Cumprimento de Mandados pela Polícia Federal
A Polícia Federal realizou, na manhã desta quinta-feira (18), operações de busca e apreensão contra o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero. O principal alvo desta fase da operação é o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Mandados Cumpridos
No total, foram executados 18 mandados de busca e apreensão em diferentes localidades, incluindo a Bahia, São Paulo e o Distrito Federal, todos com ordens emitidas pelo Supremo Tribunal Federal. As investigações estão investigando a participação de um agente público em um esquema de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o qual está ligado a instituições do sistema financeiro nacional.
Histórico de Augusto Lima
Augusto Lima foi preso preventivamente em novembro de 2022, na fase inicial da Operação Compliance Zero. Desde julho de 2025, ele é indicado como controlador do Banco Pleno e é visto pela Polícia Federal como uma figura central na rede de relações entre o Banco Master e membros do governo.
Quebra de Sigilo Bancário
Um requerimento da CPMI do INSS solicitou a quebra de sigilo bancário de Lima. Nesse contexto, o Credcesta, um produto desenvolvido pela instituição, se transformou em um instrumento de crédito consignado que passou a ser negociado por fundos de investimento e outras instituições financeiras. O documento aponta que uma parte significativa desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi comunicada às autoridades ou não possuía a estrutura adequada para operá-los dentro das normas vigentes.
Atuação no Banco Master
Augusto Lima também exerceu a função de CEO do Banco Master, tendo sido responsável por um crescimento de 70% no volume de clientes da instituição entre 2023 e 2024, atingindo um total de 5 milhões de clientes ativos distribuídos por 24 estados.
Relação com Daniel Vorcaro
A defesa de Lima, composta pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Sebástian Borges de Albuquerque Mello, afirmou em uma nota divulgada em novembro de 2025 que o empresário se desligou definitivamente das suas funções executivas no Banco Master em maio de 2024.
Entretanto, essa afirmação contradiz registros da agenda oficial do Banco Central, que indicam que Lima se reuniu pelo menos sete vezes com membros do board da autarquia na qualidade de CEO do Master, incluindo encontros com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em uma dessas ocasiões, em setembro, ele foi listado como diretor-presidente do Banco Pleno.
Encontros e Reuniões
Entre as reuniões documentadas, algumas ocorreram em agosto do ano anterior, pouco antes da oficialização da transferência de controle do então Banco Voiter para Lima. Além disso, houve uma videoconferência em setembro, na véspera da negativa do Banco Central quanto à compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Lima também foi parte de uma reunião entre Vorcaro e o presidente Lula ao final de 2024, e é acreditado que tenha articulado a contratação do ministro Ricardo Lewandowski como consultor jurídico do Banco Master, com a intermediação do senador Jaques Wagner.
Evolução do Banco Pleno
O Banco Pleno, atualmente conhecido, tem suas raízes datando de 1967, surgindo como uma corretora ligada ao extinto Banco Comind. Ao longo dos anos, a instituição passou por diversas fusões, que culminaram na formação do Banco Indusval, especializado em crédito para o agronegócio e empresas de médio porte.
Crises e Reestruturações
A instituição enfrentou várias crises de liquidez e mudanças no controle operacional, recebendo investimentos da gestora americana Warburg Pincus em 2011 e, posteriormente, do investidor Jair Ribeiro. Em 2019, após uma nova reestruturação, passou a se denominar Banco Voiter.
Em 2024, o Voiter foi adquirido pelo Banco Master, de Vorcaro. Um curto período depois, Lima se desvinculou da sociedade com o empresário e assumiu o controle da instituição, que então teve seu nome alterado para Banco Pleno após aprovação do Banco Central em julho de 2025.
Garantias e Situação de Liquidez
A autorização concedida para a transferência de controle levou em consideração o patrimônio pessoal de Lima, estimado em R$ 1 bilhão, como um tipo de garantia para enfrentar a crise de liquidez já identificada na instituição.
Liquidação do Banco Pleno
No dia 18 de fevereiro, um dia antes do novo mandado contra Lima, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Segundo a autarquia, a decisão foi motivada pela deterioração da situação de liquidez da instituição e pelo descumprimento de normas e diretrizes do próprio Banco Central.
Dados Financeiros
O conglomerado tinha uma participação reduzida no sistema financeiro nacional, representando cerca de 0,04% dos ativos totais do setor até setembro do ano anterior, correspondendo a aproximadamente R$ 7,6 bilhões. Em termos de captações, essa participação chegava a 0,05% do total, ou cerca de R$ 6,5 bilhões.
O Banco Central anunciou que as investigações relacionadas ao Banco Pleno seguem em andamento e podem resultar na aplicação de sanções administrativas, além do envio de informações a outras autoridades competentes. Com a liquidação, todos os bens dos controladores e administradores se tornaram indisponíveis.
Fonte: timesbrasil.com.br