Saída dos EAU da OPEP representa um grande golpe na influência do cartel sobre o petróleo

Saída dos EAU da OPEP representa um grande golpe na influência do cartel sobre o petróleo

by Patrícia Moreira
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Saída dos Emirados Árabes Unidos do OPEC

A saída dos Emirados Árabes Unidos do OPEC nesta semana resultará em um enfraquecimento da influência do cartel e de seu líder, a Arábia Saudita, no mercado de petróleo. Esse desenvolvimento pode se mostrar negativo para os preços no longo prazo.

Influência do UAE no OPEC

Os Emirados Árabes Unidos eram o membro mais influente do OPEC, depois da Arábia Saudita. Juntos, esses dois países possuíam uma significativa capacidade de produção ociosa, capaz de influenciar preços e responder a choques de oferta. Jorge León, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, destacou que a capacidade ociosa se refere à produção que pode ser rapidamente ativada para enfrentar crises maiores. Juntos, a Arábia Saudita e os Emirados controlam a maior parte da capacidade ociosa global, que supera 4 milhões de barris por dia, tornando-os particularmente influentes em momentos de crise no mercado.

A saída dos Emirados, portanto, elimina um dos pilares fundamentais que sustentavam a capacidade do OPEC de gerenciar o mercado. León afirmou em nota na terça-feira que o OPEC sairá "estruturalmente mais fraco" como consequência dessa decisão.

Impacto sobre a Arábia Saudita

Essa situação também representa um golpe para os sauditas, pois a saída dos Emirados compromete sua habilidade de gerenciar o OPEC como uma organização. Segundo David Goldwyn, que atuou como enviado especial do Departamento de Estado e coordenador para assuntos de energia internacional entre 2009 e 2011, a Arábia Saudita ainda terá uma capacidade significativa de regular o mercado com sua própria capacidade ociosa, mas ficará em uma posição relativamente mais fraca agora que os Emirados não são mais membros.

Razões para a Saída dos Emirados

A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o OPEC foi anunciada na última sexta-feira e veio após semanas de ataques com mísseis e drones por parte do Irã, outro membro do OPEC. Os ataques de Teerã a navios no Estreito de Ormuz têm pressionado as exportações de petróleo dos Emirados, colocando em risco a base de sua economia.

Embora o governo dos Emirados não tenha atribuído sua saída ao conflito, o Ministro da Energia, Suhail Al Mazrouei, afirmou em entrevista à CNBC que a saída foi temporizada para limitar a interrupção aos outros produtores do grupo.

Reação do Mercado

Segundo Goldwyn, a saída dos Emirados é improvável de afetar o mercado no próximo ano, já que o estreito permanece fechado. Os preços futuros do petróleo não apresentaram reações significativas após o anúncio.

Contudo, a saída dos Emirados pode se revelar negativa no futuro, segundo John Kilduff, fundador da Again Capital. Ele ressaltou que essa decisão enfraquece a coesão necessária entre os produtores para evitar quedas excessivas nos preços durante períodos de excesso de oferta.

Autonomia na Produção

Os Emirados buscam mais liberdade para tomar decisões de produção sem as limitações impostas pelo OPEC, com a meta de alcançar uma capacidade de 5 milhões de barris por dia até 2027, conforme indicado por Al Mazrouei.

Os Emirados, segundo Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, sentem-se pressionados após anos de cortes na produção liderados pela Arábia Saudita para sustentar os preços, e observaram que Iraque e a Rússia, membro do OPEC+, frequentemente superaram suas cotas.

Lipow comentou que, quando o conflito entre os EUA e o Irã chegar ao fim e o Estreito de Ormuz for reaberto, os Emirados produzirão o máximo de petróleo possível, utilizando qualquer capacidade ociosa que mantiveram em reserva.

Riscos Futuros

Goldwyn também apontou que o mercado pode sentir falta da capacidade da Arábia Saudita de colocar um limite nos preços caso a demanda por petróleo seja fraca e haja um grande excesso no futuro. Ele alertou sobre os riscos significativos de maior volatilidade nos preços do petróleo como resultado dessa decisão. No entanto, enfatizou que, em última análise, quando as condições de mercado exigirem cooperação, a saída dos Emirados do OPEC não impede que eles colaborem com o cartel.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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