Conferência de Imprensa entre Trump e Starmer
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, realizaram uma coletiva de imprensa após se encontrarem em Chequers, próximo a Aylesbury, na Grã-Bretanha, no dia 18 de setembro de 2025.
Declarações de Keir Starmer
Em uma declaração nessa segunda-feira, o primeiro-ministro Starmer afirmou que o Reino Unido "não está apoiando" o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, enfatizando que o país não será "arrastado" para a guerra no Irã. Essa afirmação coincidiu com a confirmação do presidente francês Emmanuel Macron de que a França e o Reino Unido co-organizarão, nos próximos dias, uma conferência com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Hormuz.
Macron não descartou explicitamente a participação da França no bloqueio dos EUA, mas afirmou que a conferência planejada teria como foco uma missão "multinacional pacífica" e "estritamente defensiva", "separada dos beligerantes".
Foco na Abertura do Estreito
Starmer, em entrevista à BBC Radio 5 Live, declarou: "Não estamos apoiando o bloqueio, e toda a nossa mobilização – diplomática, política e em termos de capacidades – está centrada em manter o Estreito plenamente aberto." Ele acrescentou que o Reino Unido possui capacidade de varredura de minas, embora não entrasse em detalhes operacionais, ressaltando que o foco é manter a navegação aberta.
"Nos últimos meses, o que temos feito – e isso foi parte das conversas que tive com os estados do Golfo na semana passada – é reunir países para manter o estreito aberto e não fechado," afirmou Starmer.
Bloqueio Anunciado por Trump
Os comentários de Starmer vieram após a sinalização do presidente Trump de que outros países ajudariam os EUA a implementar o bloqueio, que começaria a vigorar às 10h ET desta segunda-feira, direcionado a embarcações que entrassem ou saíssem dos portos iranianos.
A decisão foi divulgada após conversas entre Washington e Teerã no final de semana que não resultaram em um acordo para acabar com o conflito no Oriente Médio.
Falando a repórteres no domingo, Trump declarou: "Às 10 horas de amanhã, teremos um bloqueio entrando em vigor," acrescentando que "outros países estão trabalhando para que o Irã não consiga vender petróleo."
No entanto, ele não especificou quais outros países estariam colaborando, e a CNBC solicitou comentários adicionais e esclarecimentos de governos da Europa e do Oriente Médio sobre sua intenção de apoiar os EUA.
Relutância dos Países Europeus e do Golfo
Tanto os estados europeus quanto os do Golfo já demonstraram resistência a se envolver no conflito, preocupados com a possibilidade de uma escalada em um conflito que eles veem como uma "guerra de escolha" dos EUA e não como uma necessidade.
A Alemanha também indicou que não participará do bloqueio, com fontes do governo afirmando à CNBC na segunda-feira que os comentários de Trump eram "uma declaração vaga que não se baseia em novos fatos."
Berlim reiterou sua posição de não envolver-se militarmente na guerra do Irã e repetiu essa posição nesta segunda-feira, comentando: "Nos últimos dias, o governo federal se manifestou em várias ocasiões sobre uma possível participação e as condições para isso. Essas declarações ainda permanecem."
Esforços Paralelos
Em uma postagem na rede social X, Macron afirmou que a França sediará uma conferência "com o Reino Unido e aqueles países dispostos a se juntar a nós" para uma "missão multinacional pacífica destinada a restaurar a liberdade de navegação no Estreito."
Ele acrescentou: "Essa missão estritamente defensiva, que será separada das partes em guerra, está destinada a ser implementada assim que a situação permitir."
Starmer mencionou que os cidadãos britânicos estavam sendo afetados pela guerra no Irã devido ao aumento dos custos de energia e que não gostaria que eles "pagassem o preço" pelo conflito. Ao ser questionado se responsabilizava pessoalmente Trump pelo impacto nas contas de energia do Reino Unido, Starmer afirmou que era o Irã que estava restringindo a navegação no Estreito de Hormuz.
"Nós, do Reino Unido, deixamos muito claro que não nos deixaríamos arrastar para essa guerra, e não estamos, mas, igualmente, estivemos envolvidos em ações defensivas," concluiu o primeiro-ministro.
Fonte: www.cnbc.com


