Plano de Durigan propõe ajustes na comunicação e estratégia cautelosa no Congresso sobre temas delicados.

Gestão de Dario Durigan na Fazenda

Os nove meses de gestão do novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em um ano eleitoral, incluirão um ajuste na comunicação, com o objetivo de demonstrar um foco no desenvolvimento econômico. A estratégia da pasta será priorizar a negociação de medidas microeconômicas no Congresso Nacional, adiando, assim, questões tributárias complexas, segundo informações de fontes do governo que preferiram não se identificar.

Adiamento de Temas Tributários

A equipe ministerial optou por "segurar" agendas que considera relevantes, mas que possuem potencial para gerar conflito tanto no Legislativo quanto na opinião pública. Entre os temas adiados estão o fim da isenção tributária para títulos de investimento, a regulamentação do Imposto Seletivo, que incidirá sobre bens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, e a taxação de criptoativos. As medidas serão discutidas com cautela e estratégia, especialmente no cenário atual, marcado por tensões no Congresso e pelo escândalo relacionado ao Banco Master, que ocorre em um período pré-eleitoral, caracterizado por uma redução no ritmo de trabalho legislativo e uma maior inclinação dos parlamentares a discutir medidas populares.

Fim da Isenção Tributária

Após não conseguir aprovar, no ano anterior, o fim da isenção tributária para títulos como LCI e LCA, a Fazenda planeja reapresentar a medida. Contudo, uma das fontes envolvidas admitiu que este assunto poderia ser deixado para uma eventual nova gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria início em 2027. A equipe econômica acredita que o benefício atual promove distorções no mercado de investimentos, favorecendo papéis como letras de crédito e certificados de recebíveis em detrimento de títulos públicos.

Imposição do Imposto Seletivo

No que se refere ao Imposto Seletivo, cuja aprovação ocorreu na reforma tributária e que será implementado em janeiro, substituindo o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o governo precisa estabelecer alíquotas e determinar quais produtos serão abrangidos. Segundo uma das fontes, a temática será tratada por meio de uma medida provisória, mas a implementação não ocorrerá neste instante. O objetivo é discutir e votar a proposta somente após as eleições presidenciais, programadas para outubro.

Taxação de Criptoativos

Outra pauta que também deve ser adiada é a taxação de criptoativos. Após o Banco Central ter igualado essas operações às cambiais, a Fazenda está elaborando uma consulta pública que seria um primeiro passo para a implementação da cobrança.

Agenda Microeconômica

A agenda legislativa de Durigan compreende pautas microeconômicas, como um projeto que já está em tramitação e que establece regras para a atuação de reguladores em relação a instituições financeiras em dificuldades. Esse projeto poderá avançar, já que o governo retirou um artigo que previa ajuda do Tesouro Nacional a bancos, o que provocou atritos em decorrência dos problemas com o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Além disso, a pauta abrange a regulação econômica das grandes empresas de tecnologia e a reedição do programa para atração de investimentos em data centers, a qual dependerá de uma exceção às regras fiscais. Outro ponto importante que a Fazenda avalia são iniciativas voltadas para o crédito.

Fim dos Supersalários no Serviço Público

A Fazenda também está interessada em fomentar o debate sobre o fim dos supersalários no serviço público. Uma das fontes sugeriu que fosse elaborada uma lista restrita de rendimentos que poderiam ser pagos acima do limite imposto para servidores públicos, incluindo a definição de um percentual máximo que pudesse ser recebido além do teto.

Posse de Dario Durigan

Dario Durigan, que ocupava a função de secretário-executivo da Fazenda, assumiu o cargo de ministro na sexta-feira, após Fernando Haddad deixar a posição para concorrer ao governo de São Paulo nas próximas eleições. Uma reunião entre Durigan e os secretários da pasta está agendada para a segunda-feira, com o objetivo de alinhar os planos futuros.

Ajuste de Comunicação

Com a saída de Haddad, que enfrentou críticas constantes de opositores devido a suas iniciativas de aumento de impostos — sendo atacado por políticos de direita nas redes sociais com o apelido de "Taxad" — Durigan deverá implementar um ajuste na comunicação da pasta em meio aos debates eleitorais, conforme informado pelas fontes. O presidente Lula ressaltou a necessidade de que Durigan seja a "nova cara da economia", mantendo, ao mesmo tempo, a defesa da responsabilidade fiscal e da justiça social.

De acordo com uma das fontes, a Fazenda buscará priorizar o desenvolvimento econômico e apresentar caminhos que conduzam a um "futuro próspero". A estratégia incluirá uma ênfase na melhoria do ambiente de negócios, inovação, eficiência e aumento de produtividade, temas que são considerados relevantes tanto para o mercado financeiro quanto para a direita. Apesar disso, o compromisso progressista do governo será mantido.

Contexto Eleitoral

Lula está em busca de reeleição este ano, concorrendo por votos do centro e da direita contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra inelegível e cumpre pena em regime fechado, condenado pelo STF por tentativa de golpe. Uma das fontes indicou que a agenda de desenvolvimento foi tratada de forma dispersa em ministérios temáticos ao longo dos três anos de governo, e a Fazenda deve agora promover uma coordenação para garantir um plano consolidado do governo nessa área.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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