Por que a ação da Petrobras (PETR4) despenca quase 4% mesmo com a alta do petróleo?

Desempenho das Ações da Petrobras

As ações da Petrobras (PETR4) apresentaram uma queda de quase 4% no início da tarde desta sexta-feira, dia 20, o que representa um movimento contrário ao comportamento do mercado internacional de petróleo, que está em alta.

Por volta das 13h35, as ações ordinárias (PETR3) registravam uma baixa de 2,91%, enquanto as ações preferenciais (PETR4) apresentavam um recuo de 3,69%. O desempenho negativo da empresa estatal teve impacto sobre o Ibovespa, que se encontrava em queda de 1,85%, situando-se em 176.928,28 pontos.

Mercado Reage à Medida Provisória do Governo

A movimentação de baixa das ações foi acentuada pela publicação de uma Medida Provisória (MP) pelo governo federal, que estabelece a concessão de um subsídio ao diesel com o objetivo de atenuar os efeitos da alta das commodities no mercado global.

Esta medida foi oficializada na noite da quinta-feira, dia 19, e prevê a abertura de um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões destinado ao Ministério de Minas e Energia. O texto dispõe sobre o pagamento de uma subvenção econômica a produtores e importadores de óleo diesel que se registrarem junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O subsídio será concedido desde que o preço de comercialização do diesel seja igual ou inferior a um preço de referência estipulado, com validade que se estenderá até o fim de 2026 ou até que o montante bilionário seja esgotado. Além disso, o governo isentou os impostos federais PIS e Cofins que incidem sobre o combustível.

Impacto no Fluxo de Caixa e Riscos Operacionais

Instituições financeiras demonstraram uma reação cautelosa em relação à nova medida, apontando riscos que podem impactar a tese de investimento da estatal. O Goldman Sachs mencionou que a Petrobras pode enfrentar uma “assimetria” no mercado: para ter acesso ao subsídio de R$ 0,32 por litro, a empresa ficaria impedida de aumentar seus preços acima do nível de referência estabelecido.

Atualmente, a estatal mantém preços em torno de R$ 3,65 por litro, enquanto a paridade internacional estimada pelo banco é de R$ 6,00. Os analistas do Goldman Sachs projetam um impacto negativo de US$ 1,2 bilhão no fluxo de caixa livre (FCF) da Petrobras em 2026, caso a empresa decida seguir as regras do subsídio em detrimento dos reajustes que se fazem necessários.

Por sua vez, o Citi reforçou que as novas regras aumentam a incerteza, uma vez que não está claro como a empresa estatal irá equilibrar sua produção nacional com os volumes importados sob o novo teto de preços imposto pela medida.

Contraste com o Cenário Global

A desvalorização das ações da companhia petroleira ocorre em um período de forte valorização do petróleo no mercado externo. O barril de Brent subia 0,74%, sendo negociado a US$ 109,49, impulsionado por um agravamento das tensões no Oriente Médio, que envolve os Estados Unidos, Israel e Irã.

O mercado se mostra preocupado com a possibilidade de uma crise energética global, especialmente diante da possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz.

* Com informações do Seu Dinheiro

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Hapvida (HAPV3) registra queda de 95,8% no lucro do 2T26

Dow permanece estável enquanto Nasdaq e S&P avançam com inflação moderada nos EUA

Ultrapar (UGPA3) registra crescimento expressivo no lucro do 2º trimestre, alcançando R$ 1,7 bilhão

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais