O consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão destinado à construção da nova sede do governo do Estado de São Paulo, apresentando um desconto de 9,62% no valor mensal, estabelecido em R$ 76,6 milhões.
Felipe Mahana, diretor da M4 Infraestrutura e representante do consórcio, forneceu detalhes sobre os próximos passos do projeto, que visa promover uma transformação significativa na região central da capital paulista.
O cronograma inicial do empreendimento prevê um intervalo de 90 a 120 dias para a homologação e a assinatura do contrato. Após a conclusão desse processo, terá início a contagem do prazo de concessão, que se estenderá por 30 anos.
Durante os primeiros 12 meses, o foco será na elaboração dos projetos executivos, enquanto, em paralelo, acontecerá o processo de desapropriações, que está previsto para durar dois anos, além da realocação das famílias afetadas, já com um prazo de dois anos e meio estabelecido.
Desapropriações e reassentamento
Um dos pontos críticos do projeto é a questão das desapropriações na região. O executivo enfatizou que o consórcio será o responsável pelo pagamento e pela negociação dos valores com os moradores, embora a posse dos imóveis seja atribuída ao Estado.
“O decreto de utilidade pública, a DUP, é uma responsabilidade do governo do Estado. Entretanto, somos nós que gerimos todo o processo para a emissão da DUP pelo governo”, esclareceu Mahana.
O porta-voz acrescentou que o consórcio já está em fase de planejamento para lidar com as famílias afetadas: “dispomos de uma equipe social robusta. Vamos realizar um cadastramento prévio, a fim de entender quem são as famílias, qual a faixa de renda e se elas desejam se mudar de São Paulo ou permanecer na região”.
Ele também destacou que há uma diretriz para reassentamento dessas pessoas dentro do próprio centro, respeitando um raio específico.
Impacto urbano e revitalização
O plano prevê a criação de mais de 400 mil metros quadrados de área, visando abrigar aproximadamente 22 mil servidores públicos.
Mahana acredita que este projeto será “uma revitalização urbana, possivelmente a maior do Brasil” e “um modelo a ser seguido mundialmente”.
Além de edifícios administrativos, o projeto contempla uma área comercial de 25 mil metros quadrados, um teatro e outras estruturas que têm como objetivo reanimar a região.
“Atualmente, o centro não oferece muito nesse sentido. As pessoas vão até lá para trabalhar e depois retornam para casa. Não existe uma vida noturna no centro, com comércios, panificadoras e farmácias. É necessário trazer essa vivência ao local para que as pessoas possam residir ali também”, destacou o porta-voz.
Conforme estudos realizados pelo consórcio, é estimado que entre 20% e 25% dos funcionários que estarão lotados no complexo deverão buscar moradia nas imediações, o que deverá fomentar o mercado imobiliário da área.
Financiamento e prazos
Em relação ao financiamento do projeto, cuja estimativa gira em torno de bilhões de reais, Mahana comentou que a estratégia será fracionar as operações por quadras, realizando operações em menor escala.
“Estamos desenvolvendo uma operação de ponte, seguida de um take out de longo prazo”, afirmou, mencionando potenciais fontes de financiamento como bancos de desenvolvimento e debêntures incentivadas.
A programação prevê a entrega das primeiras quadras, incluindo o Palácio dos Campos Elíseos, até o quarto ano do projeto. A construção do terminal de ônibus que substituirá o atual Terminal Princesa Isabel deverá ser realizada em um período de até dois anos.
Levando em consideração o início da ordem de serviço previsto para meados de 2024, as primeiras conclusões do complexo administrativo devem ocorrer entre 2028 e 2029, com a finalização total estimada para o ano de 2030.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br