Saúde Privada Investe em Tecnologia e Inteligência Artificial para Aperfeiçoar Atendimento no Brasil

Saúde Privada Investe em Tecnologia e Inteligência Artificial para Aperfeiçoar Atendimento no Brasil

by Fernanda Lima
0 comentários

A transformação digital no setor de saúde privado no Brasil avança com expressiva rapidez, impulsionada pelo uso crescente de inteligência artificial (IA), automação de processos e integração de dados. Essa movimentação, que se intensificou após os impactos financeiros da pandemia, tem como objetivo equilibrar a sustentabilidade econômica com uma melhor experiência para os pacientes.

Em uma entrevista concedida ao programa Fast Money, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o médico e CEO da Horuss AI, Dr. Pedro Batista, defendeu que a inovação está promovendo um redesenho significativo no setor, abrangendo desde as análises diagnósticas até a gestão operacional. “As operadoras estão fazendo uma mudança de paradigma após os prejuízos expressivos vividos no pós-pandemia e agora buscam fornecer mais benefícios também aos pacientes”, afirmou.

Pilares tecnológicos transformam o setor

Segundo Batista, as frentes tecnológicas têm um impacto direto sobre a vida de pacientes e profissionais de saúde. Dentre essas frentes, o uso de inteligência artificial e machine learning se destaca. Contudo, essas ferramentas são plenamente eficazes somente quando sustentadas em bases de dados estruturadas e seguras. “Na Horus AI, sempre começamos com a limpeza e organização dos dados do cliente. Somente dessa maneira é que conseguimos aplicar os padrões de IA e antecipar eventos, como a identificação de pacientes que precisam de exames preventivos ou que não buscaram resultados importantes”, explicou.

O especialista enfatizou ainda que, com a adoção de tecnologias como telemedicina e prontuário eletrônico, é viável otimizar o atendimento e reduzir gargalos. “Hoje, as informações estão descentralizadas. O paciente realiza exames e consultas em locais distintos, e os sistemas não se comunicam. Isso impacta a eficiência do cuidado”, ressaltou.

Integração de dados é desafio central

Batista reconhece que existem mais de dois mil sistemas diferentes trocando informações entre operadoras, secretarias e o Ministério da Saúde, o que torna a criação de um histórico clínico único e completo bastante complicada. “A integração é crucial para melhorar o fluxo e a jornada do paciente, tornando o atendimento mais rápido e eficaz, tanto no setor privado quanto no público”, declarou.

A automatização e a centralização das informações, segundo ele, são passos fundamentais para aumentar a eficiência e reduzir custos. “Plataformas centralizadoras possibilitam um fluxo mais suave, com um impacto direto na experiência vivida pelo paciente.”

Grandes operadoras lideram transformação

Para exemplificar os avanços, Batista menciona grandes grupos que estão na vanguarda da adoção de tecnologia, como “SulAmérica, Bradesco Saúde, Hapvida e Rede D’Or São Luiz, que têm capacidade de investimento e grandes carteiras de beneficiários”.

A Rede D’Or São Luiz, a mais ampla entre as redes hospitalares do Brasil, com quase 80 hospitais sob sua gestão, possui o maior número de robôs cirúrgicos em território nacional, utilizados em procedimentos minimamente invasivos. “Essas cirurgias diminuem o tempo de internação, aumentam a precisão e promovem uma recuperação mais rápida dos pacientes. Embora possam parecer mais caras, ao analisar a jornada completa, apresentam-se como mais econômicas e eficientes”, observou Batista.

Ele ressaltou o exemplo das cirurgias de próstata: “No caso da prostatectomia radical, o paciente se recupera mais rapidamente, tem menos lesões e necessita de menos fisioterapia. Este é um típico exemplo do ‘caro que sai barato’.”

Telemedicina e automação aceleram ganhos

A Hapvida, segundo o especialista, opera um dos maiores sistemas de telemedicina do Brasil, atendendo aproximadamente 8 milhões de pacientes. A empresa centralizou as informações de sua rede hospitalar e diagnóstica, facilitando assim o acompanhamento e a entrega de saúde de maneira integrada.

Por outro lado, a SulAmérica implementou certificação digital em todos os seus prestadores, o que eliminou o uso de papel e aumentou a segurança dos registros. “Com isso, há um controle maior sobre consultas, exames e intervenções médicas, resultando em um ganho significativo de eficiência e confiança”, destacou.

O Bradesco Saúde, por sua vez, focou na experiência do usuário. “A empresa investiu na criação de um aplicativo voltado ao paciente, mas a tendência é que as ferramentas migrem para canais mais acessíveis, como o WhatsApp. O Brasil é o maior usuário do aplicativo globalmente, e ele pode se tornar o canal ideal para facilitar a comunicação direta entre médicos e pacientes”, avaliou Batista.

Pequenas e médias empresas entram no jogo

O progresso das grandes empresas está motivando operadoras menores a aprimorar seus investimentos. “Um grande volume de investimentos por parte de pequenos e médios participantes do mercado está por vir, pois eles não podem ficar de fora se desejam continuar crescendo. De outra forma, os grandes, com maior poder de precificação e investimento, acabarão dominando o mercado”, enfatizou.

De acordo com o médico, o futuro da saúde privada será caracterizado pela personalização e pelo uso inteligente de dados. “A habilidade de identificar doenças raras e oferecer cuidados mais precisos tende a aumentar. A expectativa é que não apenas os grandes, mas também os pequenos e médios consigam competir através da inovação, especialmente nas cidades do interior”, concluiu.

Com a digitalização e a inteligência artificial, a saúde suplementar brasileira avança em direção a um modelo mais integrado, preditivo e centrado no paciente. A inovação, que antes era um diferencial, atualmente se estabelece como uma necessidade estratégica, e especialistas acreditam que isso tende a redefinir o futuro do setor nos próximos anos.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy