Powell desmente previsões de cortes e reafirma a autonomia do Fed diante da pressão de Trump

Powell desmente previsões de cortes e reafirma a autonomia do Fed diante da pressão de Trump

by Ricardo Almeida
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Powell Reforça Estabilidade da Economia dos EUA

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em pronunciamento nesta quarta-feira, dia 28, minimizou as expectativas de cortes adicionais nas taxas de juros em um futuro próximo. Ele também destacou a importância da independência do banco central em um contexto de crescente pressão política, especialmente vinda do presidente Donald Trump.

Situação Atual da Economia

Após a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que optou por manter a taxa de juros inalterada, Powell mencionou que a economia dos Estados Unidos está entrando em 2026 com uma "base sólida". Segundo ele, essa situação é marcada por um crescimento consistente, uma taxa de desemprego que se mantêm de forma estável e uma inflação que ainda se apresenta em níveis elevados.

Conforme exposto por Powell, esses dados oferecem ao Fed a flexibilidade para aguardar e analisar os próximos indicadores econômicos antes de implementar qualquer mudança na política monetária. "Após três cortes recentes, estamos em uma posição favorável para tomar decisões reunião a reunião, fundamentadas nos dados disponíveis", afirmou, enfatizando que não há um cronograma fixo para possíveis novos afrouxamentos monetários.

Análise do Mercado de Trabalho

Durante a coletiva de imprensa, Powell reconheceu a desaceleração no mercado de trabalho, mas indicou sinais de estabilização que surgem após meses de movimentação em baixa. Ele destacou que a taxa de desemprego mantinha-se em 4,4% em dezembro e que houve pouca variação nos últimos meses. Em relação à criação de empregos, Powell registrou uma desaceleração, reduzindo a média a aproximadamente 22 mil novas vagas mensais. Essa desaceleração, segundo ele, reflete uma demanda mais fraca e uma diminuição na oferta de mão de obra, impactada pela diminuição na imigração e na participação da força trabalhadora.

Diagnóstico da Inflação

O presidente do Fed abordou também a questão da inflação, alertando que a alta dos preços ainda permanece acima da meta fixada de 2%. Ele atribuiu parte desse "excesso" a impactos ocasionados pelas tarifas sobre bens, descrevendo essa situação como um choque de preços "pontual", e não como um indício de demanda superaquecida. Powell expressou expectativa de que os efeitos tarifários atinjam seu ápice no meio do ano, desde que não ocorram novos aumentos significativos nas tarifas.

Enquanto isso, ele observou que o setor de serviços continua demonstrando desinflação, corroborando a ideia de que o processo de diminuição da inflação ainda está em andamento. O presidente do Fed também enfatizou que as expectativas de inflação de longo prazo permanecem "bem ancoradas", alinhadas com os objetivos do banco central.

Pressão Política e Independência do Fed

Durante a coletiva, Powell foi questionado sobre a situação política atual em Washington. Embora tenha se esquivado de comentar sobre a questão cambial, afirmando que isso é uma responsabilidade do Departamento do Tesouro, ele foi enfático ao abordar a autonomia do Fed. Powell sustentou que a independência da instituição não serve para proteger autoridades, mas sim para evitar que a política monetária seja manipulada para fins eleitorais. Ele enfatizou: "Se você perde isso, é difícil restaurar a credibilidade da instituição", reiterando que as decisões devem ser tomadas com base naquilo que é "melhor para todos" e não para favorecer grupos específicos.

Apreensões sobre o Quadro Fiscal

O presidente do Fed também se esquivou de comentários sobre sua permanência no cargo e sobre possíveis intimações. No entanto, admitiu a sua preocupação em relação ao cenário fiscal dos Estados Unidos. Powell mencionou que o orçamento federal está em uma trajetória que considera "insustentável", com déficits elevados mesmo em um cenário de pleno emprego. Ele defendeu que quanto mais cedo houver uma ação a respeito, melhor será para a economia americana.

Expectativas Futuras do Fed

Powell finalizou afirmando que o Fed continuará atento a ambos os lados de seu mandato, que envolve emprego e inflação. Qualquer novo corte nas taxas de juros dependerá de indícios mais claros de um enfraquecimento no mercado de trabalho ou da confirmação de que a inflação irá convergir novamente para a meta de 2% de forma sustentável.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, comentou que a decisão do FOMC de manter as taxas de juros entre 3,5% e 3,75% atendeu às expectativas amplamente precificadas no mercado. Contudo, a falta de unanimidade na votação sugere uma divisão no Fed entre aqueles que estão preocupados com a persistência do risco inflacionário e aqueles que buscam um "aterrissagem suave" contínua.

Considerações de Economistas

Por outro lado, Étore Sanches, economista-chefe da Ativa Investimentos, observou que as mudanças nas comunicações do FOMC foram "hawkish". A autoridade monetária reconheceu o avanço das atividades econômicas, a estabilização na deterioração do emprego e expressou a sua inquietação em relação à inflação elevada. "No final das contas, apesar da dissidência, avaliamos que o comunicado foi duro, o que, de certa forma, afasta a possibilidade de cortes de juros já na próxima reunião", completou Sanches.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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