Resultados financeiros da Disney
A Walt Disney Co. divulgou na segunda-feira, 29 de setembro de 2025, seu relatório de receita e lucros trimestrais, superando as expectativas dos analistas. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de parques temáticos, resorts e cruzeiros.
Desempenho dos Parques Temáticos
De acordo com o CFO Hugh Johnston, a unidade de experiências registrou, pela primeira vez, mais de US$ 10 bilhões em receita trimestral. Os parques temáticos da Disney nos Estados Unidos geraram US$ 6,91 bilhões em receita, enquanto os parques internacionais atingiram US$ 1,75 bilhão, ambos apresentando um aumento de 7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Johnston observou que, embora a visitação nos parques domésticos tenha aumentado, o mesmo não ocorreu em relação à visitação internacional.
Resultados financeiros do primeiro trimestre fiscal
Abaixo estão os dados do desempenho da Disney no primeiro trimestre fiscal, que terminou em 27 de dezembro, em comparação com as expectativas de Wall Street, segundo a LSEG:
- Lucros por ação: US$ 1,63 ajustados contra US$ 1,57 esperados
- Receita: US$ 25,98 bilhões contra US$ 25,74 bilhões esperados
O lucro líquido do trimestre foi de US$ 2,48 bilhões, ou US$ 1,34 por ação, uma queda em relação a US$ 2,64 bilhões, ou US$ 1,40 por ação, no mesmo período do ano anterior. Ajustando para itens únicos, incluindo encargos fiscais relacionados a um acordo com a Fubo, a Disney reportou lucros por ação de US$ 1,63.
A receita total da Disney no primeiro trimestre fiscal foi de aproximadamente US$ 26 bilhões, o que representa um aumento de 5% em relação ao ano anterior.
Projeções para o ano fiscal de 2026
No que diz respeito às projeções para o ano fiscal de 2026, a empresa afirmou que está no caminho certo para recomprar US$ 7 bilhões em ações. A Disney também espera um crescimento de dois dígitos nos lucros ajustados por ação e cerca de US$ 19 bilhões em caixa proveniente das operações.
Para o segundo trimestre fiscal, a Disney espera que sua unidade de streaming, que inclui Disney+ e Hulu, registre aproximadamente US$ 500 milhões em lucro operacional, um aumento em torno de US$ 200 milhões em comparação ao mesmo período do ano anterior.
No entanto, a unidade de experiências deve apresentar um crescimento “modesto” no lucro operacional devido a dificuldades relacionadas à visitação internacional nos parques domésticos, além de custos pré-lançamento para uma nova linha de cruzeiro da Disney e despesas pré-abertura para a atração “World of Frozen” na Disneyland Paris.
Questão da sucessão
Nos bastidores do relatório de lucros da Disney está a questão de quem será nomeado o sucessor do CEO Bob Iger. Esta é a segunda vez que a Disney busca um substituto para Iger, após ter nomeado Bob Chapek como CEO em 2020 e demitido-o rapidamente em 2022, trazendo Iger de volta ao cargo. Naquele momento, as ações da Disney haviam caído, e a empresa e Iger enfrentaram o desafio de melhorar a posição da Disney no cenário cinematográfico, bem como reerguer os parques.
Segundo Johnston, “turboalimentar os parques, levar o streaming à lucratividade e margens de dois dígitos, além de melhorar o negócio teatral, é promissor para um novo CEO”. Johnston se absteve de comentar sobre especulações relacionadas ao próximo substituto de Iger.
A diretoria da Disney está se reunindo esta semana e deve votar sobre um sucessor para Iger, de acordo com fontes que possuem conhecimento do assunto. A empresa já havia informado que anunciaria um sucessor no primeiro trimestre deste ano. Entre os candidatos, dois dos deputados de Iger — Josh D’Amaro, presidente da Disney Experiences, e Dana Walden, co-presidente da Disney Entertainment — são considerados favoritos na corrida pela sucessão. No entanto, D’Amaro é responsável pela unidade que gera lucro para a empresa.
Desempenho da unidade de experiências
No primeiro trimestre fiscal da Disney, a divisão de experiências reportou um lucro operacional três vezes maior que o da divisão de entretenimento. Essa unidade gerou um lucro de US$ 3,31 bilhões, 6% superior ao mesmo período do ano anterior. Em contraste, a divisão de entretenimento há muito tempo destaca a queda nos negócios das redes tradicionais de TV da Disney, tendo registrado um lucro operacional de US$ 1,1 bilhão, uma queda de 35% em relação ao ano anterior.
Desafios e oportunidades no streaming
A seção de entretenimento inclui também streaming e lançamentos teatrais. A receita total para essa unidade durante o período foi de US$ 11,61 bilhões, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. A empresa atribuiu esse aumento na receita a taxas mais altas de assinaturas e afiliações, bem como à inclusão da transação com a Fubo nos ganhos da Disney. A Disney obteve uma participação de 70% no provedor de pacotes de TV via internet em um acordo que foi fechado em outubro.
A Disney também observou um aumento na sua unidade teatral, especialmente após dominar a bilheteira em 2025. A empresa destacou “Zootopia 2”, assim como os novos episódios das franquias “Avatar” e “Predator” durante o trimestre. Este foi o primeiro trimestre em que a Disney parou de relatar alguns detalhes da seção de entretenimento, como a fragmentação de receitas e lucros operacionais para suas redes de TV linear, streaming e negócios teatrais. Além disso, a companhia não informou os números de assinantes do streaming neste trimestre, seguindo o exemplo da Netflix do ano passado.
A Disney reportou que a receita em seu negócio de streaming subiu 11%, alcançando US$ 5,35 bilhões durante o primeiro trimestre fiscal. Recentemente, a Disney fez várias mudanças no setor de streaming. No ano passado, o ESPN lançou sua própria plataforma de streaming direta ao consumidor, enquanto a Disney iniciou a integração do Hulu ao Disney+. Os investidores aguardam ansiosos atualizações sobre o serviço de streaming do ESPN e eventuais efeitos da alta de preços e mudanças no Disney+ durante a teleconferência de lucros marcada para as 8h30, horário da Costa Leste dos EUA.
A Disney, atualmente, separa o ESPN em um segmento voltado para esportes, distinto de suas demais redes de TV linear, negócios cinematográficos e Disney+ e Hulu. A receita do segmento esportivo subiu 1%, totalizando US$ 4,91 bilhões, enquanto os lucros operacionais diminuíram 23%, chegando a US$ 191 milhões. Este segmento foi impactado pelo aumento nos custos de programação e produção devido a novos acordos de direitos esportivos, assim como a perda de assinantes dos pacotes tradicionais que afetou as taxas de assinaturas e afiliações. No entanto, a receita publicitária cresceu devido a aumentos nas tarifas.
O segmento também foi afetado pelo bloqueio temporário das redes da Disney no YouTube TV no outono, o que resultou em um impacto aproximado de US$ 110 milhões em seu lucro operacional.
Fonte: www.cnbc.com

