A economia dos Estados Unidos demonstra sinais evidentes de desaceleração, com diversos indicadores indicando um esfriamento no mercado de trabalho, no consumo e na confiança dos agentes econômicos. Esta análise é apresentada por Solange Srour, colunista do CNN Money e diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management.
Os dados disponíveis sugerem uma tendência de desaceleração mais intensa para o segundo semestre de 2025, com previsões de crescimento que se mostram significativamente menores do que os números verificados no ano anterior.
Inflação e Atividade Econômica
Apesar da desaceleração observada, Srour enfatiza que a situação atual não aponta para uma recessão técnica, a qual é caracterizada por dois trimestres consecutivos de contração econômica.
O que se observa, na verdade, é uma diminuição no ritmo de crescimento econômico, acompanhada de pressões inflacionárias que permanecem persistentes, com projeções de inflação que se aproximam de 3,5%.
O setor de inteligência artificial surge como um ponto positivo na economia, registrando investimentos robustos. Contudo, essa dinâmica positiva não se reflete nos demais setores, que revelam sinais de perda de vigor.
Mercado de Trabalho
Um aspecto interessante da conjuntura atual é o comportamento verificado no mercado de trabalho.
Apesar da criação de um número reduzido de novas vagas e da diminuição na demanda por empregos, a taxa de desemprego mantém-se estável, em virtude da redução simultânea da oferta de mão de obra disponível.
Essa dinâmica específica do mercado de trabalho está contribuindo para a manutenção dos salários em patamares estáveis, o que pode dificultar a trajetória de desaceleração da inflação.
A situação atual sugere que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deverá adotar uma abordagem cautelosa em relação à política monetária, com expectativa de uma redução gradual nas taxas de juros.
Publicado por João Nakamura

