Situação Crítica no Mercado Global de Petróleo
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou, em 21 de setembro, que o mercado global de petróleo pode enfrentar uma grave crise entre julho e agosto deste ano. Este alerta se deve à combinação do pico sazonal de demanda que ocorre durante o verão no Hemisfério Norte, interrupções nas exportações originárias do Oriente Médio e a diminuição dos estoques globais disponíveis.
Crise Energética e Interrupções no Oriente Médio
Durante um evento na Chatham House, em Londres, Birol declarou: “Podemos estar entrando na zona vermelha em julho ou agosto se não houver melhora na situação”. Essa frase se refere à crise energética desencadeada pela guerra que envolve o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais vias de transporte de petróleo no mundo.
O diretor salientou que mais de 14 milhões de barris por dia (bpd) foram retirados do mercado no Oriente Médio, caracterizando a atual situação como “a maior crise energética da história”.
Medidas e Estoques
Birol detalhou que o excedente global de petróleo disponível antes do início do conflito, a liberação coordenada de 400 milhões de barris das reservas estratégicas da AIE e a utilização de estoques comerciais foram fundamentais para atenuar o impacto inicial da crise. No entanto, ele destacou que essas medidas “não são a solução para o problema”. A principal solução, segundo o diretor, é a reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz.
Atualmente, a AIE está liberando entre 2,5 milhões e 3 milhões de barris por dia no mercado, representando o maior uso coordenado de reservas da história da agência. Entretanto, Birol advertiu que os estoques estão se esgotando em um momento em que a demanda por combustíveis começa a aumentar. “Os estoques estão diminuindo, não chega novo petróleo do Oriente Médio e a demanda aumenta”, ressaltou.
Recuperação da Produção no Oriente Médio
O diretor da AIE também destacou que a recuperação da produção e da capacidade de refino no Oriente Médio será lenta e desigual. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem recursos financeiros e tecnológicos para acelerar essa retomada. Contudo, a situação do Iraque levanta preocupações maiores. Birol expressou sua apreensão ao afirmar: “Meu maior medo é o Iraque”, enfatizando a dependência crítica do país em relação às receitas do petróleo e a escassez de capacidade de armazenamento. Essa situação levou ao fechamento de campos petrolíferos, que são difíceis de reativar posteriormente.
Fonte: www.moneytimes.com.br