Raízen (RAIZ4) apresenta plano de recuperação focado em detentores de debêntures e CRAs.

Minuta do Plano de Recuperação Extrajudicial da Raízen

A Raízen (RAIZ4) divulgou uma minuta do seu plano de recuperação extrajudicial (RE), que será apresentado para deliberação em uma assembleia de titulares de debêntures emitidas pela empresa e pela Raízen Energia, além de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) que estão lastreados em direitos creditórios devidos pela Raízen Energia e que também estão sujeitos à recuperação extrajudicial. Estas assembleias ocorrerão nesta quarta-feira, dia 3.

Componentes do Plano de Recuperação

A proposta inclui diversas medidas, como injeções de capital, reestruturação da dívida, alterações na governança e uma reorganização societária na Raízen, que é uma joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell.

Os termos gerais do plano preveem um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, sendo R$ 0,25 no fechamento da operação, além de um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por meio de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, que é de Rubens Ometto.

Opções Apresentadas na Minuta

A Raízen apresenta três opções na minuta proposta. A primeira, denominada “Opção A”, acontece pela conversão de parte da dívida em ações, que corresponde a 45%, enquanto o restante, que é 55%, será convertido em novos títulos com prazos mais longos. Nesse cenário, o investidor se tornará acionista e ainda manterá o seu status de credor da empresa.

A segunda proposta sugere que o investidor aceite um desconto de 80% sobre o valor total da dívida, recebendo apenas 20% do total devido, em um único pagamento que está previsto para ocorrer em março de 2047.

A terceira alternativa é voltada para pequenos investidores. Ela oferece um pagamento mais ágil em dinheiro, que representa 75% da dívida, sendo limitado a R$ 9.750. Contudo, existe um limite global de recursos para essa opção, o que pode resultar em rateios caso a demanda exceda o montante disponível.

Reestruturação da Empresa

A reestruturação proposta ainda abrange a separação da Raízen em duas entidades distintas: Raízen Energia, com foco nas operações de açúcar e etanol, e Raízen Combustíveis. A segregação está prevista para ocorrer em 2027.

Além disso, o conselho de administração da empresa será composto por sete membros, sendo quatro deles, incluindo o presidente, nomeados pelos credores que apoiam o plano e três designados pelos acionistas contribuintes. A Shell terá a possibilidade de manter pelo menos um representante no conselho durante a vigência do contrato de licenciamento da marca.

Histórico da Raízen e Desafios Enfrentados

A Raízen fez sua estreia na bolsa de valores durante um significativo aumento do número de IPOs, no ano de 2021. Naquele momento, a empresa foi avaliada em R$ 76 bilhões e prometeu liderar uma revolução no setor de combustíveis sustentáveis, com um enfoque no etanol de segunda geração (E2G).

No entanto, a realidade se mostrou mais desafiadora do que o esperado, com a empresa enfrentando diversos obstáculos relevantes. Entre eles, destacam-se o recuo do apetite global por investimentos em critérios de Sustentabilidade, Governança e Responsabilidade Social (ESG), o crescimento do etanol de milho como uma alternativa mais econômica e escalável, além de um cenário de preços pressionados para açúcar e etanol.

Quase cinco anos após seu IPO, realizado em 5 de agosto de 2021, a joint venture entre a Cosan e a Shell viu sua valorização de mercado sofrer uma queda acentuada, e a empresa se tornou uma penny stock, o termo utilizado quando uma ação é negociada por valores em centavos. Simultaneamente, a companhia acumulou uma dívida bilionária após um ciclo agressivo de aquisições e expansão de ativos.

Na busca por reverter essa trajetória negativa, a Raízen iniciou, no final de 2024, um processo de reestruturação focado na diminuição da alavancagem. Essa movimentação incluiu uma mudança significativa na alta administração da empresa, marcando a chegada de Nelson Gomes ao cargo de CEO, que possui passagens em empresas como ExxonMobil, Cosan, Compass, Comgás e Moove.

Até fevereiro de 2026, a companhia já havia arrecadado aproximadamente US$ 5 bilhões por meio de iniciativas de desinvestimento que contemplaram a venda de usinas e outros ativos.

Resultados Financeiros Recentes

Entretanto, no terceiro trimestre da safra 2025/2026, a empresa enfrentou outro revés significativo, reportando um prejuízo de R$ 15,65 bilhões. A dívida líquida da companhia saltou de R$ 38,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para R$ 55,3 bilhões no terceiro trimestre de 2026, enquanto a alavancagem, avaliada pela relação dívida líquida/Ebitda, passou de 3 vezes para 5,3 vezes ao longo desse período.

Esse quadro desencadeou uma série de rumores, negociações e promessas de aporte por parte das companhias Cosan e Shell, em discussões que se estenderam por várias semanas. Finalmente, em 11 de março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de suspender, por 90 dias, o pagamento de dívidas que totalizam cerca de R$ 65 bilhões.

Esse movimento resultou na exclusão da companhia do Ibovespa e de outros índices da bolsa de valores brasileira.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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