Silêncio atônito em Moscou após Trump se voltar contra a Rússia.

Críticas e Sanções

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, com o objetivo de negociar o fim da guerra na Ucrânia, durante um encontro na Base Conjunta Elmendorf-Richardson em Anchorage, Alasca, em 15 de agosto de 2025.

Um dia após Trump criticar Putin, houve um silêncio notável vindo de Moscou, especialmente após o presidente dos EUA ter imposto sanções severas às duas maiores empresas de petróleo da Rússia.

Nos dias que se seguiram a uma conversa telefônica considerada “muito produtiva” entre os líderes, na qual concordaram em se encontrar na Hungria, Trump mudou sua postura. Após esse diálogo, o presidente dos EUA aparentou apoiar a Rússia em relação a um possível acordo de paz com a Ucrânia, mas na quarta-feira, expressou sua frustração com Moscou.

“Nós cancelamos a reunião com o presidente Putin. Não parecia certo nos encontrarmos. Não parecia que iríamos chegar ao lugar onde precisamos chegar. Então eu cancelei, mas faremos isso no futuro,” afirmou Trump na quarta-feira.

Trump acrescentou: “Toda vez que falo com Vladimir, tenho boas conversas e depois elas não levam a lugar algum. Elas simplesmente não vão a lugar algum,” declarou, ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, com quem discutiu propostas de paz para a Ucrânia.

Reação das Mídias Russas

Quando questionado sobre o motivo de ter decidido impor um pacote de sanções às gigantes do petróleo Lukoil e Rosneft naquele momento, Trump respondeu: “Eu simplesmente senti que era o momento certo, já esperávamos há muito tempo.”

Os comentários de Trump a respeito de Putin foram notavelmente ausentes das mídias estatais pró-Kremlin, como TASS, Rádio Sputnik e RIA Novosti, na cobertura noticiosa de quinta-feira, com quase nenhuma menção à crítica ou ao cancelamento da reunião.

Um dia antes, as mídias estatais russas, que servem essencialmente como porta-vozes do Kremlin, mostravam otimismo quanto às conversas planejadas entre Putin e Trump, que estavam programadas para ocorrer na Hungria, mas foram adiadas pela Casa Branca.

O Kremlin e alguns altos funcionários russos atribuíram a responsabilidade pela suspensão da cúpula a “notícias falsas,” mas a Casa Branca parece ter colocado as negociações em espera após a Rússia reiterar sua posição contrária a um cessar-fogo imediato na Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ainda não comentou publicamente sobre o cancelamento da reunião, as sanções ou as perspectivas de futuras conversas entre Trump e Putin. A CNBC contatou o Kremlin para solicitar um comentário.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou na quinta-feira que o ministério estava pronto para “continuar os contatos” com o Departamento de Estado americano, mas afirmou que os objetivos da Rússia na Ucrânia “permaneçam inalterados,” em comentários traduzidos pela NBC News. As últimas sanções impostas a Rosneft e Lukoil foram consideradas, segundo ela, contraproducentes para a busca de uma solução pacífica para a guerra.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, conhecido por suas opiniões beligerantes em relação ao Ocidente, criticou o cancelamento da cúpula de Budapeste por Trump. Ele comentou no Telegram que “os EUA são nossos adversários, e seu falador ‘pacificador’ [Trump] agora embarcou completamente no caminho da guerra contra a Rússia.” Medvedev acrescentou: “Agora, Trump se alinhou totalmente com uma Europa insana,” em comentários que foram traduzidos pelo Google.

Pressão das Sanções

As sanções impostas a Lukoil e Rosneft, assim como a diversas subsidiárias, visam pressionar Moscou, que financiou sua guerra de três anos e meio na Ucrânia utilizando receitas provenientes das vendas de petróleo no mercado global, a concordar com um cessar-fogo, conforme informado pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

O Departamento do Tesouro afirmou que as novas sanções prejudicarão a habilidade do Kremlin em aumentar a receita para financiar sua guerra contra a Ucrânia.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que seu departamento “está preparadíssimo para tomar medidas adicionais, se necessário, para apoiar os esforços do presidente Trump para pôr fim a mais uma guerra.” Ele incentivou os aliados a se unirem a eles e a aderirem a essas sanções.

A União Europeia, na quinta-feira, também anunciou um novo pacote de sanções contra a Rússia. Este conjunto de medidas, que os Estados membros aprovaram na noite de quarta-feira, inclui a proibição das importações de gás natural liquefeito (GNL) russo.

Kaja Kallas, alta representante da UE para assuntos externos e política de segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, declarou à CNBC na quinta-feira que as novas sanções são “um bom sinal de força que os EUA estão enviando ao impor sanções a grandes empresas de petróleo russas. Isso realmente está privando a Rússia dos meios para financiar essa guerra. É necessário para pôr fim a este conflito.”

Fonte: www.cnbc.com

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