Setor Industrial Brasileiro Registra Recuo
O setor industrial brasileiro apresentou uma retração em fevereiro, marcando o décimo mês consecutivo de declínio, ainda que a velocidade desse processo tenha diminuído levemente. A pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI), divulgada na segunda-feira (2), revelou que, além da contínua contração, o país enfrentou a menor entrada de novos negócios em um período de cinco meses.
Desempenho do PMI
O PMI, elaborado pela S&P Global, subiu de 47,0 em janeiro para 47,3 em fevereiro, mas ainda permanecendo abaixo do indicador crítico de 50, que separa crescimento de contração. Essa mudança aponta para uma deterioração consistente do setor ao longo dos últimos meses.
Segmentação de Desempenho
No segmento de bens de capital, o desempenho foi o mais desfavorável do mês, enquanto os produtores de bens intermediários relataram uma forte deterioração nas condições. Em contraste, as condições operacionais entre os fabricantes de bens de consumo mostraram certa estabilização.
Redução da Produção
De acordo com o levantamento, as empresas reduziram a produção em fevereiro em resposta à diminuição da demanda. A queda de novos pedidos ocorreu na maior intensidade desde setembro do ano anterior.
As comunidades empresariais destacaram fatores como condições desfavoráveis de demanda, dificuldades no setor automotivo, forte concorrência e taxas de juros elevadas como principais empecilhos para as vendas.
Queda nas Encomendas Internacionais
As encomendas internacionais continuam a apresentar uma trajetória descendente, encolhendo pelo décimo primeiro mês consecutivo. Os respondentes da pesquisa apontaram uma queda acentuada nas vendas para mercados como Argentina, Europa e Estados Unidos.
Emprego e Expectativas Futuras
Apesar do contexto desafiador, houve um leve aumento no emprego em fevereiro. Algumas empresas, diante de equipes reduzidas, optaram por abrir novas vagas, em virtude da expectativa positiva com a possível aprovação de contratos pendentes e as projeções de que a Copa do Mundo, programada para junho e julho, pode impulsionar a demanda.
A Copa do Mundo foi citada como um fator que ajudou a manter um otimismo moderado no setor. Esse otimismo também está ligado ao aumento em publicidade, investimentos planejados e ao lançamento de novos produtos.
Nível de Confiança
Ainda assim, o nível de confiança entre os empresários recuou para a menor marca registrada nos últimos dez meses, impulsionado por preocupações com a concorrência e políticas públicas.
Pressões Inflacionárias
Em relação às pressões inflacionárias, tanto os custos de insumos quanto os preços de produção apresentaram um avanço. As empresas relataram o aumento mais acentuado de suas despesas operacionais em um período de sete meses, influenciado por tensões geopolíticas, especulações no mercado acionário e taxas de câmbio desfavoráveis, que impactaram os preços de eletrônicos, alimentos, metais e plásticos.
Os preços praticados pelos produtos brasileiros também mostraram uma alta, acelerando no nível mais intenso desde julho de 2025, resultante do repasse dos custos adicionais aos consumidores.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


