preços dos combustíveis tornaram-se uma preocupação significativa para Lula, que almeja a reeleição neste ano. Além disso, esta situação representa um desafio crescente para a Petrobras, que se vê na necessidade de conciliar os interesses de seu acionista controlador—o governo—e as diretrizes internas que a impedem de operar no prejuízo ou colher remunerações inadequadas conforme os pedidos do governo.
Embora a Petrobras seja uma produtora relevante de combustíveis, o Brasil ainda se encontra em uma posição de dependência de importações, o que amplifica a vulnerabilidade do país em relação às oscilações nos preços internacionais.
Fonte: www.moneytimes.com.br

