Rota Bioceânica: Argentina se torna obstáculo para o corredor em direção ao Pacífico.

Rota Bioceânica: Argentina se torna obstáculo para o corredor em direção ao Pacífico.

by Fernanda Lima
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O trecho argentino da Rota Bioceânica, um corredor que visa estabelecer um novo caminho para as exportações brasileiras pelo Oceano Pacífico, enfrenta desafios significativos em sua implementação. As dificuldades são especialmente notáveis ao longo dos aproximadamente 700 quilômetros que atravessam o território argentino, destacando-se como a parte mais complicada entre os quatro países envolvidos no projeto.

Um estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) identificou 11 problemas críticos na região fronteiriça, os quais incluem a falta de condições mínimas para o transporte seguro de cargas e as insuficiências na infraestrutura de acesso. Esta situação é ainda mais agravada pela presença de 26 quilômetros de estrada não pavimentada logo após a fronteira, e não há perspectivas imediatas para obras que possam resolver essa questão.

Potencial do lítio

A região que é cruzada pela rota inclui o que é conhecido como Triângulo do Lítio, uma área composta por Argentina, Chile e Bolívia, que possui quase metade das reservas mundiais do mineral, totalizando cerca de 57 milhões de toneladas. O lítio, um componente essencial na fabricação de baterias tanto para veículos elétricos quanto para dispositivos eletrônicos, tornou-se um objeto de intensa disputa geoeconômica entre os Estados Unidos e a China.

No povoado de Susques, localizado a 4 mil metros de altitude e próximo à fronteira com o Chile, a empresa Excer, que é financiada por capitais chineses, mantém uma planta industrial com a capacidade de produzir até 40 mil toneladas anuais de carbonato de lítio para a fabricação de baterias.

Desafios burocráticos

A integração aduaneira é um dos principais obstáculos que impede o sucesso do projeto. Relatos coletados durante uma recente viagem para observar a situação apontam que há dificuldades significativas na circulação de cargas e mercadorias. Isso se deve em parte ao número reduzido de funcionários e aos horários limitados de funcionamento das alfândegas na região.

O professor Alejandro Safarov, que faz parte de uma rede acadêmica dedicada ao estudo da rota, observa que o projeto não despertou um interesse considerável por parte dos agentes econômicos da cidade de Buenos Aires. Essa falta de interesse está ligada ao fato de que, historicamente, os investimentos nesta região tendem a se concentrar no porto da capital argentina.

A concentração de 40% da população total e 80% das exportações na região que inclui Buenos Aires, Córdoba e Santa Fe contribui para essa resistência à descentralização logística. Essa situação apresenta um desafio adicional para a eficácia da Rota Bioceânica.

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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