Atualização sobre Ali Khamenei após ataques
Após os ataques contra o Irã no último sábado (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a ofensiva visa proteger os cidadãos norte-americanos de ameaças provenientes do governo iraniano.
Segundo a comunicação oficial de Israel, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian estavam entre os alvos da operação militar. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as principais autoridades do país sobreviveram aos ataques. “Todos os altos funcionários estão vivos”, declarou o chanceler de Teerã. Ele adiantou ainda que o líder supremo, Ali Khamenei, também está vivo, reiterando: “Khamenei está vivo, até onde sei”.
Quem é Ali Khamenei, líder supremo do Irã
Ali Khamenei, de 86 anos, é a figura mais poderosa do Irã e o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio, ocupando a posição de líder supremo há 35 anos. Ele acumula em suas mãos o poder político, militar e religioso do país, exercendo funções como comandante-chefe das Forças Armadas, além de ser a autoridade máxima na formulação de políticas públicas.
Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, Khamenei deu início a seus estudos religiosos e políticos na década de 1960, na cidade de Qom, que é o centro do islamismo xiita. Durante esse período, ele se aproximou do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora ao regime do xá Mohammad Reza Pahlavi.
Khamenei engajou-se em diversas missões políticas e religiosas dentro do território iraniano, além de estudar teologia e traduzir obras de pensadores islâmicos, como Sayyid Qutb, o que contribuiu para uma visão crítica de Ocidente e colonialismo.
Ascensão política
Após sua participação nos protestos de 1978, que culminaram na Revolução Iraniana de 1979, Khamenei consolidou-se como aliado próximo de Khomeini. Em 1980, ele foi escolhido como imã da oração de sexta-feira em Teerã, uma posição de relevante influência política.
Em 1981, ele sobreviveu a um atentado a bomba que resultou em danos permanentes a seu braço direito. Quatro meses depois do ataque, aos 42 anos, foi eleito presidente do Irã, tornando-se o primeiro clérigo a exercer essa função. Ele foi reeleito em 1985 e permaneceu no cargo até 1989.
Com a morte de Khomeini em 1989, Khamenei foi escolhido pela Assembleia dos Peritos como seu sucessor na liderança suprema. Naquele momento, ele não possuía o grau de marja, que era exigido pela Constituição, sendo necessária uma alteração legal para que pudesse ser empossado. Desde então, ele consolidou seu controle político no Irã, instituindo estruturas paralelas à administração estatal, como a Guarda Revolucionária (IRGC), uma força militar de elite que atua em operações internas e externas, garantindo autonomia e poder sobre setores estratégicos do país.
Consolidação do poder e repressão
Sob a liderança de Khamenei, o regime iraniano foi estruturado para anular opositores e assegurar sua influência sobre diversas esferas de governo. O governo tem reprimido protestos e movimentos sociais, além de censurar jornalistas e intelectuais que contestem o regime, mantenho uma postura firme contra desvios dos costumes islâmicos.
Em 2022, as manifestações em resposta à morte da jovem Mahsa Amini, que ocorreu sob custódia da polícia moral, resultaram em mais de 500 mortes, conforme relato de organizações de direitos humanos.
Política externa e o Eixo da Resistência
No campo internacional, Khamenei é o arquétipo do chamado Eixo da Resistência, que compreende grupos como Hezbollah (no Líbano), Hamas (na Faixa de Gaza) e os houthis (no Iémen). Esses grupos atuam como intermediários do Irã em conflitos regionais, enfrentando Israel e promovendo a influência iraniana no Oriente Médio. Apesar de enfrentar desafios recentes, Khamenei continua a oferecer apoio estratégico e financeiro a essas organizações.
Estrutura de poder no Irã
O sistema político iraniano é caracterizado por uma concentração de autoridade máxima nas mãos do líder supremo, enquanto o cargo de presidente possui limitações significativas de poder. As instituições-chave que compõem essa estrutura incluem:
- Conselho dos Guardiães: responsável por avaliar e ratificar leis, com a autoridade para vetar projetos que não estejam em conformidade com a lei islâmica.
- Guarda Revolucionária (IRGC): uma força militar elitista, que opera paralelamente ao governo regular e está subordinada diretamente ao líder supremo.
Fonte: www.moneytimes.com.br

