Setor produtivo sinaliza que taxa de juros continua elevada, prejudicando a economia.

Taxa Selic e Reativações no Setor Produtivo

Entidades do setor produtivo permanecem atentas em relação ao patamar restritivo da taxa básica de juros do país, a Selic, mesmo após um corte realizado na quarta-feira, dia 29.

Reação ao Corte de Juros

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comentou que a redução de 0,25 ponto, que levou a Selic para 14,5%, ainda é insuficiente. Em nota, a CNI apontou que a "atual taxa de juros agrava a situação da economia". Ricardo Alban, presidente da entidade, destacou que "o custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial". Ele ressalta que o endividamento de empresas e famílias continua a alcançar recordes mensais, o que fragiliza a saúde financeira de toda a economia.

A Necessidade de Cortes Adicionais

Alban defendeu que o Banco Central (BC) intensifique os cortes na Selic durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para os dias 16 e 17 de junho. Ele afirmou que “uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperarmos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”.

Impacto na Indústria e Construção Civil

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) ressaltou que a manutenção de uma política monetária contracionista tende a aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica, acarretando impactos negativos para a geração de emprego e renda. Esse ponto também é respaldado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que indicou que, mesmo com a queda da Selic, os juros elevados comprometem a expansão do setor imobiliário, reduzindo o ritmo dos investimentos.

A CBIC enfatizou que "a construção civil, um setor estratégico para o desenvolvimento nacional, sente diretamente os efeitos desse cenário". Segundo a entidade, o ambiente de juros elevados compromete a capacidade de expansão desse setor, influenciando diretamente a velocidade dos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do país.

Avanços Necessários

Apesar das preocupações com a inflação, especialmente diante do aumento dos preços de alimentos, transportes e incertezas geopolíticas internacionais, a CBIC defende que o Brasil deve avançar gradualmente para um ambiente de juros mais compatível com as suas necessidades de desenvolvimento. A continuidade do ciclo de redução da Selic é vista como importante, mas é fundamental que o país acelere a construção de um cenário macroeconômico que favoreça o investimento, a produção e a competitividade.

Desafios Fiscais e Expectativas Inflacionárias

Entretanto, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) reconheceu que o cenário é desafiador para o BC. A entidade apontou a guerra no Oriente Médio e a desancoragem das expectativas de inflação como fatores que adicionam pressão sobre a condução da política monetária.

Adicionalmente, a FecomercioSP observou a presença de um "terceiro elemento em jogo: as contas públicas". Com contas frágeis e em crescimento das despesas obrigatórias, a FecomercioSP sugere que o BC necessitará de certo manejo, o que resulta na manutenção de juros altos. A entidade apontou que o BC só adotará uma postura mais enérgica em relação aos cortes da Selic quando o governo demonstrar um compromisso claro em relação ao equilíbrio fiscal.

Expectativas para o Futuro

A percepção da FecomercioSP é pessimista, especialmente em virtude do ano eleitoral. A entidade alertou para o aumento de gastos públicos e indicou que isso resultará em uma "taxa Selic alta por mais tempo do que o mercado esperava, podendo encerrar o ano na faixa dos 13%".

Visão da Indústria sobre o Cenário Atual

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), fez uma declaração à imprensa, onde definiu a situação atual como um "cenário insustentável".

A continuidade desse panorama e as ações que podem ser tomadas pelo Banco Central nos próximos meses permanecem sob vigilância dos diferentes setores, que esperam que sejam realizados ajustes que contribuam para a melhoria das condições econômicas do país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Related posts

Vendas de casas novas nos EUA crescem 1,6% em junho

Após tarifaço, setor de máquinas solicita adiamento no pagamento de impostos.

Com recursos do Master, 3D Minerals solicita autorização para minerar ouro na APA do Jamanxim.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais