PF revela organização criminosa equipada com fuzis e blindados da família Vorcaro – Times Brasil

Estrutura Armada Associada à Família Vorcaro

Uma estrutura armada, composta por fuzis, veículos blindados e características paramilitares, teria sido disponibilizada em benefício da família Vorcaro, conforme um relatório da Polícia Federal obtido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Liderança do Grupo

De acordo com a investigação da PF, o grupo era conduzido por Manoel Mendes Rodrigues, o qual foi identificado como operador do jogo do bicho na cidade do Rio de Janeiro. O documento revela que Manoel mantinha uma relação “sólida e duradoura” com Henrique e Daniel Vorcaro, uma conexão que continuou mesmo após a prisão do fundador do Banco Master, ocorrida em março de 2026.

Organização Fortemente Armada

A Polícia Federal descreve Manoel como o comandante de uma organização “fortemente armada” no Rio de Janeiro, onde seus integrantes ofereciam segurança privada utilizando armamento de grosso calibre, que incluía fuzis e veículos blindados, além de outros recursos típicos de organizações paramilitares.

Segurança em Empreendimentos

Os investigadores acreditam que essa estrutura armada era utilizada para garantir a proteção de interesses empresariais da família Vorcaro. O relatório destaca que o aparelho de segurança foi acionado até mesmo em situações em que terceiros eram recebidos por homens armados com fuzis e utilizando veículos blindados.

Conversas e Recebimento de Indivíduos

Em uma das conversas analisadas pela PF, Manoel e André Martins Hodge, reconhecido como intermediário de Henrique Vorcaro, discutem um incidente envolvendo pessoas associadas à família. Segundo o relatório, indivíduos como André Beraldo e Felipe Vorcaro teriam sido recebidos por Manoel em carros blindados, na companhia de pessoas armadas.

A PF observou que, ao invés de proporcionar segurança, a estrutura gerava medo. Um dos relatos coletados menciona que os visitantes expressaram sensação de estarem na “Rússia do Putin”, aludindo a um ambiente caracterizado por forte presença militar e armamentos. O mesmo relato destaca que uma pessoa presente estava tão assustada que "sequer conseguia abrir a boca", indicando um nível de temor extremo perante a situação.

Hostilidade e Cooptação Policial

O relatório da Polícia Federal também revela que Manoel demonstrava hostilidade em relação a policiais militares que não eram aliados do grupo. Em uma mensagem obtida, ele mencionou que “PM bom é debaixo de 7 palmos”. Este diálogo se seguiu com um interlocutor que afirmou que “PM bom é os que estão do nosso lado”, o que, para os investigadores, sugere uma estratégia de cooptação de agentes de segurança pública pela organização criminosa.

Contatos e Ações Financeiras

O relatório também indica que Henrique Vorcaro mantinha contato frequente com Manoel Mendes até a véspera da sexta fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a Polícia Federal, Henrique continuava a atuar como operador financeiro em favor da "Turma", principalmente em benefício da família de Felipe Mourão, conhecido como Sicário.

Em outra troca de mensagens, Manoel cobra de Henrique valores em atraso, mencionando a necessidade de receber pelo menos “200 conto” para pagar “a segurança” e “todo mundo”. Tais comunicações sugerem que Henrique ainda viabilizava pagamentos ao grupo armado.

Reuniões em Belo Horizonte

A polícia também afirma que, após a morte de Sicário, Manoel Mendes, com o conhecimento e consentimento de Henrique Vorcaro, viajou a Belo Horizonte para se encontrar com a família de Sicário. O intuito deste encontro era evitar qualquer possível colaboração dessas pessoas com as autoridades.

Discussões sobre Contratos e Silêncio

Dentro desse contexto, a investigação revelou que foram discutidos ajustes relativos a contratos e valores devidos a Sicário, com o objetivo de garantir o silêncio dos familiares sobre as atividades ilegais atribuídas ao grupo.

Uma das conversas analisadas incluiu Joana Mourão, irmã de Sicário, que afirmou ter “material para acabar com a família inteira”. A PF interpreta essa interação como uma tentativa de Manoel em facilitar repasses à família de Sicário para evitar que Joana colaborasse com as investigações.

Atuação À Margem do Estado

Os elementos analisados pelos investigadores até o momento indicam que a estrutura sob o comando de Manoel Mendes Rodrigues operava à margem do Estado, podendo ser utilizada tanto para a proteção de membros da organização criminosa quanto para ameaçar e realizar retaliações contra indivíduos que contrariassem os interesses do grupo.

Fonte: timesbrasil.com.br

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