Em um contexto em que a atenção global se volta para a COP30, que acontece em Belém, o Sistema B promoveu em setembro o Encontro+B Amazônia. Este evento reuniu líderes empresariais, comunidades, organizações aliadas e cidadãos sob o lema “A raiz do futuro”. O principal objetivo foi ressaltar que o êxito das empresas deve ser avaliado não apenas pelo lucro, mas pelo bem-estar que proporcionam à sociedade e ao planeta.
Leia mais:
Belém terá GLO durante a COP30, segundo o governador; conflito entre Castro e Lula impede decreto no Rio
COP30: exploração da Margem Equatorial piora percepção do evento, revela pesquisa
Brasil aposta em biocombustíveis para navegação na COP30 após impasse na IMO sobre emissões
O movimento, que se dedica a certificar empresas que demonstram compromisso com impactos positivos, desenvolve sua atuação a nível global, visando redefinir o conceito de sucesso na economia. No momento atual, há mais de 10 mil empresas certificadas mundialmente, com mais de 500 delas situadas no Brasil.
Certificação que avalia o impacto real das empresas
De acordo com Cinthia Gherardi, codiretora executiva do Sistema B Brasil, o processo de certificação examina como as empresas são geridas de maneira ampla, levando em conta fatores que vão além da simples geração de lucro. “O B se refere a benefícios compartilhados — benefícios para as pessoas, para o planeta, para os colaboradores e para toda a cadeia de valor. É uma perspectiva holística sobre o impacto da empresa”, esclarece.
Cinthia enfatiza que o movimento está presente em mais de 100 setores da economia, com maior concentração em bens de consumo e consultoria, mas também apresentando crescimento em segmentos como construção civil, arquitetura, mobilidade e energia renovável. “Esses setores são críticos, mas estão passando por um processo de reinvenção com soluções sustentáveis e novos modelos de negócio”, afirma.
Mais de 200 critérios são avaliados
Cinthia detalha que o processo de certificação envolve a análise de mais de 200 critérios. “As empresas precisam atender a requisitos básicos e, a partir disso, pontuam conforme suas práticas. Aspectos como gestão da cadeia de valor, manejo de resíduos e estratégias para minimizar impactos negativos e potencializar os positivos são avaliados”, explica.
Ela ressalta que o ideal é que o impacto positivo esteja integrado ao modelo de negócio
Empresas apresentam soluções concretas na COP30
O Sistema B levará à COP30 um conjunto de propostas e exemplos de empresas que já implementam práticas sustentáveis de forma efetiva. Cinthia enfatiza que o movimento está alinhado com o espírito da conferência, que será conhecida como a “COP da implementação”.
“Não é mais suficiente fazer promessas ou compromissos para o futuro. Trazemos soluções reais, padrões de gestão e exemplos que demonstram como as empresas podem agir de imediato”, relata.
O movimento atribui à crise climática um caráter de crise de governança. “Enquanto as empresas não inserirem práticas e políticas sustentáveis no centro de suas estratégias, a mudança duradoura não será alcançada”, adverte.
Manifesto global sugere novos padrões empresariais
Durante a COP30, o Sistema B terá a oportunidade de apresentar o “Manifesto COP30”, um documento que será assinado por empresas do mundo todo. O texto propõe a adoção de padrões que vão além da descarbonização, abordando igualmente questões como direitos humanos, biodiversidade e ação coletiva.
“Nosso objetivo é que essas práticas se tornem a norma, e não uma exceção”, destaca Cinthia. “Queremos influenciar políticas públicas e fortalecer a governança das empresas, garantindo que a sustentabilidade faça parte do DNA dos negócios.”
O movimento reitera que o futuro das empresas e da economia global está intimamente ligado à necessidade de uma transição que integre propósito, responsabilidade e inovação. Além disso, pretende que a Amazônia e as comunidades locais sejam referências concretas de transformação.
Fonte: timesbrasil.com.br

