A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) aprovou na última segunda-feira, 1º de dezembro, um reajuste tarifário que promete mexer com o orçamento de milhões de paulistas e, especialmente, com o caixa das empresas. Por meio da Deliberação nº 1.749/2025, a SABESP está autorizada a aumentar em 6,11% as tarifas de água e esgoto, medida que entrará em vigor em janeiro de 2026.
Embora o percentual pareça relativamente moderado à primeira vista, especialistas em gestão hídrica alertam: o impacto real sobre grandes consumidores pode ser devastador. Indústrias, hospitais, shoppings centers e redes de varejo devem sentir o peso deste reajuste de forma substancialmente mais intensa do que residências.
O Contexto do Reajuste da SABESP
O reajuste de 6,11% aprovado pela Arsesp segue a política tarifária estabelecida para a SABESP e considera diversos fatores econômicos, incluindo inflação, investimentos em infraestrutura e custos operacionais da companhia. Para o consumidor residencial médio, o aumento pode representar apenas alguns reais a mais na conta mensal.
No entanto, a realidade é completamente diferente quando analisamos o setor empresarial. Grandes consumidores de água e serviços de esgoto enfrentarão acréscimos que podem facilmente ultrapassar a casa dos milhões de reais anuais, dependendo do volume consumido e do tipo de operação.
Quem Será Mais Afetado pelo Aumento?
A estrutura tarifária da SABESP estabelece diferentes categorias de consumo, e o impacto do reajuste varia significativamente entre elas:
Setor Residencial: Para famílias, o aumento médio ficará na ordem de alguns reais por mês. Uma residência com consumo de 15 metros cúbicos mensais, por exemplo, verá um acréscimo proporcionalmente pequeno, ainda que representativo no orçamento doméstico.
Setor Comercial: Estabelecimentos comerciais de médio e grande porte sentirão um impacto mais expressivo. Restaurantes, hotéis, academias e escritórios com alto consumo de água precisarão revisar seus custos operacionais e, possivelmente, repassar parte deste aumento aos consumidores finais.
Setor Industrial: Este é o segmento mais vulnerável ao reajuste. Indústrias que utilizam grandes volumes de água em seus processos produtivos podem ver suas despesas operacionais aumentarem em milhões de reais anualmente. Para empresas que já operam com margens apertadas, este acréscimo pode comprometer seriamente a competitividade.
O Momento Crítico para as Empresas
O reajuste da SABESP não ocorre em um vácuo econômico. Segundo informações do mercado, diversas empresas tiveram contratos com fornecedores rescindidos recentemente, o que aumenta sua exposição às oscilações tarifárias. Esta combinação de fatores cria um cenário particularmente desafiador para o planejamento financeiro corporativo.
Lucas Souza, CEO da We Save, consultoria especializada em eficiência hídrica e energética, oferece uma perspectiva clara sobre a situação: “O reajuste de 6,11% pode parecer pequeno para o consumidor residencial, mas para grandes empresas representa milhões de reais adicionais ao longo do ano. Nesse cenário, a previsibilidade só é possível com uma gestão eficiente de recursos hídricos e energéticos.”
A declaração ressalta um ponto fundamental: a imprevisibilidade tarifária tornou-se um dos principais desafios para a gestão empresarial moderna. Sem estratégias eficazes de monitoramento e controle de consumo, empresas ficam à mercê de reajustes que podem desequilibrar completamente seus orçamentos.
Quanto Isso Representa na Prática?

Os números revelam uma realidade incontestável: quanto maior o consumo, maior o impacto absoluto do reajuste. Para empresas que consomem centenas ou milhares de metros cúbicos mensalmente, o acréscimo de 6,11% pode significar dezenas ou centenas de milhares de reais adicionais por ano.
A Necessidade de Gestão Hídrica Eficiente
Diante deste cenário, a gestão eficiente de recursos hídricos deixa de ser uma opção estratégica e passa a ser uma necessidade operacional urgente. Empresas que não investirem em monitoramento, otimização de processos e redução de desperdícios estarão em desvantagem competitiva significativa.
“Reduzir consumo e otimizar processos não é mais uma opção, é uma necessidade para garantir competitividade e resiliência frente a aumentos tarifários”, complementa Lucas Souza, destacando a conexão direta entre eficiência hídrica e sustentabilidade financeira.
A gestão hídrica eficiente envolve diversas frentes de atuação:
Monitoramento em Tempo Real: Sistemas de telemetria permitem identificar vazamentos, desperdícios e anomalias de consumo imediatamente, possibilitando ações corretivas rápidas.
Otimização de Processos: Revisão completa de processos produtivos e operacionais para identificar oportunidades de redução de consumo sem comprometer a qualidade ou produtividade.
Reuso e Captação Alternativa: Implementação de sistemas de reuso de água e captação de água de chuva, reduzindo a dependência do fornecimento público.
Automação: Utilização de tecnologias de automação para garantir que sistemas hidráulicos operem sempre em níveis ótimos de eficiência.
Manutenção Preventiva: Programas estruturados de manutenção para evitar vazamentos e desperdícios causados por equipamentos defeituosos.
Tecnologia e ESG: Diferenciais Competitivos
A transformação digital na gestão hídrica, aliada às práticas ESG (Environmental, Social and Governance), tornou-se fundamental para empresas competitivas. Sensores inteligentes, análise de dados em tempo real e automação permitem não apenas reduzir custos, mas também fortalecer a reputação corporativa.
Empresas que demonstram gestão responsável de recursos hídricos acessam novas oportunidades de negócio e conquistam a preferência de investidores e consumidores cada vez mais conscientes. A eficiência hídrica é, portanto, um investimento estratégico multidimensional.
Preparando-se para o Reajuste
Com a vigência do reajuste prevista para janeiro de 2026, empresas devem implementar estratégias de mitigação:
- Realizar auditoria completa do consumo atual
- Identificar pontos de desperdício e oportunidades de otimização
- Avaliar investimentos em tecnologias de eficiência hídrica
- Estabelecer metas de redução de consumo
- Considerar parcerias com consultorias especializadas
O Caso de Sucesso da We Save
A We Save, consultoria brasileira fundada em 2021, demonstra na prática como a gestão eficiente pode gerar resultados expressivos. Com metodologia baseada em performance comprovada, a empresa já realizou projetos em diversos estados brasileiros, gerando mais de R$ 100 milhões em economia para mais de 150 clientes.
Atuando em segmentos diversos como hospitais, indústrias, saneamento, shoppings e redes de varejo, a consultoria une engenharia, automação e inovação para criar soluções customizadas que reduzem consumo sem comprometer operações.
Conclusão
O reajuste de 6,11% nas tarifas da SABESP, aprovado pela Arsesp e com vigência prevista para janeiro de 2026, representa um desafio significativo, especialmente para grandes consumidores corporativos. No entanto, este desafio também pode ser visto como uma oportunidade para empresas repensarem suas práticas de gestão hídrica.
Investir em eficiência, tecnologia e práticas sustentáveis não apenas mitiga o impacto de reajustes tarifários, mas também posiciona as empresas de forma mais competitiva e alinhada às demandas do mercado moderno. Em um cenário de recursos cada vez mais escassos e tarifas crescentes, a gestão inteligente da água deixou de ser diferencial e tornou-se imperativo estratégico.
As empresas que compreenderem esta nova realidade e agirem proativamente estarão melhor posicionadas não apenas para enfrentar o reajuste de 2026, mas para prosperar em um futuro onde a eficiência no uso de recursos será cada vez mais determinante para o sucesso empresarial.
Fonte: Informações da We Save e Deliberação nº 1.749/2025 da Arsesp.


