Setor de café solúvel no Brasil busca esclarecimento sobre a decisão dos EUA de manter tarifa de 50%

Indústria de Café Solúvel do Brasil Enfrenta Tarifas nos EUA

A indústria de café solúvel do Brasil vem investigando as razões pelas quais ainda enfrenta uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Essa questão persiste mesmo após a suspensão das tarifas para a maioria das outras exportações do país sul-americano, conforme informaram associações empresariais à Reuters.

Contexto das Tarifas

Em 2025, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, introduziu tarifas sobre diversos produtos brasileiros devido a uma disputa envolvendo o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, uma figura política próxima a Trump. Contudo, próximo ao final desse mesmo ano, o governo americano decidiu retirar suas tarifas sobre uma série de exportações de grãos brasileiros, com a exceção do café solúvel.

De acordo com Aguinaldo José de Lima, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), produtos como café em grãos inteiros, café torrado, café solúvel aromatizado, misturas no estilo cappuccino e café com leite foram isentos das tarifas.

Exportações e Impactos das Tarifas

O grupo de exportadores Cecafé informou que as exportações brasileiras de café atingiram um recorde de US$ 15,6 bilhões em 2025. Essa cifra foi alcançada mesmo diante de desafios tarifários que resultaram em uma diminuição de aproximadamente 21% no volume total das exportações, que somaram 40 milhões de sacas de 60 kg.

Entretanto, ao considerar as exportações de café verde em dezembro, cerca de um mês após a suspensão das tarifas de importação dos Estados Unidos, observou-se uma queda de 18% em relação ao mesmo período de 2024. Além disso, as exportações de café solúvel apresentaram um recuo ainda mais expressivo de 35%, totalizando 273.466 sacas.

Lima questionou: "Não entendemos o que ocorreu para que o café solúvel aromatizado fosse isento de tarifas enquanto o café solúvel comum não foi." Ele levantou a hipótese de que pudesse haver confusões em relação aos códigos de exportação de determinados produtos e citou que o setor está em processo de investigação acerca do tema.

Relação Comercial Com os EUA

Historicamente, os Estados Unidos têm sido o principal comprador de café solúvel do Brasil. A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) tem colaborado com grupos norte-americanos, como a National Coffee Association (NCA), para tentar evidenciar que a manutenção da tarifa resulta em prejuízos tanto para os brasileiros quanto para os norte-americanos. Celírio Inácio, diretor executivo da Abic, mencionou em entrevista: “Não há nada que possa justificar essa atitude de manter as tarifas sobre o café solúvel.”

Expectativas Futuras

Apesar da preocupação com a situação das tarifas, Inácio não prevê uma solução rápida, especialmente sem atualizações significativas sobre a evolução da safra de café que possam influenciar os preços do produto. "Acho que estamos em um período de espera para ver se continuaremos a ter essa tarifa de 50% dos Estados Unidos, se a produção terá boas perspectivas e se o clima vai cooperar", afirmou.

Este cenário representa um desafio contínuo para a indústria de café solúvel do Brasil, que busca entender melhor as dinâmicas tarifárias e suas implicações comerciais com o exterior.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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