Sem precatório no horizonte: a perspectiva da ação da Sanepar (SAPR11) segundo analistas

Sanepar no Radar do Mercado

A Sanepar (SAPR11) voltou a atrair a atenção do mercado após a insatisfação gerada em relação ao precatório de R$ 4 bilhões. O que muitos analistas esperavam ser um dividendo extraordinário significativo, capaz de agregar valor à companhia no curto e médio prazo, se tornou inviável quando a Agência Reguladora do Paraná (Agepar) decidiu destinar 100% desses recursos para os consumidores, e não para a empresa.

Ainda que essa decisão não esteja completamente definida, uma vez que depende de consulta pública, ela já provocou uma reação adversa no mercado. As ações da Sanepar, na sequência da divulgação da notícia, chegaram a enfrentar uma queda próxima de 7%. Até o momento, em 2026, os papéis acumulam um ganho de 13,33%, desempenho que está abaixo do Ibovespa, que avançou 19,72% no mesmo período.

Perspectivas Futuras

Diante desse panorama, as expectativas sobre o futuro da ação são uma preocupação. A seguir, confira as opiniões dos analistas sobre o tema.

Em um relatório divulgado recentemente, a Empiricus indica que observa uma asymetria nos dados da Sanepar, juntamente com boas perspectivas para o futuro. Segundo a empresa, “o processo de privatização da Copasa reafirma a percepção de que a Sanepar pode se tornar em breve a única estatal relevante do setor de utilities listada na Bolsa brasileira”.

Os analistas ressaltam, ainda, que o avanço de candidatos de centro-direita nas pesquisas eleitorais para o governo do Paraná pode aumentar “a probabilidade de uma agenda mais voltada à eficiência operacional e à criação de valor para acionistas”, o que até mesmo poderia incluir uma privatização.

“No caso da Sanepar, o equilíbrio entre risco e retorno parece apresentar uma simetria favorável, com um potencial de ganho que, ao menos neste momento, se apresenta como superior aos riscos inerentes ao cenário negativo”, afirmam os analistas.

Recomendações de Compra

Em outro relatório, a XP sugere a compra dos papéis da Sanepar, estabelecendo um preço-alvo de R$ 45,9, o que implica em um preço atual sem upside. Para a XP, a Sanepar mantém uma Taxa Interna de Retorno (TIR) atrativa de 10,3%.

“A proposta de valor da companhia tem como base um valuation apelativo, com um desempenho que não depende da privatização — embora esta represente um gatilho de valor significativo”, observa a XP.

Afirmam que existe a possibilidade de redução do prêmio de risco da Sanepar em comparação a outras utilities, o que deve ocorrer ao longo do tempo.

“A maior maturidade das agências reguladoras locais tende a diminuir a diferença na percepção de risco entre a regulação estadual e federal, o que, de forma natural, levará a essa compressão. Gatilhos que apresentem maiores yields, bem como um possível eventual processo de privatização, poderiam acelerar essa tendência”, acrescentam os analistas.

Visões Contrárias

Por outro lado, alguns analistas consultados pelo Money Times expressaram suas visões pessimistas em relação à Sanepar. Sem perspectivas de precatório ou privatização à vista, a situação da empresa ficaria dependente do sucesso em suas ações de capex (investimentos) e da universalização dos serviços de esgoto e saneamento.

“Creio que a empresa perde seu appeal por não estar implementando mudanças que sejam realmente transformadoras”, declara Vitor Souza, da Genial Investimentos.

Régis Chinchila, da Terra Investimentos, opina que, sem os mencionados gatilhos e com a taxa de juros ainda elevada, as ações da SAPR11 exigem paciência por parte dos investidores. “Essa nova realidade torna a tese de investimento mais a longo prazo e menos ancorada em eventos pontuais, aumentando o risco de execução e diminuindo o apelo no curto prazo”, acrescenta.

Não obstante, há uma concordância de que a Sanepar opera de forma eficiente, mesmo sendo uma empresa estatal, mas não se destaca em relação aos seus concorrentes do setor. Existe um consenso de que a companhia historicamente apresenta bons indicadores operacionais, com margens estáveis e uma estrutura de custos relativamente eficiente para uma entidade estatal.

“Entretanto, quando se compara a Sanepar com empresas pares como Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3), verificamos que essa vantagem não é tão evidente de forma estrutural”, afirma Chinchila.

Ele salienta que parte da eficiência observada resultou de características específicas da área de concessão e de ciclos anteriores que envolviam investimentos mais moderados.

“Embora a companhia apresente eficiência em seu contexto, não encontramos evidências sólidas de que ela seja estruturalmente superior às demais, especialmente ao considerar um ciclo futuro que demandará maiores investimentos em capex”, conclui o analista da Terra Investimentos.

Valor das Ações

Ilan Arbetman, analista da Ativa, considera que o risco regulatório exerce um peso importante sobre a operação da Sanepar, como demonstrado no caso dos dividendos extraordinários, que não atenderam às expectativas dos acionistas. “A Sanepar possui operações muito resilientes e margens robustas; porém, o risco regulatório, que abrange revisões parceladas e incerteza jurídica, distorce a interpretação da eficiência operacional”, esclarece.

Em relação aos dividendos, Arbetman acredita que o payout médio de 30% acaba por desvalorizar o papel. “Os dividendos seguem sendo pagos, mas, sem a presença de extraordinários, a ação se transforma em um yield estável, possivelmente até superior devido à ausência de catalisadores e uma eventual queda nos papéis”, pondera.

A visão de que a empresa está sobrevalorizada no que diz respeito aos dividendos é compartilhada por Vitor Souza, da Genial. “Os dividendos que estão sendo distribuídos são irrisórios em comparação ao valor de mercado atual, afastando a empresa da imagem de uma pagadora de dividendos significativa”, afirma.

Nos últimos 12 meses, a Sanepar registrou um dividend yield de 4,3%.

Após uma valorização de quase 100% em um ano e a reduzida probabilidade de privatização, os analistas acreditam que o valuation da empresa deve continuar sob pressão. Neste sentido, a ação foi descrita como “sem história” por Souza.

“No curto e médio prazo, os estímulos para desbloquear valor são mais restritos e menos evidentes, o que poderá levar a ação a ter um papel menos proeminente no mercado”, comenta Régis Chinchila.

Por fim, ele observa que revisões tarifárias futuras, potencialmente benéficas para a remuneração, ganhos de eficiência operacional através de programas de redução de custos e uma possível reprecificação do setor, em um cenário de queda de juros, podem trazer novamente a atratividade para o papel da Sanepar.

“De uma forma geral, no entanto, esses são catalisadores difusos e dependentes de fatores externos, o que tende a manter a ação com desempenho mais lateral até que surjam maior clareza sobre esses elementos”.

A Terra, que possui constrições também quanto à expectativa de privatização e de dividendos extraordinários, mantém uma posição neutra em relação ao papel, estimando um preço-alvo de R$ 46.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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