Plinio Nastari afirma: 'Implementaria o E32 e o B17 sem hesitação'

Plinio Nastari afirma: ‘Implementaria o E32 e o B17 sem hesitação’

by Ricardo Almeida
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Início das Tensões no Oriente Médio e o Impacto no Mercado de Combustíveis

Em meio às crescentes tensões no Oriente Médio, particularmente envolvendo EUA, Israel e Irã, e com o preço do barril do petróleo Brent superando os US$ 100, Plinio Nastari, fundador e presidente da Datagro, sugere que o governo brasileiro deve elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) e a de biodiesel no diesel de 15% para 17% (B17).

Argumentação a Favor do Aumento das Misturas

Nastari afirma: “Se eu estivesse na posição de decisão, aumentaria a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel sem hesitações. Não faz sentido que o Brasil importe 17 bilhões de litros de diesel — o que representa cerca de um quarto do consumo — tendo 50% de capacidade ociosa na produção de biodiesel, além de ainda importar 3,5 bilhões de litros de gasolina.”

Reconhecido como um dos principais especialistas brasileiros e internacionais nos mercados de açúcar, etanol e bioenergia, Nastari ressalta que o preço do biodiesel, atualmente, está abaixo do diesel importado, o que poderia ajudar na redução dos custos para o consumidor.

“As decisões estão à mesa e são fáceis de serem tomadas. O etanol, conforme a Lei do Combustível do Futuro, pode chegar a 35%, embora testes ainda sejam necessários para comprovar a viabilidade técnica acima de 32%”, acrescentou.

Quanto ao biodiesel, ele cita o exemplo da Indonésia, que já adota uma mistura de 40% e está considerando aumentar para 50%. “Outros países operam com 20%, então não há restrições significativas”, ressaltou.

A Posição Privilegiada do Brasil no Uso de Etanol

Em um contexto de alta nos preços do petróleo e nos derivados, que pressionam o abastecimento global de combustíveis fósseis, Plinio Nastari destaca a posição privilegiada do Brasil, que possui uma das mais altas taxas de substituição de gasolina por etanol do mundo.

“Até 2025, o Brasil conseguiu substituir 45,6% da gasolina por etanol, um índice que nenhum outro país alcançou. Nos Estados Unidos, essa taxa foi de 11,1%; no Paraguai, chegou a 25,8%; e na Índia, a 20%. Apenas o estado de São Paulo atingiu uma substituição de 58,7%, enquanto Mato Grosso obteve impressionantes 67%. Isso indica que não precisamos transportar combustíveis fósseis para o interior destes estados, dado que as refinarias e as importações estão concentradas na costa brasileira”, explicou.

De acordo com a Datagro, a substituição de gasolina pelo etanol permitiu evitar o consumo de 4 bilhões de barris de gasolina desde 1975 com a implementação do Pró-Álcool.

“As reservas totais de petróleo e condensados do Brasil somam 12,1 bilhões de barris. Isso significa que já substituímos, com etanol, cerca de um terço dessas reservas — precisamente o derivado mais caro, a gasolina”, observou Nastari.

Essa estratégia propiciou uma economia estimada em US$ 740 bilhões desde 1975, em valores atualizados, o que representa aproximadamente o dobro das reservas internacionais do país, que estão em torno de US$ 370 bilhões, segundo o especialista.

“Estamos em uma situação excepcional: enquanto diversos países enfrentam o risco de desabastecimento, seguimos avançando na substituição da gasolina pelo etanol”, ressaltou.

Flutuações nos Preços do Diesel e da Gasolina

No Brasil, a determinação do percentual de biocombustíveis nos combustíveis fósseis é uma competência do governo federal, fundamentada em decisões técnicas do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A fiscalização e regulamentação são realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Medidas Provisórias e Administração de Custos

Recentemente, o governo brasileiro está se mobilizando para aprovar uma Medida Provisória (MP) que estabelece uma subvenção de R$ 1,20 por litro para o diesel importado.

A proposta estipula que metade do custo da subvenção seja financiada pela União (equivalente a R$ 0,60) e a outra parte pelos estados.

Conforme relatado pelo Índice de Preços Edenred Ticket Log, o preço médio do diesel S-10 nos postos brasileiros aumentou 13,6%, alcançando R$ 7,10 por litro, em decorrência da intensificação dos conflitos no Oriente Médio.

De acordo com a Datagro, a defasagem do preço da gasolina nas refinarias, em comparação com a paridade de importação, é de 38%.

Preocupações com o Reajuste de Preços

“Não é por acaso que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a Agência de Proteção Ambiental (EPA) a permitir o uso de misturas de 15% em todo o país, mesmo durante o verão, uma vez que eles também estão enfrentando o impacto de preços elevados para a gasolina”, observou Nastari.

Quando questionado sobre a possibilidade de um aumento nos preços da gasolina pela Petrobras, Nastari fez um alerta significativo: “Em 2025, o Brasil importou 10% de seu consumo de gasolina, o que equivale a 3,47 bilhões de litros. Ao não realizar correções nos preços, existe o risco de inviabilizar as importações pelas distribuidoras, tornando a operação não competitiva. Isso pode levar a uma eventual escassez de abastecimento ou a importações a preços mais altos, o que, consequentemente, acaba sendo repassado ao consumidor, uma situação que já se observa em alguns mercados.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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