Compras de Fertilizantes para a Safra 2026/2027 Atrasadas
As aquisições de fertilizantes para a safra 2026/2027 continuam atrasadas no Brasil em comparação a anos anteriores. Atualmente, cerca de 65% dos insumos ainda não foram adquiridos. Mesmo no estado do Mato Grosso, que normalmente tende a antecipar suas negociações, a compra de fertilizantes tem sido postergada devido aos preços elevados.
Causas da Alta nos Preços dos Fertilizantes
O cenário atual é influenciado em grande parte pelo conflito no Oriente Médio e pelas restrições impostas pela China em relação aos embarques. Esses fatores são determinantes para a elevação dos preços dos fertilizantes, impactando de forma significativa a relação de troca com os grãos. Essa situação é evidenciada pelo fato de que, enquanto os custos dos insumos aumentaram consideravelmente, as commodities agrícolas estão sendo comercializadas a valores consideravelmente mais baixos.
A relação de troca, inclusive, atingiu um dos níveis mais preocupantes dos últimos anos, superando até mesmo a situação de 2022, quando os fertilizantes apresentaram preços recordes devido ao início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
“A principal diferença entre os dois momentos é que, naquele ano, os grãos estavam também em alta. Neste momento, o cenário é o inverso: temos fertilizantes caros e commodities sem grandes oscilações de preço”, explica Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado.
Relação de Troca dos Fertilizantes
No caso específico da ureia, a relação de troca atualmente chegou a 32 sacas de soja ou 59 sacas de milho para cada tonelada do fertilizante. Esse número representa um aumento significativo em comparação ao ano passado, quando eram necessárias apenas 17 e 33 sacas, respectivamente.
Para o fosfato monoamônico (MAP), a proporção também piorou, alcançando 39 sacas de soja ou 72 sacas de milho para cada tonelada, frente a 25 e 49 sacas no mesmo período de 2022.
Em relação ao sulfato de amônio, que está ganhando destaque na adubação nitrogenada — especialmente devido ao aumento nas importações da China como alternativa à ureia — a relação de troca também registrou uma deterioração. Nesse caso, o índice foi de 8 para 12 sacas de soja por tonelada, e de 15 para 23 sacas no milho.
“Embora ainda exista a possibilidade de aguardar condições mais favoráveis de compra, existe o risco de que a demanda se acumule para o segundo semestre. Se esse cenário ocorrer e o conflito se tornar prolongado, é provável que os preços subam ainda mais”, afirma Romanello.
Piora nos Fertilizantes Pressiona a Liquidez do Mercado
Ademais, o contexto atual é agravado pela restrição de crédito e pelo aumento do endividamento dos produtores, uma situação que vem se arrastando desde 2022.
Dentro do mercado interno, essa situação reflete-se na baixa liquidez. Importadores têm evitado formar estoques elevados, uma vez que temem não conseguir repassar os preços aos agricultores.
“Dessa forma, pode surgir o risco de destruição de demanda, especialmente se os produtores não conseguirem arcar com os custos da adubação”, conclui a analista.
Frente a esse cenário, o mercado opera quase que exclusivamente com base na demanda, sem movimentos significativos de antecipação nas compras.
“Enquanto os fertilizantes nitrogenados e fosfatados continuam sob pressão, o cloreto de potássio não é diretamente afetado pelo conflito atual. Este produto demonstra maior estabilidade nos preços, com volumes consideráveis sendo importados para o Brasil. Essa situação tem permitido um planejamento mais efetivo por parte dos produtores”, explica Romanello.
Neste caso, a relação de troca também piorou, embora de maneira mais moderada: passou de 14 para 18 sacas de soja por tonelada e de 26 para 32 sacas no milho, conforme indicado pelo analista.
Diante desse cenário complexo, espera-se que o custo total de adubação seja significativamente mais elevado em 2026, aumentando as preocupações em relação à formação de custos e à rentabilidade das lavouras.
Fonte: www.moneytimes.com.br


