PT, PCdoB e PV protocolam nova ação no STF para contestar dosimetria favorável a Bolsonaro

Ação da Federação Brasil da Esperança

A Federação Brasil da Esperança, que é composta pelos partidos PT, PCdoB e PV, protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de declarar a inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria. Esta legislação reduz penas para aqueles condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disso, os partidos também solicitam que a Corte determine uma medida cautelar que impeça a aplicação da redução das penas.

Críticas à Lei da Dosimetria

O documento, que contém 76 páginas e foi primeiramente publicado pelo jornal O Globo, além de ser obtido pelo sistema de notícias em tempo real Broadcast Político (do Grupo Estado), argumenta que a dosimetria foi um mecanismo usado pelo Congresso Nacional com o intuito de atender a “grupos específicos”. Tal ação, segundo os partidos, representa um desvio de finalidade por parte do Legislativo.

A petição questiona: “É relevante investigar se a norma impugnada efetivamente buscou promover alteração geral e abstrata da política criminal ou se foi concebida para beneficiar situação específica e destinatários determinados”. Essa indagação reflete a preocupação dos partidos com a aplicação seletiva da lei.

Princípios Constitucionais Violados

De acordo com os partidos, a dosimetria viola diversos princípios constitucionais essenciais. Entre eles, destacam-se:

  • O princípio da individualização da pena;
  • A separação dos poderes;
  • A proibição de proteção deficiente e a vedação de retrocesso;
  • A isonomia;
  • A proporcionalidade;
  • A impessoalidade.

Essas alegações fundamentam a ideia de que a norma pode estar em desacordo com a Constituição e, por consequência, precisa ser revista.

Histórico das Ações no STF

Essa ação representa a terceira Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada ao STF em relação à dosimetria. As duas primeiras ADIs foram movidas pela Federação Psol-Rede e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em resposta a essas ações, o ministro Alexandre de Moraes, designado como relator, decidiu suspender a aplicação da lei no último sábado (9), até que a Suprema Corte analise a constitucionalidade da medida proposta.

Promulgação da Lei da Dosimetria

A suspensão decretada por Moraes ocorreu apenas dois dias após o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, promulgar a Lei da Dosimetria. Essa promulgação aconteceu após a derrubada do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao texto, realizada por ambas as Casas do Legislativo.

Na Câmara dos Deputados, a votação resultou em 318 votos contrários à decisão presidencial e 144 favoráveis. No Senado, 49 senadores votaram a favor da derrubada da medida de Lula, enquanto 24 optaram pela manutenção do veto.

Análise do Veto e Implicações

Durante a discussão no Congresso, foi analisado somente uma parte do veto, a qual foi interpretada como indicativa de que a dosimetria em vigor poderia anular aspectos da Lei Antifacção, que havia sido sancionada por Lula em março. Na ação apresentada ao STF, a federação alega que essa fracionamento das análises extrapolou as garantias constitucionais do Legislativo, resultando em um “vício formal insanável”.

A situação reflete uma divisão acentuada entre os diferentes segmentos políticos do país, além de evidenciar um debate jurídico complexo acerca da aplicação e interpretação de normas que visam regular as penas por crimes considerados graves. Essa discussão é fundamental para o entendimento da dinâmica política e judicial atual do Brasil.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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