Queda nos Preços do Petróleo Após Retorno das Exportações do Iraque pela Turquia

Queda nos Preços do Petróleo Após Retorno das Exportações do Iraque pela Turquia

by Ricardo Almeida
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Preços do Petróleo Caem Após Acordo Entre Iraque e Turquia

Os preços do petróleo apresentaram uma queda na manhã de hoje, impulsionados pelo anúncio de um acordo entre o Iraque e a Turquia, que ajudou a mitigar as preocupações relacionadas ao abastecimento devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz.

Desempenho dos Contratos Futuros

Às 08h17 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent, considerado a referência global, registraram uma alta de 0,31%, alcançando a marca de US$ 103,74 por barril, após uma breve queda abaixo de US$ 100 mais cedo. Em contrapartida, os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos para o mês de abril caíram 1,5%, fixando-se em US$ 94,74 por barril.

Detalhes do Acordo

Essa queda nos preços segue o anúncio feito pelas autoridades iraquianas, informando que parte das suas exportações de petróleo bruto novamente será transportada por oleoduto até um porto na Turquia. Essa medida, possibilitada por um entendimento com as autoridades do Curdistão iraquiano, permitirá que os carregamentos evitem passar pelo Estreito de Ormuz.

Em um comunicado, a empresa estatal responsável pelos campos petrolíferos do norte do Iraque confirmou que “as operações na estação de bombeamento de Sarlo começaram, permitindo a retomada do bombeio e exportação de petróleo de Kirkuk para o porto turco de Ceyhan, com uma capacidade inicial de exportação de 250.000 barris por dia”.

O Ministério dos Recursos Naturais da Região do Curdistão também confirmou que as operações tiveram início às 6h30, horário local (4h30 GMT), para realizar a exportação de petróleo “através do oleoduto do Curdistão até o porto turco de Ceyhan”.

Contexto do Conflito

Desde o início da guerra no Oriente Médio, ocorrido em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e dos EUA contra o Irã, o Iraque, um dos membros fundadores da OPEP, suspendeu completamente suas exportações de petróleo, que normalmente giram em torno de 3,5 milhões de barris diários. As autoridades buscavam alternativas ao Estreito de Ormuz, já que o Irã havia praticamente inviabilizado a passagem.

Entretanto, conforme estimativas mencionadas pela Bloomberg, a reabertura do oleoduto poderá restabelecer apenas parcialmente os volumes de exportação em comparação aos níveis anteriores ao início do conflito.

Apoio dos Emirados Árabes Unidos

Há também relatos de que os Emirados Árabes Unidos poderiam auxiliar os Estados Unidos em operações marítimas no Estreito de Ormuz, potencialmente se tornando o primeiro país a responder positivamente ao pedido de Donald Trump por apoio internacional na garantia da segurança desta rota de navegação estratégica.

Dados dos Estoques de Petróleo nos EUA

Outros fatores que influenciaram os mercados de petróleo foram os dados sobre os estoques de petróleo bruto nos EUA, divulgados na noite anterior, que mostraram um aumento maior do que o esperado. Segundo o Instituto Americano de Petróleo (API), os estoques aumentaram em 6,60 milhões de barris na semana passada, enquanto analistas previam uma diminuição de cerca de 0,6 milhão de barris.

Os dados do API geralmente fornecem uma prévia dos números oficiais de estoque dos EUA, que serão divulgados hoje às 15h30 CET (Horário da Europa Central).

Expectativas para o Preço do Petróleo

Apesar da queda nos preços, analistas do OCBC acreditam que o petróleo deve manter-se acima de US$ 100 por barril no curto prazo, refletindo a ausência de sinais claros de desescalada nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã.

Conforme as projeções do banco, a faixa de US$ 100 poderá se estabilizar até meados de 2026, um patamar significativamente acima da previsão anterior de US$ 70, antes de recuar para cerca de US$ 79 por barril no início de 2027.

Os analistas do OCBC destacam que o conflito já se estende por três semanas, sem progresso diplomático visível, o que resulta em restrições significativas à navegação pelo Estreito de Ormuz, gerando pressão sobre os mercados globais de petróleo.

Riscos Associados à Produção

A interrupção contínua do transporte marítimo pode levar os produtores do Golfo a paralisações na produção, aumentando a probabilidade de que interrupções temporárias se tornem perdas permanentes no fornecimento, conforme declarado por analistas de commodities do OCBC.

O banco também mencionou que medidas de mitigação, como rotas alternativas para oleodutos e liberações de reservas estratégicas, poderiam compensar até 10 milhões de barris por dia. Contudo, uma interrupção prolongada ainda deixaria uma lacuna importante no fornecimento global.

Cenário do Mercado de Petróleo

O OCBC advertiu que o mercado de petróleo pode estar se aproximando de um cenário de choque de oferta “moderadamente severo”, com riscos crescentes para aumentos de preços adicionais caso as tensões permaneçam elevadas.

Projeções de Diferentes Instituições

Várias instituições financeiras revisaram suas previsões para os preços do petróleo, impulsionadas pela continuidade das tensões em torno do Estreito de Ormuz.

O Barclays, por exemplo, prevê que o preço do petróleo Brent terá uma média de cerca de US$ 85 por barril em 2026, considerando que a navegação pelo estreito volte à normalidade em um período de duas a três semanas. Se as interrupções se estenderem entre quatro e seis semanas, os preços poderão se aproximar de US$ 100 por barril. O ANZ também alterou sua projeção para o primeiro trimestre de 2026, elevando-a de US$ 90 para US$ 100.

O Goldman Sachs estabelece a expectativa de que o preço médio do Brent seja de US$ 75 nos próximos três meses e de US$ 71 nos próximos doze meses. A BMI prevê uma média de US$ 67 no terceiro trimestre de 2026 e de US$ 69 no quarto trimestre.

O Citigroup estima que o Brent terá uma média de US$ 75 no primeiro trimestre de 2026, US$ 78 no segundo e US$ 68 no terceiro. O Bank of America aposta em uma média de aproximadamente US$ 80 no segundo trimestre de 2026, antes de os preços caírem para cerca de US$ 65 em 2027, quando os excedentes de oferta devem retornar ao mercado.

O HSBC também revisou suas previsões para cima, projetando que os preços do Brent ficariam em torno de US$ 80 em 2026. O UBS, por sua vez, alertou que uma interrupção prolongada nos embarques pelo Estreito de Ormuz poderia elevar os preços do Brent para acima de US$ 100 por barril, com níveis superiores a US$ 120 potencialmente resultando em uma queda significativa na demanda.

Em um cenário mais severo, a Macquarie estima que, caso o Estreito fosse fechado por várias semanas, os preços do petróleo bruto poderiam subir para 150 dólares por barril ou até superar essa marca.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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