Revisão do Preço-Alvo da Hypera
O Santander revisou o preço-alvo das ações da Hypera (HYPE3), reduzindo de R$ 33,00 para R$ 30,50. Apesar dessa diminuição, o banco manteve uma perspectiva otimista em relação à farmacêutica, reforçando a recomendação de compra. Os analistas destacaram que o valuation da empresa se apresenta como atrativo, além de notar uma melhora na geração de caixa.
Análise do Valuation
Os analistas liderados por Caio Moscardini afirmaram que “o valuation segue atrativo”, com a Hypera sendo negociada a 8,8 vezes o lucro estimado para o ano de 2026 e a 7,6 vezes para 2027.
A avaliação do Santander aponta que a tese de investimento começa a se fortalecer após um período que foi marcado por alavancagem elevada e altas taxas de juros. “A alavancagem e os juros altos estavam limitando a geração de caixa livre da Hypera, mas esse cenário começa a mudar”, declarou a equipe de analistas do banco.
Expectativas e perspectivas futuras
O relatório que fundamenta a análise menciona que o aumento de capital, juntamente com a otimização do capital de giro, poderá liberar a geração de caixa da empresa nos próximos anos. O Santander projeta que a Hypera deverá apresentar um yield de fluxo de caixa livre de aproximadamente 5% em 2026 e de 8% em 2027.
Revisões nas Projeções do Santander
Apesar da visão construtiva, o Santander revisou suas projeções para baixo em relação à Hypera. Essa revisão deve-se, em grande parte, à deterioração no mix de receitas e ao aumento das despesas comerciais. Os analistas afirmaram: “Estamos reduzindo nossas estimativas, com impacto principalmente nas margens.”
Segundo o banco, a pressão sobre as margens é resultado da combinação de diversos fatores. “Reduzimos nossa margem em 110 pontos-base para 2026 e 150 pontos-base para 2027, refletindo um mix mais fraco e gastos comerciais mais elevados”, acrescentaram.
Impactos na Rentabilidade
Na prática, o avanço da participação de medicamentos genéricos — que possuem margens menores — pode afetar a rentabilidade da Hypera, principalmente enquanto a companhia intensifica os investimentos em marketing e vendas para estímulo ao crescimento. Embora a receita tenha permanecido praticamente estável, essa dinâmica resultou em cortes nas projeções de resultados para os próximos anos.
Expectativas para o 1º Trimestre de 2026
Para o primeiro trimestre de 2026, a previsão é de um desempenho mais fraco, alinhando-se à sazonalidade do setor. “O primeiro trimestre tende a apresentar as menores receitas e margens do ano, devido à menor diluição dos custos fixos”, informaram os analistas.
O Santander observa que a Hypera concentra suas vendas ao longo do ano, o que torna o início do período mais fraco em termos de resultados. Com uma base menor de receitas, os custos fixos acabam pesando mais proporcionalmente, o que impacta negativamente as margens.
Projeções sobre Receita e Lucro
O banco projeta uma receita líquida de R$ 1,97 bilhão para o primeiro trimestre de 2026, uma margem EBITDA ajustada de 28,5% e um lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 298 milhões, já refletindo uma visão mais conservadora das expectativas do mercado.
No que diz respeito às revisões, o banco cortou suas estimativas especialmente em relação à rentabilidade: o EBITDA foi reduzido em cerca de 4% a 5%, enquanto o lucro líquido ajustado foi diminuído em 3% para 2026, 6% para 2027 e 8% para 2028, com uma redução de cerca de 1% na receita no mesmo período.
Perspectivas Operacionais
Ainda que tenha feito essas revisões, o banco acredita que haverá um avanço operacional ao longo do ano. “Esperamos que a Hypera continue a aumentar sua participação de mercado, com um crescimento do sell-out de 7,5% em 2026,” afirmaram os analistas.
No contexto geral, o Santander destaca que a combinação de crescimento, desalavancagem e valuation permanece favorável. “Vemos uma combinação atrativa de melhora de narrativa, geração de caixa e múltiplos descontados”, concluíram os analistas.
Fonte: www.moneytimes.com.br

