O mercado imobiliário na cidade de São Paulo se destaca como o menos propenso a bolhas atualmente, conforme aponta um recente estudo. O relatório em questão é o UBS Global Real Estate Bubble Index 2025, que avalia o risco de desequilíbrios nos mercados residenciais.
Análise do Estudo
A pesquisa analisa 21 metrópoles, levando em consideração uma série de fatores, tais como: relação entre preço e renda, preço e aluguel, volume de crédito hipotecário e intensidade da atividade de construção. Com isso, as cidades são classificadas em categorias que vão de baixo risco, risco moderado, elevado até alto.
Nesse contexto, a capital paulista se destacou por ter registrado a única pontuação negativa do levantamento, com o índice de -0,10, que representa o valor mais baixo observado no estudo. Isso indica que, de acordo com a análise, os preços dos imóveis residenciais em São Paulo estão mais alinhados aos fundamentos econômicos do que em qualquer outro grande centro urbano monitorado.
Por outro lado, Miami é identificada como a cidade com maior risco de bolha, com Tóquio e Zurique em seguida. A lista continua com Los Angeles, Genebra, Amsterdã e Dubai, onde as chances de bolha permanecem elevadas.
Vale ressaltar que a cidade de São Paulo já havia figurado nessa mesma posição no ano de 2023, mas neste novo estudo obteve um resultado ainda mais significativo.
Ranking das Cidades e o Índice de Risco de Bolha
| Posição | Cidade | Índice | Zona de Risco |
|---|---|---|---|
| 1 | São Paulo | -0,10 | Baixa |
| 2 | Milão | 0,01 | Baixa |
| 3 | Paris | 0,25 | Baixa |
| 4 | Nova York | 0,26 | Baixa |
| 5 | San Francisco | 0,28 | Baixa |
| 6 | Londres | 0,34 | Baixa |
| 7 | Hong Kong | 0,44 | Baixa |
| 8 | Singapura | 0,55 | Moderada |
| 9 | Munique | 0,64 | Moderada |
| 10 | Frankfurt | 0,76 | Moderada |
| 11 | Vancouver | 0,76 | Moderada |
| 12 | Madri | 0,77 | Moderada |
| 13 | Toronto | 0,80 | Moderada |
| 14 | Sydney | 0,80 | Moderada |
| 15 | Genebra | 1,05 | Elevada |
| 16 | Amsterdã | 1,06 | Elevada |
| 17 | Dubai | 1,09 | Elevada |
| 18 | Los Angeles | 1,11 | Elevada |
| 19 | Zurique | 1,55 | Alta |
| 20 | Tóquio | 1,59 | Alta |
| 21 | Miami | 1,73 | Alta |
Características de uma Bolha e o Cenário em São Paulo
Conforme indicado pela análise da UBS, uma bolha imobiliária se caracteriza pela valorização persistente e desconectada dos fundamentos econômicos, como a renda da população e o retorno advindo dos aluguéis. Historicamente, essa desconexão tende a preceder correções abruptas no mercado imobiliário.
No caso de São Paulo, os preços dos imóveis continuam a apresentar um crescimento mais lento quando comparados às alterações nos aluguéis, nas rendas e nos valores nacionais. Desde a metade de 2024, os preços dos imóveis ajustados pela inflação estabilizaram-se em níveis cerca de 25% inferiores aos patamares de 2020, reduzindo assim os riscos de bolha que eram anteriormente identificados.
Entretanto, o mercado na capital paulista enfrenta desafios, como o acesso limitado ao crédito, onde as taxas de juros permanecem altas, e os preços dos imóveis não se ajustam de acordo com o custo de vida da população. Como resultado, muitos moradores acabam se mudando para subúrbios que oferecem opções mais acessíveis.
Além disso, essa situação acaba dificultando a concessão de financiamentos e, consequentemente, restringe a especulação imobiliária, ao contrário do que se observa em mercados que estão ‘superaquecidos’. No contexto de São Paulo, as medidas usualmente aplicadas para aumentar a oferta de imóveis, como regras mais rígidas acerca de aluguéis de curto prazo, provavelmente teriam impacto limitado na disponibilidade de moradias.
Portanto, apesar do cenário imobiliário de São Paulo demonstrar uma estabilidade relativamente boa com baixo risco de bolha, a cidade ainda enfrenta desafios relacionados à acessibilidade, que são especialmente evidentes devido ao aumento dos custos dos aluguéis e à qualidade habitacional
Fonte: timesbrasil.com.br