Raízen (RAIZ4) propõe a conversão de 45% de sua dívida em ações para credores, aponta agência.

A proposta de reestruturação da Raízen

A Raízen (código RAIZ4), atualmente em processo de recuperação extrajudicial, apresentou aos seus credores os detalhes de um plano para reestruturar uma dívida que totaliza US$ 12,6 bilhões. A proposta inclui um período de carência de, no mínimo, cinco anos e sugere a possibilidade de os credores adquirirem participação na empresa, conforme informado pela agência de notícias Bloomberg.

Conforme a agência, a Raízen pretende que ao menos 45% da dívida seja convertida em ações, o que permitiria aos credores ficarem com até 70% das ações ordinárias, considerando um valor de R$ 0,40 por cada papel.

O plano proposto deve resultar em uma redução da alavancagem da Raízen, passando de 5,3 para 3,5 vezes o Ebitda, e pode possibilitar uma separação futura entre as unidades de açúcar, etanol e a divisão de distribuição de combustíveis.

De acordo com fontes da agência, esta proposta será discutida em uma reunião prevista para a próxima semana, em Nova York.

A crise financeira da Raízen

A Raízen teve seu pedido de recuperação extrajudicial aceito pela Justiça no dia 12 de março, em um processo que envolve aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas, o que já é considerado o maior do tipo no Brasil.

A deterioração financeira da companhia pode ser atribuída ao aumento do endividamento, resultante de uma sequência de aquisições e investimentos em novos projetos de energia que não trouxeram o retorno esperado. Além disso, o cenário foi impactado pelo elevado patamar dos juros, que aumentou as despesas financeiras da empresa.

Nos meses recentes, a situação se agravou devido a sucessivas reavaliações negativas de rating pelas agências S&P Global Ratings, Moody’s e Fitch, o que elevou o custo do capital e diminuiu a previsibilidade financeira da Raízen.

Medidas de reorganização financeira

O plano de reorganização financeira, que está sendo negociado de maneira consensual com credores que representam 47% do passivo da empresa, pode incluir medidas como a capitalização por parte dos acionistas, a conversão de uma parte das dívidas em participação acionária, a troca de créditos por novos instrumentos financeiros, além de reorganizações societárias e a venda de ativos.

Cerca de metade da dívida está concentrada em instituições bancárias, enquanto o restante é detido por investidores do mercado de capitais, incluindo bondholders, além de detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debenturistas. O processo de recuperação extrajudicial prevê uma suspensão dos pagamentos por um período de 90 dias, com o objetivo de evitar que a empresa entre com um pedido de recuperação judicial.

Impacto no mercado de ações

Em decorrência da aceitação do processo de recuperação, a B3 excluiu as ações da Raízen (RAIZ4) do Ibovespa e de vários outros índices, em conformidade com as normas do Manual de Definições e Procedimentos dos Índices. Desde o início de 2026, os papéis têm apresentado uma queda significativa e vinham sendo negociados abaixo de R$ 1 em diversos pregões, em uma faixa frequentemente referida como penny stocks.

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Alphabet, proprietária do Google, apresenta resultados surpreendentes e ações disparam em Nova York.

Meta, controladora do Facebook, ajusta projeção de investimento para 2026 e receita do primeiro trimestre supera expectativas.

Lucro da Suzano (SUZB3) despenca 32%, alcançando R$ 4,3 bilhões devido a influências cambiais.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais