Resultados Financeiros da Petrobras no 3T25
A companhia registrou lucro líquido de US$ 6,03 bilhões, representando um aumento de 2,7% em comparação ao mesmo período de 2024 e um crescimento de 27,3% em relação ao trimestre anterior. Esse desempenho positivo ocorreu em meio a recordes nas exportações de petróleo e ao avanço na produção no pré-sal. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou US$ 11,73 bilhões, o que representa um crescimento de 2,2% na comparação anual.
A receita de vendas totalizou US$ 23,48 bilhões, um aumento de 0,5% em relação ao terceiro trimestre de 2024 e 11,6% em relação ao trimestre anterior. O balanço completo da Petrobras no 3T25 está disponível para consulta.
Analistas destacam que, embora tenham sido registradas despesas de capital acima do esperado, a geração de fluxo de caixa livre e os dividendos ficaram dentro das previsões. O resultado positivo compensou desempenhos mais fracos nas áreas de gás e nas energias de baixo carbono.
“As expectativas para os resultados do terceiro trimestre da Petrobras eram elevadas, levando em conta a queda nos preços do petróleo, o fluxo de caixa decepcionante registrado no segundo trimestre e a expectativa em torno do novo plano estratégico. Apesar disso, a Petrobras apresentou resultados superiores ao esperado”, afirmaram os analistas da XP Investimentos, Regis Cardoso e João Rodrigues.
De acordo com Alexandre Abu-Jamra, CEO da Klooks, uma empresa de tecnologia especializada em análise financeira, o destaque do trimestre da Petrobras foi a produção recorde no pré-sal, reforçando a expectativa de crescimento com foco no aumento da extração de barris de petróleo.
Desempenho Operacional e Eficiência
A execução operacional, conforme Abu-Jamra, apresentou resultados impressionantes: plataformas como o FPSO Almirante Tamandaré atingiram sua capacidade máxima meses antes do prazo previsto, operando acima do nominal, o que demonstra uma eficiência técnica elevada. O setor de refino também apresentou um desempenho positivo, com a utilização plena da capacidade e recordes nas vendas de diesel S10. Além disso, a geração de caixa teve um avanço significativo em comparação ao trimestre anterior.
Fatores que Impactaram a Petrobras no 3T25
Apesar do crescimento operacional, para Abu-Jamra, o lucro líquido e o Ebitda da companhia mantiveram-se praticamente estáveis em comparação ao ano anterior, evidenciando a sensibilidade da empresa às variações do preço do petróleo Brent e do câmbio.
O especialista observa que o capex (investimentos em bens de capital) aumentou, resultando em um aumento acelerado nos investimentos, o que exerceu pressão sobre o fluxo de caixa disponível para dividendos e para a redução da dívida. O endividamento teve um leve aumento, um movimento esperado diante do ciclo intenso de investimentos, mas que requer acompanhamento atento.
“A empresa produziu muito mais, mas vendeu seu produto por um valor menor em dólares, e cada dólar vendido tinha um valor reduzido em reais. Se compararmos a situação a uma maratona, poderíamos dizer que ela correu mais do que no ano anterior, mas o vento contrário a fez cruzar a linha de chegada exatamente no mesmo tempo”, conclui.
Abu-Jamra ressalta que o resultado da Petrobras no período foi caracterizado por uma batalha entre dois fatores: o interno, relacionado à produção, que serviu como principal motor positivo, e o externo, que envolveu o preço do Brent e o câmbio, que limitaram a receita e o lucro.
“É provável que o desempenho operacional continue positivo, porém, talvez não na mesma velocidade acelerada observada neste trimestre, que foi extraordinário, pois vários projetos amadureceram simultaneamente. Novas plataformas devem entrar em operação, garantindo a continuidade do crescimento da base de produção, embora de forma mais gradual”, explica.
