Depoimento de Gilberto Waller Junior na CPMI do INSS
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Junior, negou ter se reunido com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmando que algo parecia suspeito em relação aos contratos de crédito consignado relacionados ao banco. Esta declaração ocorreu durante seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Reuniões e Contratos
Waller Júnior esclareceu que Daniel Vorcaro nunca esteve presente no INSS. Ele mencionou que não houve uma reunião entre os dois e detalhou que o instituto realizou encontros com representantes e advogados do Banco Master nos dias 31 de outubro e 10 de novembro do ano passado.
Durante essas reuniões, foi discutido um termo de compromisso para corrigir as irregularidades existentes. Segundo Waller Júnior, ao solicitar a visualização dos contratos, ficou claro que eles apresentavam falhas significativas. “Quando mostramos os contratos, percebemos que não continham os elementos essenciais para o controle, pois estavam ausentes informações como o valor emprestado, taxas de juros e o custo efetivo. Além disso, a assinatura eletrônica dos segurados não possuía um QR Code que pudesse assegurar a autenticidade da assinatura. Diante disso, concluímos que não poderíamos assinar o termo de compromisso”, explicou.
Irregularidades no Banco Master
O processo administrativo do INSS, datado de novembro de 2025, analisou a regularidade do acordo de cooperação técnica (ACT) com o Banco Master e revelou que a instituição não apresentou mais de 250 mil documentos que comprovariam os contratos de crédito consignado firmados.
Dados obtidos pelo Estadão através da Lei de Acesso à Informação indicam que, até novembro de 2022, o Banco Master possuía apenas um contrato de crédito consignado vinculado a beneficiários do INSS, embora o ACT tenha sido firmado em 2020.
Medidas em Defesa dos Beneficiários
O presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, ressaltou que a preocupação com aposentados e pensionistas, uma determinação do presidente da República, era implementar uma revisão cuidadosa das operações: “A orientação foi: ‘passe o pente-fino’. A partir disso, foi evidente que havia algo incorreto relacionado ao Banco Master. Não podíamos permitir que continuassem prestando serviços a nossos aposentados e pensionistas com esse elevado número de reclamações”, afirmou durante sua participação na CPI.
O senador Carlos Viana, presidente da CPI do INSS, convocou Waller Júnior a prestar esclarecimentos sobre as medidas adotadas desde sua nomeação. O objetivo é avaliar a eficácia dos controles internos implementados e identificar possíveis responsabilidades administrativas dentro da gestão atual.
“A presença do presidente do INSS é essencial para assegurar transparência e fornecer informações oficiais à comissão, além de colaborar com as investigações sobre práticas que podem prejudicar tanto os beneficiários quanto o erário público”, enfatizou Viana.
Afastamento da Diretora de Tecnologia da Informação
Gilberto Waller Junior confirmou que havia solicitado o afastamento de Léa Bressy, diretora de Tecnologia da Informação, a qual o havia substituído durante suas ausências. Em seu depoimento na CPI, Waller justificou o pedido alegando a necessidade de mudança, assim como o fato de que Bressy não havia apresentado os resultados esperados.
O documento de afastamento, classificado como sigiloso, foi dirigido ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em novembro passado. Contudo, o ministro afirmou que não faria a exoneração.
Suspeitas e Comentários
Dentro dos bastidores, circulam comentários indicando que Léa Bressy poderia ter vínculos com o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que foi preso pela Polícia Federal em novembro sob suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas a descontos de aposentadorias e pensões. O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar, questionou Waller Júnior sobre a possibilidade de suspeitas a respeito de Bressy. O presidente do INSS respondeu: “Não possuo provas, mas o que se comenta é que ela foi nomeada por ele devido à proximidade”.
Em dezembro, o Estadão informou que Wolney Queiroz tinha a intenção de efetuar a nomeação de Léa Bressy Amorim para liderar o INSS. Em resposta, Gaspar disse a Waller Júnior: “O senhor não possui mais autonomia para realizar essa exoneração”.
Fonte: www.moneytimes.com.br


