Cenário Atual do Mercado de Ações
Em um relatório recente, o banco Santander destacou que o Ibovespa (IBOV) já registrou uma alta de 21% em 2025. Considerando o EWZ, que é um ETF que representa empresas brasileiras na Bolsa de Nova York, a valorização atinge um percentual ainda maior, de 36%. Apesar desses resultados positivos, o Santander observa que o cenário aparenta ser mais desafiador, especialmente na falta de gatilhos no curto prazo.
Os investidores locais, segundo o banco, estão adotando uma abordagem tática, reduzindo sua exposição a ações e optando por setores mais defensivos. Essa mudança tem como objetivo diminuir efetivamente o beta das carteiras de investimentos.
Expectativas para o Próximo Mês
O Santander projeta que o índice brasileiro poderá experimentar uma pausa no próximo mês, antes de reiniciar um movimento de alta. No entanto, a resiliência do mercado dependerá, em grande parte, da interação com os investidores internacionais. O banco acredita que o cenário global continua a ser favorável para mercados emergentes e para o Brasil, em especial, devido ao seu perfil de beta alto.
Nos últimos 12 meses, os investidores estrangeiros têm mantido um fluxo positivo de aplicações em ações brasileiras, totalizando R$ 18,3 bilhões, sendo que R$ 3,8 bilhões foram registrados somente em setembro.
Mudanças no Portfólio do Santander
Diante desse panorama, o Santander adotou uma postura de maior cautela em seus investimentos.
Saídas e Entradas de Ativos
Uma das principais alterações foi a saída do Nubank (ROXO34). Embora o banco digital tenha alcançado novos máximos históricos com um crescimento de 31% ao longo do ano, o Santander acredita que a ação se tornou menos atrativa devido à sua forte valorização, mesmo que a tese de crescimento permaneça sólida.
Por outro lado, o banco incluiu o Bradesco (BBDC4) em seu portfólio. Apesar de o banco também ter tido um excelente desempenho, com uma alta de 51% neste ano, a instituição oferece uma alavancagem mais direta em relação ao esperado ciclo de flexibilização da Selic e continua a avançar em seu plano de transformação. O Santander acredita que a normalização dos custos de captação e uma maior eficiência devem propiciar um retorno sobre patrimônio (ROE) gradual dentro da faixa de 15% a 17%.
Alterações no Setor Elétrico
No setor elétrico, o Santander decidiu retirar a Copel (CPLE6) do portfólio, citando a possibilidade de que a venda de ações do BNDES possa prejudicar o desempenho da empresa no curto prazo. Para compensar essa saída, a Eneva (ENEV3) foi incorporada ao portfólio, com analistas projetando que a companhia deverá se beneficiar do elevado despacho termelétrico até 2025, mantendo fluxos de caixa atrativos mesmo antes da implementação de novos projetos. A expectativa da casa é de uma taxa interna de retorno (TIR) real alavancada em torno de 11%.
Aumento de Exposição em Vale
Além disso, o Santander aumentou a exposição à Vale (VALE3) em 2 pontos percentuais, tratando-a como um hedge natural em dólar dentro de sua carteira. Para acomodar esse aumento nas posições em Vale, Bradesco e Eneva, o banco reduziu a exposição a outros ativos. As reduções aconteceram nas seguintes ações: Inter (INBR32) teve uma redução de 3 pontos percentuais, C&A (CEAB3) também com uma redução de 3 pontos percentuais, Rede D’Or (RDOR3) com redução de 1 ponto percentual e BTG Pactual (BPAC11) com uma redução igualmente de 1 ponto percentual.
Essas mudanças foram motivadas pela alta significativa das ações brasileiras e pela compressão do prêmio de risco, levando o Santander a reduzir taticamente o beta de sua carteira.
Tabela de Pesos no Portfólio do Santander
| Ticker | Empresa | Peso |
|---|---|---|
| RDOR3 | Rede D’Or | 8.0% |
| VIVT3 | Telefônica Brasil | 7.0% |
| SMFT3 | SmartFit | 6.0% |
| MELI US | Mercado Livre | 5.0% |
| SBSP3 | Sabesp | 5.0% |
| BPAC11 | BTG Pactual | 7.0% |
| BBDC4 | Bradesco | 9.0% |
| DIRR3 | Direcional | 4.0% |
| CYRE3 | Cyrela | 4.0% |
| ENEV3 | Eneva | 8.0% |
| INBR32 | Inter | 2.0% |
| CEAB3 | C&A Modas | 2.0% |
| ITUB4 | Itaú Unibanco | 11.0% |
| VALE3 | Vale | 11.0% |
| PETR3 | Petrobras | 9.0% |
Fonte: www.moneytimes.com.br


