Easing of Export Controls to the UAE
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos, na última sexta-feira, avançou na direção da flexibilização dos controles de exportação para os Emirados Árabes Unidos (EAU). A agência anunciou que irá "avaliar de forma favorável" os pedidos de licenciamento de exportação para a MGX, uma empresa de investimento apoiada pelos EAU, que utilizou uma stablecoin associada à família do ex-presidente Donald Trump para viabilizar seu investimento de dois bilhões de dólares na Binance.
Detalhes da Nova Regra
Uma versão não publicada de uma nova regra de 17 páginas, que poderá ser visualizada no Federal Register, menciona que o Bureau de Indústria e Segurança (BIS) do Departamento de Comércio irá avaliar de forma positiva as aplicações envolvendo semicondutores e servidores da MGX destinados aos EAU. A publicação oficial da nova norma está agendada para o dia 14 de julho.
Reação de Elizabeth Warren
A senadora Elizabeth Warren, dos Democratas de Massachusetts, criticou com veemência a nova regra, a qual classificou como "corrupta" devido ao uso da stablecoin associada a Trump pela MGX. A empresa utilizou o USD1, uma stablecoin emitida pela World Liberty Financial, afiliada à família Trump, para concluir seu investimento na Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo em volume diário.
Essa transação se tornou uma importante fonte de negócios para a recém-lançada stablecoin USD1, levantando questionamentos sobre a possibilidade de que os interesses financeiros de Trump pudessem influenciar a política dos EUA em relação aos EAU.
Investimentos em Tecnologia
A MGX também é investidora em gigantes da inteligência artificial, como a OpenAI e a Anthropic. A nova regra mais ampla concederá ao governo dos EAU, ao conglomerado de inteligência artificial de Abu Dhabi, G42, e sua subsidiária de nuvem, Core42, acesso a exceções de licenciamento para determinados equipamentos de computação avançada.
O Departamento de Comércio, em uma declaração, afirmou que "atualizará significativamente o status dos Emirados Árabes Unidos" sob as regulamentações de exportação, "em reconhecimento ao status dos EAU como um importante parceiro de defesa dos EUA e seu apoio na promoção de interesses de segurança nacional dos EUA, incluindo a Operação Epic Fury", que diz respeito ao conflito contra o Irã.
Acusações de Warren
Warren, em sua declaração, mencionou que "já sabemos que o membro da realeza dos EAU por trás da G42 e MGX comprou secretamente uma participação de 49% na empresa de criptomoeda de Trump, a World Liberty Financial." Ela acrescentou que "recentemente foi revelado que o presidente Trump fez um lucro extraordinário de US$ 263 milhões relacionado a esse negócio, parte dos US$ 1,4 bilhão que ele arrecadou com suas iniciativas em criptomoedas apenas no ano passado."
A senadora afirmou ainda: "Agora, o Departamento de Comércio de Trump está concedendo acesso sem licenças à G42 para chips avançados de inteligência artificial e prometendo tratamento favorável para a MGX, apesar das preocupações relatadas sobre a desvio de tecnologia sensível para a China e outros riscos à segurança nacional."
Solicitação de Audiência no Congresso
Elizabeth Warren, que é a democrata de maior classificação no Comitê Bancário do Senado, solicitou que o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o subsecretário do BIS, Jeffrey Kessler, testemunhassem diante do Congresso "para explicar esse acordo corrupto e como ele poderia colocar nossa segurança nacional em risco."
Warren e outros senadores democratas, na última sexta-feira, também pediram audiências para investigar se os investimentos vinculados aos EAU na World Liberty influenciaram as decisões da administração sobre chips avançados, vendas de armamentos e outras políticas que beneficiam o país.
Kessler já está agendado para testemunhar na próxima semana perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Não há evidências na regra que indiquem que os negócios financeiros dos EAU com a World Liberty influenciaram a decisão do Departamento de Comércio.
Tratamento Preferencial para Empresas
Companhias como Amazon, Apple, Google, Meta, Microsoft, OpenAI, Oracle e xAI receberão um tratamento mais ágil em relação a alguns equipamentos controlados utilizados em operações e projetos de data center nos EAU, conforme a nova regra.
As mudanças podem acelerar as vendas de chips ao reduzir a necessidade de licenças de exportação separadas, embora não eliminem as restrições destinadas a impedir que tecnologias sensíveis cheguem a usuários ou países proibidos, como a China.
A nova regra também facilita o controle sobre algumas exportações relacionadas a equipamentos militares, satélites e naves espaciais.
Fonte: www.cnbc.com