Volatilidade do Mercado de Ações
A recente instabilidade nas bolsas de valores ocorre em meio a um conflito dos Estados Unidos com o Irã, gerando um estado de apreensão entre os investidores.
É importante destacar que a volatilidade é uma característica comum do mercado de ações. Na verdade, quedas de 1%, 2% ou mais em um único dia — que, embora possam gerar desconforto no momento, acontecem com mais frequência do que se pode imaginar.
Um exemplo disso é o índice da bolsa americana S&P 500, que registrou quedas de 1% ou mais em 1.001 dias nos últimos 30 anos, ou cerca de 33 dias por ano, em média, conforme análise de dados de mercado realizada pela Morningstar Direct desde 1996.
Durante o mesmo intervalo, o índice caiu pelo menos 2% em 313 dias, conforme os dados da Morningstar. Essa média equivale a cerca de 10 dias por ano.
“Isso acontece quase uma vez por mês”, disse Charlie Fitzgerald III, um planejador financeiro certificado baseado em Orlando, referindo-se aos números apresentados.
“Essas pequenas oscilações são comuns”, afirmou Fitzgerald, que é membro fundador da Moisand Fitzgerald Tamayo, empresa classificada como a 69ª na lista dos 100 melhores consultores financeiros da CNBC em 2025.
“Isso é o que os mercados de ações fazem, e é assim que têm funcionado há 100 anos”, acrescentou.
Impactos de Conflitos Geopolíticos
Os investidores presenciaram uma queda similar recentemente, enquanto avaliavam as implicações de um possível conflito mais amplo no Oriente Médio e o que isso poderia significar para os preços do petróleo e para as economias dos Estados Unidos e do mundo. Por exemplo, na terça-feira, o S&P 500 fechou com queda de 1%, e, em determinado momento do dia, chegou a cair cerca de 2%.
“Este é um típico choque geopolítico”, comentou Fitzgerald.
Os mercados financeiros tendem a adotar uma mentalidade de “atirar primeiro e perguntar depois” ao interpretar as manchetes relacionadas a esses conflitos, afirmou Scott Wren, estrategista sênior de mercado global do Wells Fargo Investment Institute, em um comentário de mercado na quarta-feira.
“Acreditamos que os investidores precisam manter a calma, olhar além das manchetes e aderir a um plano bem estruturado”, escreveu Wren. “Uma carteira diversificada é uma chave fundamental para esse plano.”
Tendências de Longo Prazo
Em um único dia no início da pandemia de Covid-19 — em 16 de março de 2020 — o S&P 500 desabou cerca de 12%. Ao longo do período entre 19 de fevereiro de 2020 e o mínimo do mercado em 23 de março, as ações sofreram uma queda aproximada de 34%. Contudo, as ações se recuperaram rapidamente e voltaram aos seus antigos patamares até agosto — a recuperação mais rápida de sua história.
Mais recentemente, após o anúncio do ex-presidente Donald Trump sobre tarifas referidas como “dia da libertação”, o índice S&P 500 caiu quase 5% em 3 de abril de 2025 — seu pior desempenho desde junho de 2020. O mercado perdeu cerca de 12% entre 2 e 8 de abril, mas se recuperou integralmente até o início de maio, apenas um mês depois.
Desde 1996, houve 21 dias em que o S&P 500 caiu 5% ou mais, conforme a pesquisa feita pela Morningstar, o que representa uma diminuição diária desse tamanho a cada um ano e meio, em média.
Retorno do Investimento no Longo Prazo
Apesar da frequência das quedas acentuadas no mercado de ações, o S&P 500 teve um crescimento médio diário de 0,03% ao longo dos últimos 30 anos, resultando em um retorno anual típico superior a 10%, de acordo com a Morningstar.
Com isso, um investimento de $10.000 no S&P 500 no início de 1996 teria crescido para aproximadamente $192.000, conforme os dados da Morningstar disponibilizados até quarta-feira.
“Choques de curto prazo são difíceis de prever e frequentemente seguidos por recuperações”, afirmou Amy Arnott, estrategista de portfólio da Morningstar.
“Investidores se beneficiam ao se concentrar em uma alocação de ativos sólida e de longo prazo, mantendo a disciplina, em vez de se deixarem desviar por eventos externos”, concluiu Arnott.
Rebalanceamento em Tempos de Queda
Quando o mercado experimenta uma queda considerável em um curto intervalo de tempo, seja de 5% a 10% ou até mais, os investidores podem se aproveitar dessa situação por meio do rebalanceamento, afirmou Fitzgerald.
Por exemplo, se sua relação alvo entre ações e títulos é de 65% em ações e 35% em títulos, essa proporção pode cair para 50% em ações e 50% em títulos caso as ações experimentem uma desvalorização acentuada, explicou ele. Os investidores podem vender alguns títulos e utilizar os recursos obtidos para comprar ações, voltando assim à sua proporção desejada.
Esse comportamento força os investidores a adquirir ações quando os preços estão mais baixos, segundo Fitzgerald. Assim, quando as ações se recuperam, eles podem rebalancear na direção oposta.
Fonte: www.cnbc.com

