O petróleo Brent, referência para o mercado internacional, sobe mais de 1% após acusações de Trump contra o Irã e acordo entre EUA-China (Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)
As ações das petroleiras estão operando na ponta positiva da bolsa brasileira nesta sexta-feira (19), em um dia caracterizado por liquidez limitada e aversão ao risco no mercado internacional.
Por volta de 11h45 (horário de Brasília), PetroReconcavo (RECV3) apresentava a segunda maior alta do Ibovespa (IBOV), com um ganho de 1,60%, cotada a R$ 10,16.
Prio (PRIO3), que está em uma posição mais sensível às variações nos preços de petróleo, já que toda a sua produção é de óleo e possui um nível menor de hedge, registrava um avanço de 0,32%, a R$ 57,15, nesse mesmo horário. Brava Energia (BRAV3) estava estável, cotada a R$ 19,24.
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4), que são consideradas alguns dos principais ativos do Ibovespa, estavam próximas da estabilidade neste período. As ações ordinárias PETR3 apresentavam estabilidade a R$ 43,13, e as ações preferenciais PETR4 subiam 0,03%, a R$ 38,86, tornando-se a mais negociada do mercado acionário nos domínios domésticos, com mais de 13,6 mil negócios e um giro financeiro de R$ 273 milhões, no mesmo horário.
Escalada das tensões no Oriente Médio
A valorização das ações das petroleiras brasileiras pode ser atribuída à expectativa de uma escalada nas tensões no Oriente Médio. Isso ocorreu após o cancelamento das negociações entre Estados Unidos e Irã e a ausência de um encontro entre autoridades dos dois países na Suíça, que visava a assinatura formal de um acordo de paz.
Entre os principais pontos do acordo estão o fim das hostilidades entre os dois países e a reabertura integral do Estreito de Ormuz.
Desde o início da guerra, que começou em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, continua sendo um dos principais focos de atenção para o mercado.
Aproximadamente um quinto do consumo global da commodity passa por essa rota, que liga grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — a mercados na Ásia, Europa e América do Norte.
De acordo com analistas, o acordo de paz entre Washington e Teerã deve liberar mais de 85 milhões de barris de petróleo que estão retidos no Golfo do Oriente Médio, permitindo que esses volumes sejam acessíveis aos mercados globais.
O tratado também contempla a suspensão das sanções dos EUA sobre o petróleo iraniano, o que incrementaria ainda mais a oferta no mercado.
Além do impasse nas negociações, ocorreram intensos combates entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano durante a madrugada. Os conflitos resultaram na morte de mais de 18 pessoas em ataques israelenses, bem como na perda de quatro soldados israelenses em um dos ataques mais letais feitos pelo grupo apoiado pelo Irã durante esse conflito.
Teerã, por sua vez, condenou os ataques realizados por Israel ao Líbano, alertando sobre suas consequências para a paz e a segurança na região, e destacou que os Estados Unidos são diretamente responsáveis pela situação atual.
Informações da Reuters relatam que, após os ataques, Israel e o grupo armado libanês Hezbollah concordaram com um cessar-fogo que deve entrar em vigor às 16h, horário local, desta sexta-feira.
O petróleo é considerado um dos “termômetros” do mercado, medindo o apetite e a aversão ao risco dos investidores. Apesar da valorização das ações das petroleiras, o petróleo opera em queda e pode enfrentar uma retração de 9% na semana. Por volta de 11h50, o contrato mais negociado do Brent, com vencimento para agosto, subia 0,20%, ficando próximo a US$ 80,00 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
No pregão eletrônico da New York Mercantile Exchange (Nymex), nos Estados Unidos, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para julho apresentava uma queda de 0,59%, sendo cotado a US$ 76,13 o barril.
Fonte: www.moneytimes.com.br