Santander reduz preço-alvo da Cyrela (CYRE3)
Apesar de manter a recomendação de outperform (equivalente a compra) para as ações da Cyrela (CYRE3), o Santander ajustou o preço-alvo das ações, diminuindo-o de R$ 43 para R$ 41 após revisar suas previsões para a incorporadora.
Mesmo com essa redução, o novo preço ainda indica um potencial de valorização de cerca de 80% em relação ao preço atual das ações, que está em R$ 22,63.
O banco ressaltou que os papéis da empresa estão sendo negociados a um múltiplo de 4,5 vezes o lucro (P/L) projetado para os próximos doze meses, o que se mostra inferior à média histórica de cinco anos, que é de 6,5 vezes.
Os analistas do Santander comentaram que continuam a considerar o valuation atual como um ponto de entrada atraente para investidores.
Por que o Santander reduziu o preço-alvo de CYRE3?
A redução do preço-alvo passou a ser necessária após o Santander atualizar suas previsões com base nos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) e do primeiro trimestre de 2026 (1T26) da Cyrela, cuja performance ficou abaixo das expectativas do banco.
Além disso, o banco revisou suas premissas macroeconômicas, enfatizando um ambiente menos propício para a diminuição das taxas de juros no Brasil. Isso deve afetar a demanda por imóveis, combinado a um cenário de aumento nos custos de construção.
Consequentemente, o Santander ajustou suas previsões para o lucro líquido da incorporadora, agora estimando R$ 1,9 bilhão em 2026, o que representa uma queda de 13% em relação à estimativa anterior, e R$ 2,4 bilhões em 2027, com uma redução de 5% em comparação. Além disso, houve uma diminuição nas expectativas de pré-vendas, com uma queda de 6% para este ano e 3% para o próximo ano, em virtude de uma visão mais desafiadora para os segmentos de média e alta renda, que são os principais mercados da empresa.
Vivaz ganha protagonismo
Apesar dos ajustes nas projeções, o relatório aponta que o mercado ainda não está precificando de maneira correta o potencial da Vivaz, uma marca da Cyrela destinada ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
O Santander prevê que a operação econômica da Vivaz irá continuar aumentando sua participação dentro do balanço consolidado da incorporadora nos próximos anos. No ano de 2025, a Vivaz foi responsável por cerca de 29% dos lançamentos da Cyrela e 19% das receitas. Para 2027, a expectativa é que essa participação avance para aproximadamente:
- 47% dos lançamentos;
- 35% das receitas.
Os analistas avaliam que a expansão da subsidiária voltada para a baixa renda tende a aumentar a resiliência dos resultados da construtora, especialmente em períodos de taxas de juros elevadas. Além disso, o relatório indica que a rentabilidade da Vivaz tem mostrado um crescimento consistente; a margem bruta da marca atingiu 36,9% no primeiro trimestre de 2026, aproximando-se dos níveis registrados em incorporadoras especializadas no MCMV.
A ajuda do Nubank (ROXO34)
Outro aspecto destacado pelo Santander é o potencial significativo da “Cyrela Corporate Tower”, um edifício comercial que está sendo desenvolvido pela própria incorporadora na área da Oscar Freire, em São Paulo.
O relatório menciona que, em janeiro, a empresa firmou um contrato com o Nubank (ROXO34) para alugar 75% da área do empreendimento, cuja entrega está programada para o final deste ano. Os outros 25% do espaço serão ocupados pela Cyrela, que planeja estabelecer sua nova sede administrativa no local.
Conforme os analistas, o aluguel do Nubank pode gerar aproximadamente R$ 80 milhões por ano em receitas recorrentes para a incorporadora a partir de 2027. Além disso, a mudança da sede para o novo prédio deve ajudar a diminuir as despesas administrativas da companhia.
Potencial venda
Além do contrato de locação, o Santander também realizou uma análise de sensibilidade para verificar o impacto de uma possível venda do novo empreendimento. Segundo os cálculos do banco, levando em consideração apenas a parte já locada ao Nubank e uma taxa de capitalização (cap rate) implícita de 8%, a venda poderia trazer um impacto positivo de aproximadamente 25% sobre a projeção de lucro da Cyrela para 2026.
Fonte: www.moneytimes.com.br