“A principal preocupação para os resultados financeiros é se os preços do Brent e o câmbio irão favorecer ou prejudicar esse crescimento operacional nos próximos trimestres”, projeta.
Dividendos Atraentes aos Acionistas
O Conselho de Administração da Petrobras também aprovou o pagamento de dividendos intercalares de R$ 12,16 bilhões, o equivalente a R$ 0,94320755 por ação ordinária (PETR3) e preferencial (PETR4) em circulação. Essa informação foi divulgada pela companhia em um fato relevante ao mercado.
Os proventos serão pagos como uma antecipação da remuneração aos acionistas referente ao exercício de 2025, com base no balanço de 30 de setembro, em duas parcelas programadas para fevereiro e março de 2026, conforme indicado pela estatal.
José Aureo Viana, especialista em investimentos e sócio da Blue3 Investimentos, observa que o montante evidencia que a geração de caixa da estatal ainda proporciona um retorno atraente aos acionistas. No entanto, destaca que o mercado não vê mais a Petrobras apenas como uma ação de renda. Atualmente, os investidores se concentram principalmente na qualidade da alocação de capital e no retorno dos projetos que fazem parte do ciclo de investimentos da petrolífera.
“Se a empresa mantiver disciplina e previsibilidade em sua política de preços, os dividendos continuarão sustentáveis. Porém, se houver desvio para investimentos que ofereçam baixo retorno ou se houver interferência política, o risco aumenta e os dividendos perdem relevância como argumento principal. Portanto, a tese passa a depender menos do fluxo de dividendos e mais do retorno futuro”, esclarece.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, também reitera que, embora os dividendos ainda sejam um fator relevante, a avaliação dos investidores agora considera com mais ênfase a sustentabilidade da geração de caixa, o retorno sobre o capital investido e o nível de endividamento. A manutenção da política de distribuição de dividendos depende de bons resultados e de estabilidade na política de preços.
Aspectos que o Investidor da Petrobras Deve Observar
Viana menciona que a política de preços indica a coerência entre eficiência, rentabilidade e governança e deve ser monitorada juntamente com a alocação de capital e os retornos dos novos projetos. O ritmo de crescimento da produção também é um ponto crucial, pois, sem expansão de volume, o potencial de valorização estrutural da estatal fica limitado.
Ademais, é importante lembrar que, por se tratar de uma empresa estatal, o risco político deve ser considerado, especialmente em decisões estratégicas.
Segundo Lima, o investidor deve acompanhar de perto a geração de caixa e a política de preços, que são considerados os principais vetores de rentabilidade e confiança. Ele também destaca a importância de monitorar o nível de investimentos e a evolução da dívida, uma vez que um aumento do capex sem retorno adequado pode comprometer a capacidade de distribuir dividendos.
“Embora o risco político continue sendo uma preocupação, o foco deve estar na capacidade da empresa em manter eficiência, margens e previsibilidade financeira, mesmo em um ambiente mais volátil”, conclui.
Recomendações e Riscos
O Safra recomenda a compra das ações preferenciais da Petrobras, estabelecendo um preço-alvo de R$ 43, o que representa uma valorização de 39%. O BTG Pactual também mantém a recomendação de compra com um preço-alvo de R$ 44.
A Ativa, por sua vez, opta por uma recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 44, sugerindo potencial de valorização de 41,9% sobre o fechamento anterior, levando em consideração a volatilidade do mercado e a avaliação de alternativas de investimento que são consideradas mais atrativas.
Entre os riscos, Abu-Jamra, da Klooks, menciona a interferência política, uma vez que o governo, controlador da estatal, tem a capacidade de modificar a política de preços dos combustíveis ou direcionar investimentos que podem ter retornos limitados. Ele também enfatiza a volatilidade da cotação do petróleo.
Segundo ele, o plano de investimentos da Petrobras é agressivo e depende de níveis saudáveis do preço do Brent para não comprometer a saúde financeira da empresa.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br