O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, manifestou suas críticas em relação ao modo como o governo federal tem conduzido as discussões sobre a possível extinção da escala de trabalho 6×1. Em uma entrevista concedida à CNN Brasil nesta sexta-feira, 24 de fevereiro, Skaf caracterizou a abordagem do governo como sendo marcada pela falta de transparência.
De acordo com o presidente da Fiesp, o estado brasileiro não possui a estrutura financeira necessária para intervir em questões relacionadas ao trabalho. Ele afirmou: “O governo não tem nem estrutura, ele é um endividado para ficar falando em ajudar aqui ou ali. Esse paternalismo, a sociedade não precisa”.
Skaf sublinhou que, ao contrário do que é frequentemente argumentado, a escala de trabalho 6×1 é mais comum em grandes empresas do que em micro e pequenas. Ele enfatizou: “Ele deveria saber que a maior parte das empresas que têm 6×1 são as grandes empresas, não são as micro e pequenas empresas. Portanto, a discussão do governo não é transparente.”
Liberdade nas negociações
O presidente da Fiesp fez uma defesa pela ampliação da liberdade nas negociações trabalhistas, alertando que rigididades nas relações de trabalho podem resultar em um aumento da informalidade. Ele esclareceu: “Exatamente com esses engessamentos, o trabalhador acaba desejando fazer, mas como está engessado por lei, acaba entrando no campo da informalidade”.
Em sua argumentação, Skaf questionou a inserção de escalas de trabalho no texto da Constituição Federal. Ele indagou: “Em país nenhum do mundo, escalas de trabalho estão na Constituição Federal. Quero saber qual é o país no mundo em que a Constituição estabelece como devem trabalhar os setores e os trabalhadores”.
O presidente da Fiesp reforçou que o fundamento da reforma trabalhista deveria ser priorizar o diálogo e a negociação em lugar da rigidez legislativa. “O princípio da reforma trabalhista é deixar de legislar tanto e passar a negociar mais. O que se pretende é que o que foi negociado substitua o que está legislado. O que estamos fazendo é engessar até a escala de trabalho. É um absurdo”, finalizou.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

