Três petroleiros sauditas atravessam o Estreito de Ormuz
Na quinta-feira, dia 18, três petroleiros de bandeira saudita, transportando um total de 6 milhões de barris de petróleo, cruzaram o Estreito de Ormuz. Este movimento ocorreu poucas horas após a assinatura de um acordo entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Irã, com o objetivo de pôr fim a uma guerra que tem afetado o fornecimento global de energia.
A situação humanitária no Líbano
Enquanto isso, no Líbano, onde mais de um milhão de pessoas se encontram deslocadas devido aos conflitos, novas ações militares foram realizadas. Na manhã de quinta-feira, as forças israelenses lançaram ataques aéreos, gerando incertezas sobre a disposição de Trump em influenciar seus aliados para encerrar as ofensivas que pretende finalizar.
Acordo de paz entre EUA e Irã
Trump firmou, na quarta-feira, um “memorando de entendimento” com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, para encerrar a guerra. O acordo foi antecipado em dois dias e estipula a abertura imediata do Estreito de Ormuz, além da suspensão do bloqueio imposto pelos EUA aos portos iranianos.
Embora os operadores de transporte marítimo alertem que levará algum tempo para que o tráfego na região retorne aos níveis anteriores ao conflito — considerando a necessidade de garantir a segurança do acesso e a remoção de minas —, já existem indícios de um impacto positivo imediato. Navios que antes ocultavam suas localizações desligando seus transponders passaram a transmitir suas posições, mostrando-se prontos para atravessar o estreito.
Impacto nos preços do petróleo
Os preços de referência dos futuros do petróleo Brent caíram mais 2%, alcançando um patamar abaixo de US$ 78 por barril, o que representa o menor valor registrado desde o início dos ataques.
O acordo entre os EUA e o Irã inicia um período de negociações de 60 dias para a concretização de um tratado definitivo para o conflito, que teve início em fevereiro, quando Trump se juntou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Exclusão de Israel das negociações
A partir do memorando, o Líbano se tornou uma questão central, mas Israel, que lançou uma invasão ao território libanês em março e conquistou uma extensa área do sul em busca de militantes do Hezbollah, foi excluído das discussões. O Irã sempre argumentou que qualquer proposta de paz deve incluir também o Líbano. Em uma concessão significativa ao Irã, o memorando assinado por Trump estipula claramente um “fim definitivo” à guerra no Líbano e a garantia da “integridade territorial e soberania” do país.
Tensões entre EUA e Israel
Com a questão libanesa sendo uma das mais delicadas nos esforços de paz, recentemente, Trump passou a criticar publicamente as operações de Israel no Líbano, acusando o país de causar destruições desnecessárias em sua tentativa de atingir os combatentes do Hezbollah.
Duas autoridades israelenses, incluindo uma figura de alto escalão próxima a Netanyahu, informaram à Reuters que Israel mantém negociações com Washington, enquanto busca a continuidade de seu destacamento militar no sul do Líbano.
Intensificação dos combates
Ainda que os combates no Líbano tenham diminuído no início daquela semana, quando Trump anunciou a conclusão do acordo, a escalada de hostilidades se intensificou nos dias subsequentes, continuando até a manhã de quinta-feira, após a assinatura do pacto. A mídia estatal libanesa reportou ataques aéreos e disparos de artilharia atingindo cidades do sul, resultando na morte de pelo menos uma pessoa em um veículo. Reportagens da Reuters também relataram a presença de drones israelenses sobrevoando Beirute e seus subúrbios ao sul.
Balanço de descontentamento no Líbano
Mohammed Doghman, um libanês deslocado da cidade de Nabatieh, que atualmente reside em Beirute, expressou sua insegurança sobre o futuro: “O Irã e os norte-americanos chegaram a um acordo. Tudo bem. No Líbano, ainda não acabou,” disse, enquanto observava as notícias em seu celular. “Eles deveriam nos dar uma resposta definitiva: a guerra acabou de vez ou vamos voltar a ela novamente?”
Fonte: www.moneytimes.com.br