Professora ressalta que juros em investimentos e empréstimos intensificam a desigualdade

Professora ressalta que juros em investimentos e empréstimos intensificam a desigualdade

by Fernanda Lima
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Aumento da Renda Média e Desigualdade Social

A renda média do brasileiro atingiu um novo recorde, mas a desigualdade continua a crescer, conforme revelam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com Carla Beni, professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), a atual estrutura de juros no Brasil é um dos principais fatores que agravam essa disparidade social.

Desempenho da Renda Média

Em entrevista ao programa Agora CNN, transmitido no último sábado (9), Beni detalhou que a renda média de R$ 3.367 refere-se à soma de todas as fontes de rendimento, incluindo trabalho, aposentadorias, benefícios sociais, aluguéis, pensões e rendimentos de aplicações financeiras.

Segundo a professora, houve um aumento na renda, independentemente da classe social, mas a diferença entre ricos e pobres permanece significativa. Estes dados sugerem que a sociedade brasileira pode ser dividida em dois grupos distintos: aqueles que gastam mais do que ganham e aqueles que mantêm gastos inferiores aos seus ganhos.

Impacto na Desigualdade

Beni esclarece que o segundo grupo, que possui uma sobra de renda, tende a investir essa sobra no mercado financeiro. Com a taxa Selic mantida em dois dígitos por um período de quatro anos, esses indivíduos recebem rendimentos substanciais, potencializados ainda mais pelo efeito dos juros compostos.

Ela acrescenta que essa situação acentua a desigualdade existente no país. Segundo sua análise, quem precisa de um empréstimo acaba pagando juros muito altos, enquanto aqueles que possuem aplicações financeiras conseguem rendimentos que superam o que seria considerado adequado, beneficiando-se tanto da taxa quanto dos juros compostos.

Fatores Contribuintes para a Desigualdade

Além da estrutura de juros, Beni destaca que o nível de instrução é um fator determinante para a desigualdade. Conforme dados apresentados, um trabalhador que possui ensino superior completo recebe, em média, R$ 6.947, enquanto um trabalhador sem instrução alcança, em média, R$ 1.518.

A professora também cita a inflação de bens essenciais, como alimentos, que tem um impacto desproporcional nas famílias de baixa renda. O aumento do endividamento relacionado a jogos e apostas é outra preocupação: “As pessoas estão, literalmente, comprando menos comida devido a dívidas com jogos”, alertou Beni.

Benefícios Sociais e Mercado de Trabalho

Sobre os benefícios sociais, Beni enfatizou que mais de 60% dos empregos criados no ano passado foram ocupados por beneficiários do Bolsa Família, evidenciando que receber o benefício não impede a inclusão dos trabalhadores no mercado formal de trabalho.

No que diz respeito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), a professora observou um crescimento superior ao esperado. Esse aumento é atribuído tanto à inclusão de novas condições de saúde que agora são elegíveis para o benefício quanto ao número significativo de ações judiciais que garantiram acesso ao BPC a um número crescente de pessoas.

Desigualdade Regional

Quando questionada sobre as diferenças de renda entre as regiões do Brasil, Beni explicou que o desempenho destacado do Centro-Oeste se deve, essencialmente, ao Distrito Federal.

Ela observou que se analisarmos separadamente, o Distrito Federal apresenta uma renda média superior a R$ 4 mil, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul. Segundo ela, essa disparidade é resultado, principalmente, da presença de servidores públicos, novos concursos e contratações realizadas na região.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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