Qual é a reação da Rússia à proposta de Trump sobre a Groenlândia?

Qual é a reação da Rússia à proposta de Trump sobre a Groenlândia?

by Patrícia Moreira
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Recepção de Putin em Base Militar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Joint Base Elmendorf-Richardson em 15 de agosto de 2025, em Anchorage, Alasca.

Fonte: Contributor | Getty Images News | Getty Images

Alegações sobre a Dinâmica em Groenlândia

Quando Donald Trump mencionou que os Estados Unidos precisavam assumir o controle da Groenlândia por motivo de segurança nacional, destacando que navios chineses e russos estavam “por toda parte” na região do Ártico, suas declarações geraram críticas imediatas de Pequim.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, respondeu na segunda-feira, acusando Washington de “usar a chamada ‘ameaça chinesa’ como um pretexto para buscar ganhos egoístas.”

Por outro lado, a Rússia se manteve notavelmente silenciosa em relação às ambições de Trump quanto à Groenlândia e sua ameaça de usar força militar para apreender a ilha no Ártico, caso fosse necessário.

A ausência de uma resposta do Kremlin sobre a questão da Groenlândia pode ser parcialmente atribuída ao período de férias na Rússia, onde os cristãos ortodoxos comemoram o Natal em 7 de janeiro. Além disso, a liderança russa ainda não comentou sobre a captura do aliado russo Nicolas Maduro, líder da Venezuela, que ocorreu no último fim de semana.

O ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado criticando as “ações agressivas” dos EUA na Venezuela e a apreensão de um petroleiro recém-bandeado pela Rússia no Atlântico na quarta-feira. Contudo, permanece em silêncio em relação à Groenlândia, um território semi-autônomo que pertence à Dinamarca.

A Rússia, de fato, tem motivos mais significativos do que a China para se manifestar sobre uma possível “nova aquisição” dos EUA de uma entidade gigante do Ártico como a Groenlândia, tendo em vista seu foco intenso nos interesses geoestratégicos em ascensão e rivalidade na região do Ártico nos últimos anos.

Interesses Estratégicos da Rússia no Ártico

A Rússia é, de longe, a maior nação ártica, abrangendo 53% da costa do Oceano Ártico, e possui interesses geopolíticos, estratégicos e socioeconômicos de longa data na região. O Ártico é um motor estratégico de empregos, investimentos e crescimento para a economia russa, com indústrias de petróleo, gás e extração mineral localizadas lá, além de pesqueiros, infraestrutura e logística de transporte, especialmente relacionadas à Rota do Mar do Norte — uma importante via de transporte marítimo do Ártico entre a Europa e a Ásia.

Ademais, a Rússia mantém seu sistema de dissuasão nuclear marítima no Ártico e possui várias bases militares e aeródromos na área, além de uma frota especializada de quebra-gelos para facilitar o comércio, o transporte e a extração de recursos nesse território.

Divisão da OTAN e Interesses de Moscou

Os interesses da Rússia no Ártico podem ser impactados pela fixação dos Estados Unidos na Groenlândia, particularmente em relação a qualquer movimento para tomar a ilha à força. No entanto, analistas afirmaram à CNBC que Moscou está mais interessada em ver a realização de seu objetivo final — a destruição da OTAN.

Jamie Shea, ex-subsecretário-geral adjunto para desafios emergentes de segurança da OTAN, declarou à CNBC na quarta-feira que “a participação russa na Groenlândia é pequena”.

Ele acrescentou que “os EUA teriam uma presença maior no Atlântico Norte [se aumentassem sua presença na Groenlândia], mas a OTAN já está restringindo o que a Rússia pode fazer no Alto Norte, com o Canadá, Dinamarca, Noruega e Reino Unido aumentando suas capacidades e presença militar na região, e Suécia e Finlândia se juntando à OTAN. Portanto, não mudaria muito para a Rússia estrategicamente.”

Divisões e Crises Transatlânticas

Putin ficaria “encantado em ver mais divisões e incoerências na OTAN e uma enorme crise transatlântica que poderia levar os EUA a interromper seu apoio à Ucrânia e retirar tropas americanas da Europa”, observou o analista.

Se os Estados Unidos estivessem “ocupados no Hemisfério Ocidental”, isso, em última análise, daria à Rússia mais espaço para aumentar sua influência na África, no Oriente Médio, na Ásia Central e na Europa. Portanto, em termos gerais, isso seria uma enorme vitória para Putin, da qual ele não pagaria nenhum preço”, acrescentou.

Impacto da Ameaça Militar de Trump

A renovada proposta de Trump sobre a Groenlândia, assim como a ameaça de utilizar força militar, se espalhou por toda a OTAN e seus estados membros na Europa nesta semana.

Tanto a Groenlândia quanto a Dinamarca informaram repetidamente a Trump que a ilha não está à venda e que qualquer ação militar para tomá-la significaria o fim da aliança da OTAN.

Líderes europeus também se opuseram a Trump, afirmando que “cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a eles, decidir as questões relativas a Dinamarca e Groenlândia”.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve se encontrar com autoridades dinamarquesas na próxima semana.

Repercussões Políticas e Consequências

A evidente preocupação entre os líderes europeus, assim como a crescente possibilidade de dissolução da OTAN, são “um presente absoluto para Putin”, afirmou Edward R. Arnold, pesquisador sênior do RUSI, à CNBC.

“Putin sempre soube, assim como os líderes soviéticos antes dele, que a Rússia não pode derrotar a OTAN militarmente. É poderosa demais, então precisa derrotar a OTAN politicamente, o que é basicamente tornar o Artigo Cinco vazio [e] tentar afastar os EUA dos interesses europeus a ponto de expor isso”, acrescentou.

Se a anexação da Groenlândia se tornar uma perspectiva mais realista, “a OTAN efetivamente vai se autodestruir politicamente”, finalizou Arnold.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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