Os preços globais do petróleo apresentaram queda nesta quarta-feira (7), enquanto a China acusou os Estados Unidos de prática de intimidação, após o governo do presidente Donald Trump afirmar que havia persuadido a Venezuela a desviar suprimentos destinados a Pequim e exportar aos EUA petróleo bruto sancionado, totalizando até US$ 2 bilhões.
O acordo segue a estratégia de Trump para controlar as reservas de petróleo da Venezuela, um país sul-americano membro da Opep, após a queda do governo de Nicolás Maduro, que, há muitos anos, é considerado um ditador e alvo de acusações de envolvimento em atividades ilícitas, incluindo o tráfico de drogas, em aliança com adversários dos Estados Unidos.
Os aliados do Partido Socialista de Maduro ainda mantêm o poder no país, onde Delcy Rodriguez assumiu a presidência interina, prometendo colaboração com os EUA, sob ameaças de Trump.
Dinheiro do petróleo “será controlado por mim”, afirma Trump
O presidente dos EUA declarou que o país se responsabilizaria por refinar e comercializar até 50 milhões de barris de petróleo bruto que estão retidos na Venezuela sob um bloqueio. Esse movimento é considerado um passo inicial para revitalizar o setor petrolífero local.
“Esse petróleo será vendido ao preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos, para garantir que seja utilizado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”, registrou Trump em sua plataforma Truth Social na terça-feira (6).
Fontes ligadas à PDVSA, a empresa estatal de petróleo da Venezuela, informaram à Reuters que as negociações para um potencial acordo de exportação encontraram progresso, embora não tenha havido anúncios oficiais por parte do governo venezuelano.
No mercado global, os preços do petróleo bruto caíam cerca de 1,0% nesta quarta-feira (7), em decorrência do aumento projetado na oferta.
Esse acordo poderia demandar que as cargas destinadas ao principal comprador da Venezuela, a China, fossem redirecionadas, já que Caracas está na busca de descarregar milhões de barris que se encontram retidos em navios-tanque e depósitos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou em coletiva de imprensa que “o uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela” e a imposição do lema “América em primeiro lugar”, enquanto a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos, são atos que caracterizam intimidação.
Ele acrescentou que essas ações violam severamente o direito internacional, infringem gravemente a soberania da Venezuela e prejudicam os direitos dos cidadãos venezuelanos.
A China, que importou 389.000 barris diários de petróleo venezuelano em 2025, correspondendo a aproximadamente 4% de suas importações marítimas de petróleo bruto, pode agora considerar recorrer ao Irã e à Rússia, segundo análise de traders.
As reações da China, Rússia e aliados da Venezuela manifestaram desaprovação em relação à incursão dos EUA que teve como objetivo a captura de Maduro, considerada a maior intervenção de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, que visava derrubar Manuel Noriega.
Os aliados dos Estados Unidos expressaram preocupação com a situação e com a sequência de ameaças lançadas por Trump sobre ações que vão desde o México até a Groenlândia, sempre visando os interesses dos EUA.
Dezenas de mortos durante captura de Maduro
Ainda não são claros todos os detalhes sobre a incursão das Forças Especiais dos EUA em Caracas no último sábado (3), durante a qual Maduro foi capturado, sem que houvesse registro de perdas entre os norte-americanos.
Embora a Venezuela não tenha confirmado oficialmente o número total de vítimas, o exército publicou uma lista que menciona 23 mortos, enquanto Cuba relatou a perda de 32 de seus membros das forças armadas e de Inteligência.
Oposição venezuelana aguarda
A principal opositora de Maduro, María Corina Machado, que deixou o país para receber o Prêmio Nobel da Paz em outubro, afirmou que a oposição venceria facilmente uma eleição livre.
Entretanto, ela também expressa receio de antagonizar Trump, e já declarou desejo de entregar pessoalmente a ele o prêmio Nobel, que ele almejava e que foi dedicado a ele por Machado na ocasião. Ela apoia a visão do presidente dos EUA de transformar a Venezuela em um importante aliado e em um centro energético das Américas.
Edmundo González, um aliado de Machado, segundo a oposição, venceu a proibição de concorrer nas eleições de 2024, tendo conquista reconhecida por representantes dos EUA e observadores eleitorais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

