Desempenho do Setor de Utilities em 2025
As empresas de utilidades, conhecidas como utilities, destacaram-se na Bolsa brasileira durante o ano de 2025, com o índice do setor, o UTIL, apresentando uma elevação superior a 60% no acumulado do ano. De acordo com a análise do time de especialistas do BTG Pactual, há potencial para um desempenho ainda mais positivo no setor, recomendando uma maior exposição a ações, com destaque para as empresas Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Copel (CPLE3).
Análise do Cenário Atual
Segundo os analistas, após um forte rali em 2025, é natural que o setor de utilities esteja sendo negociado com prêmios de risco mais baixos do que nos períodos anteriores. No entanto, a equipe liderada por Antonio Junqueira acredita que, mesmo assim, o setor ainda representa uma das alocações mais atrativas na bolsa brasileira. Em um relatório divulgado em 8 de outubro, o banco destaca que, apesar da diminuição do prêmio de risco, as empresas do setor continuam a oferecer uma combinação de previsibilidade operacional, fundamentos robustos e sensibilidade positiva à queda das taxas de juros. Este contexto se torna ainda mais relevante em um momento de incertezas políticas, dado que o Brasil está em um ano eleitoral.
“Do ponto de vista top-down, nossa recomendação é manter uma exposição elevada ao setor de utilities. A junção de fundamentos consistentes, a queda das taxas de juros, o fluxo global para mercados emergentes e a incerteza eleitoral sustentam uma alocação superior à média nesse setor”, afirma o banco.
Destaque para Sabesp, Equatorial e Copel
Embora todo o setor tenha demonstrado maior estabilidade, o BTG identifica que suas ações preferidas — Sabesp, Equatorial e Copel —, categorizadas como compounders, são capazes de unir uma abordagem defensiva à geração contínua de retorno.
Eficiência da Sabesp
No caso da Sabesp, a visão é que a companhia tem espaço para aprimorar sua eficiência. “A empresa avançou significativamente em seu processo de gerenciamento de riscos pós-privatização, combinando a disciplina em custos, o cumprimento das metas de universalização e uma revisão tarifária favorável. Isso reforça a previsibilidade e a qualidade do fluxo de caixa da companhia”, diz o relatório do banco.
Sucesso da Equatorial
A Equatorial, por sua vez, é considerada um dos melhores exemplos de um compounder no setor, ao alocar capital de maneira eficiente e criar valor através de aquisições e melhorias operacionais.
Análise sobre a Copel
Já a Copel é vista como uma ação que gradualmente tem sido precificada como uma boa opção para proteção de capital e dividendos, com uma gestão focada em preservar o valor para os acionistas e uma abordagem cuidadosa na alocação de recursos.
Para a Sabesp, a recomendação é de compra, com um preço-alvo estabelecido em R$ 160. Tanto a Equatorial quanto a Copel também têm recomendações de compra, com preços-alvos de R$ 53 e R$ 14,40, respectivamente. “Acreditamos que as três principais compounders possuem oportunidades significativas para alocação de capital em 2026”, complementa o BTG.
O banco menciona que a Sabesp pode se beneficiar do programa Universaliza SP, que prevê novas privatizações no setor de saneamento no estado de São Paulo, assim como de uma possível disputa pela Copasa (CSMG3). A Copel apresenta potencial de ganhos com o leilão de capacidade que ocorrerá em março, enquanto a Equatorial está explorando oportunidades no setor de saneamento e distribuição, com expectativa de recuperação nas fusões e aquisições no mercado.
Outras Ações a Serem Monitoradas
O BTG Pactual, por fim, cita as ações de Eneva (ENEV3), Copasa e Sanepar (SAPR11) como possíveis destaques em termos de desempenho no setor em 2026, classificando esses papéis como “The Triggers”. Todas estas empresas possuem recomendações de compra.
A estratégia se baseia na expectativa de que essas ações podem passar por revisões positivas de valuation ao longo do ano, não necessariamente por um aprimoramento gradual de fundamentos, mas através de eventos específicos que funcionem como catalisadores de preço.
Oportunidades com Eneva
Para a Eneva, o principal gatilho mencionado é o leilão de capacidade agendado para março, que pode solidificar a posição da companhia como fornecedora de energia firme em um sistema sob crescente pressão. O preço-alvo definido pelo BTG para a empresa é de R$ 19,80.
Cenário da Copasa
A Copasa, com um preço-alvo de R$ 52, encontra-se no centro da discussão sobre privatização em Minas Gerais, com a legislação já aprovada, o que é visto como uma assimetria positiva pelo banco.
Análise da Sanepar
A Sanepar, por fim, possui um preço-alvo de R$ 43 e apresenta um significativo componente político para 2026. Qualquer sinal de melhoria em sua eficiência ou avanço nas discussões sobre privatização pode resultar em uma reprecificação considerável, considerando o desconto atual das ações.
Fonte: www.moneytimes.com.br